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hilda hilst bot

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trechos das obras de hilda diariamente @scvrfvvce.bsky.social

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hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 4h
E a um só tempo vivo e vou morrendo. Entre terra e água meu existir anfíbio.
192
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 6h
O peito era maior que o céu aberto.
051
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 8h
Chora por mim. Pela poeira que fui, serei, e sou agora.
082
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 10h
Andei tanto por corredores vazios que nas minhas chagas não existem pés.
030
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 12h
Que este amor só me faça descontente e farta de fadigas. E de fragilidades tantas eu me faça pequena. E diminuta e tenra como só soem ser aranhas e formigas. Que este amor só me veja de partida.
081
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 09/10/2026
Sabenças? Esqueci-as. Livros? Perdi-os.
092
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 08/10/2026
Você tem um revólver? Uma faca? Um veneno? Tenho a mim mesma de coração exposto, eu mesma sou uma agressão (...)
09328
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 08/10/2026
Tu não te assustarias se visses a ti mesmo em múltipla dimensão, tua nuca, tuas costas, teu todo contorno, tuas ancas? Porque é verdade, Axelrod, que jamais te vês, o olho do outro te examina e tu apenas refletes o espelho-outro (...) mas ainda não és tu.
060
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 08/10/2026
Para sentir a carne, Hiram, é preciso sorver o que se vê, ceifar o que se conhece, arranca teu desejo de perenidade, de querer existir antes, desde sempre, e depois no infinito (...)
030
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 08/10/2026
Teu limite é distante do meu, as descobertas não serão jamais as mesmas, sofro de sofreguidão, vejo através, difícil dizer aos outros que estou sofrendo de vida, que nunca mais vou morrer porque me incorporei à vida, não é que não te ame mais, mas devo ir (...)
060
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 07/10/2026
Espera, o papa continua: malditos todos vós que vedes e que depois de ver mastigam seus jantares, amam suas mulheres e esquecem o que viram (...) o vosso destino não é um destino divino, não há lugar algum onde repousar (...) Atentai: um sol negro e imundo há de cair sobre vós.
041
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 07/10/2026
(...) essas coisas já nos complicaram demasiado, inventaste um novo nome para o Maldito, tanto faz, podes dar o nome que quiseres, podes chamá-lo de Azazel, Lilit, Keteb, Alukah, o que sabemos agora é que ele não existe, nunca existiu (...)
010
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 07/10/2026
Tenho sofrido porque de amor tenho vivido.
090
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 07/10/2026
O amor que não chega. As horas que não dormimos. A ilusão que não temos.
0113
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 06/10/2026
(...) cheguei até a imaginar uma maneira digna de morrer. Seria assim: durante a noite, quando não há mais ninguém aqui no parque, eu me daria golpes sucessivos (...) Dizem que a perda de sangue não é dolorosa e que pouco a pouco vamos sentindo um agradável torpor.
081
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 06/10/2026
Seria preciso uma nova crueldade nascida dos elementais negrejantes de todo um campo santo para ferir assim tão fundo essa que tenho sido, essa que sou, muita solicitude me parece que tenho, muitas discrições e humildade (...)
050
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 06/10/2026
Um nítido inesperado foi o que sentiu e compreendeu no topo daquela pequena colina. Mas não viu formas nem linhas, não viu contornos nem luzes, foi invadido de cores, vida, um fulgor sem clarão (...) um sol-origem sem ser fogo. Foi invadido de significado incomensurável.
021
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 06/10/2026
Te foi dado caminhar a razão, então caminha. Que sim. O reluzente da vida, o casco da tua barca, matéria arcoirizada, é que empresta qualidade às águas. Que sim. Até onde o horizonte, até onde a linha acinzentada, longe, onde vês os pássaros, estica a tua linguagem (...)
083
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 06/10/2026
Era escritora. Chorava quando escrevia.
0228
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 05/10/2026
Sou menos quando não sou líquida.
0113
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 05/10/2026
Os sentimentos vastos não têm nome. Perdas, deslumbramentos, catástrofes do espírito, pesadelos da carne, os sentimentos vastos não têm boca, fundo de soturnez, mudo desvario, escuros enigmas habitados de vida mas sem sons (...)
0114
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 05/10/2026
(...) Mas o mundo é do capeta, Hans, vamos escrever a quatro mãos uma história porneia, vamos inventar uma pornocracia, Brasil meu caro, vamos pombear os passos de Clódia e exaltar a terra dos pornógrafos, dos pulhas, dos velhacos, dos vis.
075
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 05/10/2026
(...) como eu gostaria de arrancar a minha pele sem medo e mostrar o meu todo para o outro.
0165
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 04/10/2026
(...) é rei se foge de nós? é rei ainda se na miséria nunca se demora? e estribilhos novos: é rei se não chora conosco? se não morre com seu povo?
090
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 04/10/2026
Estendi-me ao lado da loucura porque quis ouvir o vermelho do bronze e passar a língua sobre a tintura espessa de um açoite.
070
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 04/10/2026
Que mitos, meu amor, entre os lençóis: o que tu pensas gozo é tão finito e o que pensas amor é muito mais. Como cobrir-te de pássaros e plumas e ao mesmo tempo te dizer adeus porque imperfeito és carne e perecível e o que eu desejo é luz e imaterial.
062
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 04/10/2026
E os teus ouvidos eram buracos de concha, retorcidos no desespero de não querer ouvir. Me fizeram de pedra quando eu queria ser feita de amor.
092
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 03/10/2026
O Nunca Mais é de planície e fendas. É de abismos e arroios. É de perpetuidade no que pensas efêmero e breve e pequenino no que sentes eterno. Nem é corvo ou poema o Nunca Mais.
0135
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 03/10/2026
No furor da tua víscera trituras a cada dia meu exíguo espaço.
082
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 03/10/2026
Beba, Amós. Esperança. Não arranque os frutos verdes.
080
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 03/10/2026
Caminhei escura pelas ruas, parei à margem de alguns rios escuros também (...) convivi com Hillé e seus negrumes, sua minimez, seu ter sido e esquecer, seu ter sido e não mais lembrar, seu ser e perder-se. Hoje convivo com Derrelição, com a senhora D (...)
030
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 03/10/2026
Lembra-te de nós. Em azul.
0226
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 02/10/2026
(...) se não fosse por eles você estaria banhada de ternura e ternura não é nada bom quando se escreve. Nem paixão. Nem amor. Quando se escreve é preciso ser lúcido anteparo, lembra do poema, ouro e aro na superfície clara de um solário.
060
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 02/10/2026
O distendido flanco do tigre sobre teu peito vivo. Esculpida alvorada.
040
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 02/10/2026
(...) há tantos indescritíveis Humanos feitos de fúria e desesperança, existindo apenas para nos fazer conhecer o nome da torpeza e da agonia.
0101
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 02/10/2026
Devo continuar a te dizer palavras se a poesia apodrece entre as ruínas da Casa que é a tua alma?
0133
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 02/10/2026
Como se te perdesse, assim te quero.
0162
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 01/10/2026
Corre. O casaco e o coturno estão em seus lugares. Carminadas e altas, vamos rever as ruas e como dizia o Rosa: os olhos nas nonadas. Como tu dizes sempre: os olhos no absurdo. Vem. Liquidifica o mundo.
030
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 01/10/2026
Ter sido. E não poder esquecer. Ter sido. E não mais lembrar. Ser. E perder-se.
0106
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 01/10/2026
(...) Inesquecível por vários motivos. Mas principalmente pelo gosto exótico na comida e no sexo (...) Era preciso que eu telefonasse uma semana antes para os maîtres. Tordo?! (...) entendia de vinhos como se tivesse nascido embaixo duma parreira de Avignon.
000
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 01/10/2026
(...) desejou que a morte viesse, esfarrapada, bêbada, patível o mais possível, teve medo de que viesse tão fria (...) pediu a Jesus que não lhe surgissem palavras (...) olhou o de cima cinzento sem nuvens, nem gaviões, nem pardais, pensou perfeito para a morte de mim.
062
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 01/10/2026
Se o teu canto é bonito, cuida que não seja um grito.
0188
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 30/09/2026
(...) são raras as mulheres engraçadas, a maior parte das vezes você pega sempre uma Jocasta, umas lamuriosas meio falsas… você acha que Jocasta era falsa? falsa com quem? ela inteira, eu digo, devia saber que aquele filho era dela e gozava muito com isso.
061
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 30/09/2026
Quando terra e flores eu sentir sobre o meu corpo, gostaria de ter ao meu lado tuas mãos. E depois, guardar meus olhos dentro delas.
0122
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 30/09/2026
Na hora da minha morte estarão ao meu lado mais homens, infinitamente mais homens que mulheres. E um deles dirá um poema sinistro a jeito de balada em tom menor...
060
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 29/09/2026
Das pedras só conheço as ágatas. Mas arranco do xisto as esmeraldas se me disseres que é o verde a dádiva que responde às perguntas da Ilusão.
073
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 29/09/2026
Caminho junto às cercas, cuidadosa na tarde de queimadas, tarde cega. Há um velho mourão enegrecido de queimadas antigas. E ali reencontro o louco: — Temendo os teus limites, Samsara esvaecida? Por que não deixas o fogo onividente lamber o corpo e a escrita?
021
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 29/09/2026
De ti mesma, de um poder que te foi dado alguma coisa clara se fez? Ou porque tudo se perdeu é que procuras nas vitrines curvas, tu mesma, possuída de sonho, tu mesma infinita, maga, tua aventura de ser, tão esquecida?
031
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 29/09/2026
A minha Casa é guardiã do meu corpo e protetora de todas minhas ardências.
0124
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 29/09/2026
Sobre o meu corpo, criando magia e ponta, para morrer e fazer matar.
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