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Milton Leite é alvo de operação contra infiltração do PCC no sistema de transporte de SP
A Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público deflagraram nesta quinta-feira (17) uma nova fase da operação que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no poder público e no sistema de transporte coletivo da capital paulista. Desta vez, um dos alvos é o ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União Brasil), que ficou 27 anos no Legislativo da cidade. Os agentes saíram às ruas para cumprir 16 mandados de prisão e outros 18 de busca e apreensão.
As informações são do g1. A terceira fase da Operação Vectura Corrupta mira o controle financeiro e operacional do PCC sobre 12 empresas de ônibus com indícios de fraudes sistemáticas em licitações. Também mira a chamada "sintonia dos gravatas", núcleo de advogados suspeito de atuar diretamente nos crimes e na legitimação dos interesses da organização.
Ainda de acordo com o g1, a investigação aponta o envolvimento no esquema de ex-servidores do alto escalão da Prefeitura de São Paulo e cita um candidato a deputado — ex-candidato a prefeito — que teve a campanha eleitoral custeada pelo crime organizado. Os nomes não foram divulgados.
Um dos políticos mais influentes da política paulistana, Milton Leite deixou cargos eletivos no ano passado, após sete mandatos como vereador. Ele presidiu a Câmara em quatro oportunidades. O político atualmente presidente o União Brasil em São Paulo e o diretório estadual da da Federação União Progressista (UP), que reúne o partido e o Progressistas (PP).
De acordo com a apuração, a facção criminosa teria criado um chamado “núcleo político”, destinado a acessar recursos públicos e ampliar seus negócios. Entre as estratégias identificadas estariam o apoio e o financiamento de candidaturas alinhadas aos interesses da organização.
Na Operação Decurio, deflagrada em agosto de 2024, foram apreendidos dispositivos eletrônicos que, após análise, "revelaram um esquema sofisticado de movimentação financeira ilícita". A partir dos dados coletados e de relatórios de inteligência financeira, os investigadores identificaram uma estrutura voltada não apenas ao tráfico de drogas, mas também à lavagem de dinheiro.
Em abril, a Polícia Civil de São Paulo prendeu seis integrantes de uma organização criminosa suspeita de se infiltrar em prefeituras para lavar dinheiro obtido principalmente com o tráfico de drogas. Batizada de Operação Contaminatio, a ação teve 22 mandados de busca e apreensão e resultou no bloqueio judicial de mais de R$ 513 milhões em bens e ativos ligados aos investigados.