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A morte do si mesmo
Quem fala no teu corpo, ó colonizador imortal
A versão dublada de filmes americanos?
O conquistador dos ingênuos primitivos
que se negaram a aprender a língua do lucro?
Ou o mocinho que espera a recompensa
Que está entre as pernas da indefesa vítima
Produzida pela mesma cultura que te fabricou?
Corta os pulsos da tua alma em mim
Câncer imaginativo, cadeia de palavras e ideias mortas
Te suicido antes que tu me suicides
Praga estrangeira em forma de paranoia
Que me captura em emoções e sentimentos
Tua maneira de falar: um grande teatro
Tudo isso não é mais que teatro
Ensaiado antes do meu nascimento
E para além da minha morte
Volto a mim num tom amistoso
Que pecado seria fazer morrer o si mesmo
quando o si mesmo é um outro em nós?
Senta então na cadeirinha de pensar
Continuas remoendo tua raiva, reprimindo a violência
Transformando-a em ironia, jogando com as fragilidades
Alheias causas agora são tuas também
A herança continuará a ser transmitida pelos corpos
Jorrando com o sêmen em troca do prazer por compensação
Bato a tua cabeça na parede até que sangres de dor
Chora as tuas mágoas, passadas de geração em geração
Sente as úlceras queimarem com teu desassossego moral
Até que uses tudo isso que tens de podre para vitalizar
Neste caso então eu poderia até poupar tua vida,
Se não, que te queimem vivo com tuas vestes:
Homem branco em mim
Experimenta olhar no espelho e te enxergas
Saco de carne e ossos como os tantos
E tantas que encontrastes e tomastes
Ao teu bel prazer com tua mesquinhez
Queima no fogo ó padre, patrão, marido, juiz e cúmplice
Olha o vento levar tuas cinzas
Te dispersa no cosmos
vê tua insignificância engolida
pela deterioração da ligação entre os neurônios
aproveita e te mistura à terra e à água
E talvez quando encontrares alguma consistência na lama
Possas assumir o desenho temporário que o acaso exige
Assume teu posto e no caldeirão encontra o ponto certo
Não para ti, ó insignificante centro instalado pelo capital
Em todos os humanos sentido como EU
Mas antes, presta atenção ao ressentimento milenar
pois esta voz, a quem tanto recorres nas horas difíceis
é o teu maior inimigo disfarçado de ti:
o moralista de mil faces
Não é necessário tortura ou assassinato
estarias apenas repetindo o que ele te fez fazer
por tanto tempo aos outros e a ti,
deixa que ele seja tomado de silêncio
vazio e distância - espera
até que possas sentir o tempo novamente
E na chegada do último dia
tendo vivido o eterno e maravilhoso agora
o grande jogo infinito que aqui presenciamos
será hora de voltar pra casa