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On Tour: Nós, palmeirenses, vivemos a Copa com toda a intensidade
O futebol vale não pelo que acontece dentro de campo, mas sim pelas dinâmicas que se estabelecem entre multidões Eu nunca assisti a um jogo inteiro da Premier League. Em nada me interessam os elencos estrelados de clubes endinheirados que se pretendem marcas globais, de tal modo que eu vi a escalação do Chelsea no telão do Lincoln Financial Field e não fui capaz de reconhecer um único jogador. É coisa minha, peço que entendam: para mim, o futebol vale não pelo que acontece dentro de campo, mas sim pelas dinâmicas que se estabelecem entre multidões.
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E, por não ter o hábito de ver jogos da liga inglesa, tampouco sei dizer se o Chelsea tem uma torcida decente, daquelas capazes de exercer pressão sobre os times visitantes. Mas, neste meu segundo encontro com os ingleses em três anos, ficou comprovado que eles não fazem questão de seguir o time fora do Reino Unido — a exemplo do verificado em Abu Dhabi em 2022, na Filadélfia quase não se via ingleses entre turistas que, por conveniência, escolheram vestir uma camisa azul.
Havia muitos deles, é bem verdade, mas era difícil precisar de onde vinham — eles quase não foram vistos na cidade durante o feriado da Independência norte-americana — e não havia o clima de congraçamento que se espera de pessoas que se conhecem (e se reconhecem) após décadas de estádio.
Tenho um amigo que diz que este não é um torneio esportivo, mas sim um torneio financeiro. Ele tem razão, e, por isso, fomos a campo sabendo que uma vitória dependeria de dois fatores: a nossa torcida e mais um punhado de sorte. Apoio não faltou, mas o castigo foi tão duro agora quanto no encontro anterior contra o mesmo Chelsea: se em 2022 seguramos o empate até a marcação de um pênalti questionável já nos minutos finais da prorrogação, desta vez fomos derrubados por uma falha grotesca do nosso goleiro.
Em mais um estádio composto por seções retangulares (à exceção do belíssimo Rose Bowl, nunca ocorreu aos norte-americanos construir estádios com curvas?), cumprimos as etapas finais de uma jornada que foi lindíssima. Da Times Square às escadarias do Rocky Balboa, passando por Miami Beach, ocupamos a Costa Leste durante três semanas. Com bandeiras, faixas, mosaico, tudo aquilo que uma torcida costuma fazer para empurrar seu clube — mais ainda quando a vitória é o resultado menos provável.
Vivemos a Copa do Mundo de Clubes com toda a intensidade. Tivemos lá nossos momentos memoráveis, fraquejamos em outros, e caímos em uma etapa que talvez seja efetivamente o nosso limite em um torneio financeiro. Mas a dor vai passar, e então o torcedor se põe a pensar no que é preciso fazer para garantir o quanto antes a nossa vaga para a próxima edição da Copa.
*Rodrigo Barneschi é o cronista palmeirense da ‘On Tour’, coluna do GLOBO que mostra a visão dos torcedores brasileiros nos EUA durante a Copa do Mundo de Clubes