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Movimentação de frota naval dos EUA perto do Caribe acende alerta na Venezuela
A iminente chegada de três destróieres dos Estados Unidos, equipados com mísseis guiados, à costa da Venezuela desencadeou uma resposta do presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Cerca de 30 horas antes da movimentação da frota naval americana, Maduro anunciou a mobilização de 4,5 milhões de milicianos em todo o território nacional, como forma de reagir ao que chamou de “ameaças” dos EUA.
Contexto: EUA mobilizam mais de 4 mil militares para águas ao redor da América Latina como parte de esforço para conter cartéis
Veja: Maduro anuncia mobilização de 4,5 milhões de milicianos ante 'ameaças' dos EUA
— Vou ativar nesta semana um plano especial para garantir a cobertura, com mais de 4,5 milhões de milicianos, de todo o território nacional, milícias preparadas, ativadas e armadas — anunciou Maduro em ato transmitido pela TV, ao ordenar "tarefas" perante "a renovação das ameaças" dos Estados Unidos contra a Venezuela.
A Marinha dos Estados Unidos começou a mobilizar mais de 4 mil fuzileiros navais e marinheiros para as águas da América Latina e do Caribe na última sexta-feira como parte de um esforço intensificado para combater cartéis de drogas, segundo a CNN.
Sem citar diretamente os navios de guerra americanos, Maduro endureceu o tom em discurso transmitido na segunda-feira.
— A Venezuela defenderá nossos mares, nossos céus e nossas terras — disse. Ele classificou as movimentações dos EUA como “a ameaça bizarra e absurda de um império em declínio”.
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À agência Reuters, uma autoridade americana informou, sob condição de anonimato, que o pacote militar inclui ainda aviões espiões P-8, navios de guerra e pelo menos um submarino de ataque, em operações que devem se estender por vários meses em águas e espaço aéreo internacionais.
Os Estados Unidos também elevaram a recompensa por informações que levem à captura de Maduro para US$ 50 milhões, sob a alegação do Departamento de Justiça de que o presidente venezuelano teria ligação com o narcotráfico.
Trump fez da repressão aos cartéis de drogas um objetivo central de seu governo como parte de um esforço mais amplo para limitar a migração e proteger a fronteira sul dos EUA. Nos últimos meses, o governo Trump já enviou pelo menos dois navios de guerra para ajudar nos esforços de segurança de fronteira e no combate ao tráfico de drogas.
Milícia usada como defesa
Criada pelo ex-presidente Hugo Chávez, a Milícia venezuelana é hoje um dos cinco componentes da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB). Segundo dados oficiais, o contingente é formado por aproximadamente 5 milhões de reservistas.
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Maduro destacou o apoio interno recebido diante do que chamou de “repetição podre” de ameaças.
— Os primeiros a manifestar solidariedade e apoio a este presidente trabalhador que aqui está foram os militares desta pátria — disse, pedindo às bases políticas do governo que ampliem a formação das milícias camponesas e operárias. — Fuzis e mísseis para a força camponesa! Para defender o território, a soberania e a paz da Venezuela. Mísseis e fuzis para a classe operária, para que defenda a nossa pátria!.
Reações na América Latina
O governo brasileiro acompanha com preocupação a movimentação. Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que o envio de forças americanas é “preocupante em qualquer circunstância”. A avaliação, no entanto, tem como base informações divulgadas pela imprensa internacional.
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Já a presidente do México, Claudia Sheinbaum, que está em viagem à Guatemala, afirmou que a operação ocorre em águas internacionais e, portanto, não configura um ato de intervencionismo.
Mobilização da Marinha dos EUA
O contingente é formado por militares do Grupo Anfíbio de Prontidão Iwo Jima (ARG, na sigla em inglês) e da 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais para o Comando Sul dos EUA. Sua movimentação faz parte de um reposicionamento mais amplo de ativos militares para a área de responsabilidade do Comando Sul dos EUA (Southcom), que vem sendo realizado nas últimas três semanas, disse uma das autoridades de defesa.
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Um submarino de ataque com propulsão nuclear, aeronaves de reconhecimento P8 Poseidon adicionais, vários contratorpedeiros e um cruzador de mísseis guiados também estão sendo alocados para o Comando Sul dos EUA como parte da missão, segundo fontes da CNN.
*Com Eliane Oliveira