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hilda hilst bot

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trechos das obras de hilda diariamente @scvrfvvce.bsky.social

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hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 7h
Lembra-te de nós. Em azul.
0144
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 9h
(...) se não fosse por eles você estaria banhada de ternura e ternura não é nada bom quando se escreve. Nem paixão. Nem amor. Quando se escreve é preciso ser lúcido anteparo, lembra do poema, ouro e aro na superfície clara de um solário.
050
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 11h
O distendido flanco do tigre sobre teu peito vivo. Esculpida alvorada.
040
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 13h
(...) há tantos indescritíveis Humanos feitos de fúria e desesperança, existindo apenas para nos fazer conhecer o nome da torpeza e da agonia.
081
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 15h
Devo continuar a te dizer palavras se a poesia apodrece entre as ruínas da Casa que é a tua alma?
0113
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 02/10/2026
Como se te perdesse, assim te quero.
0162
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 01/10/2026
Corre. O casaco e o coturno estão em seus lugares. Carminadas e altas, vamos rever as ruas e como dizia o Rosa: os olhos nas nonadas. Como tu dizes sempre: os olhos no absurdo. Vem. Liquidifica o mundo.
030
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 01/10/2026
Ter sido. E não poder esquecer. Ter sido. E não mais lembrar. Ser. E perder-se.
096
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 01/10/2026
(...) Inesquecível por vários motivos. Mas principalmente pelo gosto exótico na comida e no sexo (...) Era preciso que eu telefonasse uma semana antes para os maîtres. Tordo?! (...) entendia de vinhos como se tivesse nascido embaixo duma parreira de Avignon.
000
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 01/10/2026
(...) desejou que a morte viesse, esfarrapada, bêbada, patível o mais possível, teve medo de que viesse tão fria (...) pediu a Jesus que não lhe surgissem palavras (...) olhou o de cima cinzento sem nuvens, nem gaviões, nem pardais, pensou perfeito para a morte de mim.
052
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 01/10/2026
Se o teu canto é bonito, cuida que não seja um grito.
0178
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 30/09/2026
(...) são raras as mulheres engraçadas, a maior parte das vezes você pega sempre uma Jocasta, umas lamuriosas meio falsas… você acha que Jocasta era falsa? falsa com quem? ela inteira, eu digo, devia saber que aquele filho era dela e gozava muito com isso.
061
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 30/09/2026
Quando terra e flores eu sentir sobre o meu corpo, gostaria de ter ao meu lado tuas mãos. E depois, guardar meus olhos dentro delas.
0101
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 30/09/2026
Na hora da minha morte estarão ao meu lado mais homens, infinitamente mais homens que mulheres. E um deles dirá um poema sinistro a jeito de balada em tom menor...
050
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 29/09/2026
Das pedras só conheço as ágatas. Mas arranco do xisto as esmeraldas se me disseres que é o verde a dádiva que responde às perguntas da Ilusão.
073
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 29/09/2026
Caminho junto às cercas, cuidadosa na tarde de queimadas, tarde cega. Há um velho mourão enegrecido de queimadas antigas. E ali reencontro o louco: — Temendo os teus limites, Samsara esvaecida? Por que não deixas o fogo onividente lamber o corpo e a escrita?
021
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 29/09/2026
De ti mesma, de um poder que te foi dado alguma coisa clara se fez? Ou porque tudo se perdeu é que procuras nas vitrines curvas, tu mesma, possuída de sonho, tu mesma infinita, maga, tua aventura de ser, tão esquecida?
031
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 29/09/2026
A minha Casa é guardiã do meu corpo e protetora de todas minhas ardências.
0124
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 29/09/2026
Sobre o meu corpo, criando magia e ponta, para morrer e fazer matar.
1229
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 28/09/2026
Imagina-te a mim a teu lado inocente, a mim, e a essa mistura de piedosa, erudita, vadia e tão indiferente.
080
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 28/09/2026
Nunca fui esse que pretendes, nem nunca posso ser marido ou presidente de qualquer coisa, agora aos cinquenta as cordas que me ligavam à tua vida apodreceram, sou novo, olha ao redor e entende que nada dentro da casa é carne de mim (...)
030
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 28/09/2026
Como te perder, se sou contigo espírito?
0121
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 28/09/2026
Se sussurrares teu nome secreto nos meus caminhos entre a vida e o sono, te prometo, morte, a vida de um poeta.
0105
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 28/09/2026
Ao meu lado, uma moça magrinha de ombros curvados. Ela diz um poema em voz baixa: se eu pudesse trocar esse meu corpo por um corpo de lobo, se eu pudesse ser mais voraz, se eu pudesse ter garras como estiletes, se eu soubesse de um só caminho de sangue como um lobo.
061
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 27/09/2026
Se eu disser que vi um pássaro sobre o teu sexo, deverias crer? E se não for verdade, em nada mudará o Universo.
0103
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 27/09/2026
Entendo nada. Meus nadas, meus vômitos, existir e nada compreender. Ter existido e ter suspeitado de uma iridescência, um sol além de todos os eus. Além de todos os tu.
052
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 27/09/2026
Abre a sua boca para todos os ventos.
060
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 27/09/2026
Quando Ehud morreu morreram também os peixes do pequeno aquário, então recortei dois peixes pardos de papel, estão comigo aqui no vão da escada, no aquário dentro d’água, não os mesmos, a cada semana recorto novos peixes de papel pardo, não quero mais ver coisa muito viva (...)
052
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 26/09/2026
Tão doce morrer em vida, tão triste viver em vão.
0236
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 26/09/2026
Outros hão de ferir e amar teu coração e corpo.
0105
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 26/09/2026
Eu amo Aquele que caminha antes do meu passo. É Deus e resiste. Eu amo a minha morada, a Terra triste. É sofrida e finita e sobrevive. Eu amo o Homem-luz que há em mim. É poeira e paixão e acredita.
041
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 26/09/2026
Vi as éguas da noite entre os escombros da paisagem que fui. Vi sombras, elfos e ciladas. Laços de pedra e palha entre as alfombras e, vasto, um poço engolindo meu nome e meu retrato. Vi-as tumultuadas. Intensas. E numa delas, insone, a mim me vi.
041
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 26/09/2026
Sonha-me tua.
0102
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 25/09/2026
(...) cheguei a dizer que os minutos desta vida eram felicidade, disse assim: que bom que as horas tenham seus minutos e os minutos segundos porque aqui se faz felicidade.
021
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 25/09/2026
E há os pássaros, Haydum, esses que tu fizeste para mim emudecidos. Palatino sonoro, sim, mas se devoram, uns maiores, têm garras, andam aos bandos, parecem frágeis ao longe. São momentos do todo onde resides?
020
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 25/09/2026
Enquanto choras há lá fora um canto que de chorares tanto não o sabes.
060
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 25/09/2026
Porque a meu lado tudo se faz tarde: amor, gozo, ventura.
0258
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 24/09/2026
(...) eu teria amado Franz K, riríamos, leríamos (...) eu teria amado Tausk e teríamos nos matado juntos, tiro e forca, dois corpos mutilados, teus olhos, Tausk (...) toda tua perdição, nunca haveria respostas, nunca, anotaríamos em roxo nossas irrespondíveis perguntas (...)
010
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 24/09/2026
Devorados e vastos temos um nome: EFÊMERO
062
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 24/09/2026
Se viverdes em mim, vereis até onde me estendo.
070
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 24/09/2026
(...) as mãos para a frente, depois para o alto, captar com as pontas dos dedos o fogo de cima, movimentar os braços como uma hélice, envolver-se de chamas, empurrar a chama para o peito e para o meio dos olhos (...) Começo a sair de mim mesmo. É doloroso sair de si mesmo.
051
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 23/09/2026
— Queres voar, Samsara? Queres trocar o moroso das pernas pela magia das penas, e planar coruscante acima da demência? Porque te vejo às tardes desejosa de ser uma das aves retardatárias do pomar. Aquela ali talvez, rumo ao poente.
010
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 23/09/2026
O poema se desfaz. Bem sei. E aos poucos morre. Se o gênio do poeta conseguisse a palavra com sabor de eternidade.
0137
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 23/09/2026
Come de mim a tua fome.
0133
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 23/09/2026
Criança e esquecida da experiência humana hei de voltar à vida.
072
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 23/09/2026
Quero ser santa, quero morrer por amor a Jesus, quero que me castiguem se eu fizer coisas erradas, quero conseguir a salvação da minha alma.
0101
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 22/09/2026
Escutem, meus amigos: a morte é grande, muito grande, imensa, e se todos compreendessem, haveriam de morrer sem barulho, docemente como eu. Vou matar-me amanhã. E que dia comprido o dia de hoje.
0133
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 22/09/2026
(...) me diz que não quis dizer que eu lhe parecia velho, que nem pensou nisso quando perguntou se eu não me cansaria até o pequeno topo, digo que não me importo com esses luxos da idade, que aos vinte temos muitas certezas e depois só dúvidas.
082
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 22/09/2026
(...) A pintora pintava e alguém-outro lhe lambia (...) Élisabeth dizia: demore-se mais um pouco, senhor, não a faça gozar, a luz vem vindo rosada lá de fora e esta luz sobre este olhar é tudo o que eu preciso, pare um instante apenas (...)
000
hilda hilst bot @hildahilstbot.bsky.social · 22/09/2026
Mas… olhem, eu não estou me sentindo muito bem, há algum tempo que eu sinto o coração grande demais (...)
0172