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Quase um milhão de brasileiros que vivem no exterior estão aptos a votar nas eleições presidenciais
Enquanto brasileiros ainda se preparam para votar na véspera do próximo domingo (4), tem eleitor já registrando voto na urna. Isso é possível porque brasileiros que vivem no exterior têm que seguir o horário de votação do Brasil – das 8h às 17h –, mas respeitando o fuso horário de cada país. Os "primeiros" brasileiros que votam são os que moram em Wellington, na Nova Zelândia. Em 2022, a capital neozelandesa iniciou a votação às 16h do sábado, no horário de Brasília – 8h de domingo, no país da Oceania. Depois, votam brasileiros que estão na Austrália, Japão, Coreia do Sul e demais países da Ásia, seguidos de Europa, África e Américas, conforme os fusos de cada país. Já os "últimos" da fila são os brasileiros que moram em cidades da costa Oeste dos Estados Unidos, como Los Angeles e São Francisco. Por lá, a votação acabou às 21h de domingo, pelo horário de Brasília. Esse ano, quase um milhão de brasileiros estão aptos a votar no exterior – um número maior do que os dos eleitores de estados como Roraima, Amapá e Acre. Os brasileiros estão distribuídos por 186 cidades de todos os continentes e votam apenas em presidente e vice. O que o eleitor precisa fazer para votar residindo em outro país? Para participar das eleições residindo em outro país, o eleitor precisa realizar o processo de transferência do domicílio eleitoral na Zona Eleitoral do Exterior, administrada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal. O órgão divulga os locais onde vão funcionar as mesas receptoras. Geralmente, as seções funcionam em consulados e embaixadas, mas também podem ser instaladas em hotéis, escolas e outros espaços, como explica José Eduardo Lima Pessoa Virgolino, do TRE-DF. "A votação acontece na sede das embaixadas e consulados e, por conta do aumento do eleitorado, também pode ocorrer em alguns outros locais que são disponibilizados para o Estado brasileiro. Então, essa logística é feita com o apoio do Ministério das Relações Exteriores, que faz o envio dessas urnas eletrônicas por avião para os mais de 104 países que teremos a votação brasileira no exterior", explica. Eleições Tomaz Silva/Agência Brasil Guilherme Silva mora próximo a Houston, nos Estados Unidos. Ele vai votar pela primeira vez no exterior e, para isso, vai encarar uma viagem de duas horas. Ainda assim, faz questão de exercer esse direito, mesmo com a distância envolvida: "Estar longe do Brasil nos faz enxergar muitas coisas com outros olhos, mas a distância não apaga a nossa identidade. Votar do exterior exige planejamento: acompanhar prazos consulares, atualizar dados e, muitas vezes, viajar horas apenas para chegar à seção eleitoral. Mas esse esforço vale a pena. Exercer o voto fora do país é reafirmar que a nossa cidadania brasileira não se perde na fronteira", divide. Forma de se 'conectar afetivamente' com a política do país O cientista político Beto Vasques, do Instituto Democracia em Xeque, lembra que o eleitor mais engajado costuma comparecer mais quando está no exterior, por ser uma forma de se conectar afetivamente com a política do país. Por isso, o voto de fora pode ter um peso significativo: "Numa eleição tão acirrada, onde cada voto conta, o voto do exterior pode ter um impacto decisivo. A gente viu recentemente um exemplo nas eleições do Peru, no mês de abril, na qual os votos do exterior literalmente alteraram os resultados das eleições. Obviamente foi uma situação muito particular (...), mas como aqui a gente vê que se avizinha uma eleição muito acirrada, é possível que esse voto no exterior tenha um impacto. Um peso importante, porque como eu disse, a princípio, numa eleição tão disputada, cada voto conta", diz. Nas eleições presidenciais de 2022, a disputa acirrada também se refletiu no exterior. Lula, do PT, recebeu 51,28% dos votos, o equivalente a 152,905 mil votos. Já Jair Bolsonaro, do PL, obteve 48,72%, ou seja, 145,264 mil votos. A diferença foi de apenas 2,56 pontos percentuais.