Reposted by Cássio YamamuraCássio Yamamura @cassioyamamura.com · 31/01/2026Vou tentar usar mais este perfil para promover o curso que ministrarei pela Universidade do Livro (link no fim da thread), então queria aproveitar para falar sobre um assunto que é menor dentro do curso, mas sobre o qual vejo muita desinformação. Então vamos lá: TRAÇO MÉDIO E TRAÇO LONGO: A THREAD 1811
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 31/01/2026Espero que essa thread ajude a tornar essa recomendação obsoleta. E, para quem quiser aprender OUTRAS minúcias da edição de texto, fica aqui o convite para o meu curso de como tirar o máximo dos programas que utilizamos no nosso cotidiano: www.universidadedolivro.com.br/curso_andame...universidadedolivro.com.brSoftwares para edição de texto e revisão: do básico ao avançado - Universidade do LivroCássio Yamamura 24 a 26 de março de 2026 Após o início do curso, ainda é possível se inscrever e assistir às aulas gravadas. 060
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 31/01/2026Agora, se, por algum motivo, você quer/precisa estabelecer o seu próprio padrão, uma recomendação que já dei para mais de um cliente foi: escolha só um dos dois e use para tudo. E recomendei isso exatamente porque a diferenciação é tão mal compreendida que tende a gerar mais erros do que vantagens. 120
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 31/01/2026Alguns critérios que você pode encontrar por aí incluem traço médio para datas (ex: 1998–2008) ou traço longo apenas para discurso direto (esse eu tenho visto cada vez menos), mas é importante consultar a editora (ou seu manual de estilo) para confirmar o padrão utilizado em vez de sair aplicando. 110
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 31/01/2026Aí, a partir disso, temos nosso segundo problema: como essa questão não é da alçada de gramáticos, não há uma autoridade central para definir claramente quando se usa um ou outro. Cada um adota o próprio critério e nem todo mundo explica que a sua regra não necessariamente é universal. 110
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 31/01/2026Os nomes “traço-ene” e “traço-eme” não são à toa: eles são desenhados para terem a mesma largura, respectivamente, que o “n” e o “m” na fonte utilizada. Explico isso para mostrar que a diferenciação entre eles é de natureza TIPOGRÁFICA, não gramatical (e inclusive seria inviável na escrita à mão). 120
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 31/01/2026Muita confusão é causada pelo hábito de se chamar o traço longo de “travessão”: a pessoa consulta uma gramática, não vê nada sobre meia-risca e conclui que o traço longo é a regra. O problema dessa lógica é que, gramaticalmente falando, meia-risca TAMBÉM é travessão. 110
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 31/01/2026O traço médio (–) é feito com o alt code Alt+0150 e também é conhecido como traço-ene ou meia-risca. Já o traço longo (—) é feito com Alt+0151 e às vezes é chamado de traço-eme ou “travessão”. E qual é o jeito certo de usar cada um deles? O jeito que seu cliente mandar. FIM DA THRok, eu explico. 140
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 31/01/2026Vou tentar usar mais este perfil para promover o curso que ministrarei pela Universidade do Livro (link no fim da thread), então queria aproveitar para falar sobre um assunto que é menor dentro do curso, mas sobre o qual vejo muita desinformação. Então vamos lá: TRAÇO MÉDIO E TRAÇO LONGO: A THREAD 1811
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 26/02/2025Breve dica aos colegas tradutores: quando você traduz um livro com índice, incluir a numeração de páginas do original pode parecer malandragem pra ganhar laudas, e reordenar alfabeticamente a lista pode parecer um gesto de boa vontade. Mas a primeira ação ajuda o indexador e a segunda atrapalha. 000
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 16/01/2025Quer dizer que tá proibido escrever obra nacional que se passa toda no estrangeiro ou que bebe quase exclusivamente de fontes estrangeiras? Não. (Mesmo porque eu não tenho autoridade pra proibir nada.) Mas eu diria que fazer essa escolha automaticamente é um impulso ruim que merece reconsideração. 010
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 16/01/2025Desses 3 critérios, a obra-nacional-que-parece-gringa só não fica em desvantagem no terceiro. Advinha qual é o mais frágil? (Na prática, um monte de editora vive só de gringo e isso dificilmente é um problema.) 110
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 16/01/2025Se publicar nacional é um tão ingrato, quais são os motivos a favor? 1) trazer o frescor de uma perspectiva ausente nas obras gringas; 2) vontade genuína de promover a cultura nacional; 3) só pra poder falar que publica nacional, porque "pega bem" pra editora. 110
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 16/01/2025O livro gringo tem que ser traduzido? Sim. Mas, quando a maior parte deles é anglófona (outra questão à parte), encontrar tradutores é fácil, ao passo que ser o primeiro filtro profissional de originais sem edição é um processo mais frustrante, imprevisível e cheio de ruídos. 110
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 16/01/2025Recentemente, houve esse levantamento aqui e quem atua no mercado sabe o porquê dessa diferença: o livro gringo já foi aprovado por um profissional, já teve acompanhamento editorial, já fez campanha de divulgação e no geral já tem até números de venda. É um ótimo negócio. bsky.app/profile/luca... 110
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 16/01/2025Um dos serviços que presto é o de avaliação de originais. E, quando estou avaliando uma obra nacional, uma das críticas mais severas que posso fazer é "esse podia muito bem ser um livro gringo". Sabe por quê? Porque, se for assim, vale mais a pena publicar um gringo. 110
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 16/01/2025Há muito o que se dizer sobre como a hegemonia cultural do Norte Global limita imaginações a respeito do que é possível em determinados gêneros. Mas eu gostaria de falar brevemente sobre a relevância pragmática de ter identidade nacional na sua obra (inclusive na sua obra gótica ou cyberpunk). 111
Reposted by Cássio YamamuraNana Soares @soaresnana.bsky.social · 14/12/2024Super grata surpresa de ver que esse livro teve o preparo do @cassioyamamura.com 101
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 14/12/2024Aaah, boa leitura! Gostei bastante de trabalhar nesse! 000
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 21/10/2024No geral, já desconfio de quem tem muita certeza em COMO o progresso será. Aí nesse caso específico, há questões práticas que ainda precisam de resposta, e a proporção do prejuízo que as empresas estão absorvendo me parece mais maquiagem do potencial da tecnologia do que salto de fé. 010
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 21/10/2024Ainda não sei muito bem como pretendo usar essa conta profissional, mas achei que esse era um assunto que valia pena trazer pra cá. 000
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 21/10/2024(Claro que não dá pra ficarmos belos e folgados na certeza de que vai ser assim, mas é algo importante a se considerar, tanto pra contestar quem quer usar IA como desculpa pra reduzir valores como também para evitar criar alta dependência dessas ferramentas quando o futuro delas ainda é incerto.) 100
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 21/10/2024A tendência no momento, conforme essa tecnologia aumenta seus bancos de dados e sua presença no mundo, é ela ficar MAIS cara, MAIS trabalhosa de se manter, além de MAIS poluída por autofagia de dados (como já tem acontecido). A ideia de que "só vai melhorar" talvez seja blefe em vez de otimismo. 110
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 21/10/2024A IA generativa é uma tecnologia onerosa, cujo fácil acesso (mesmo das versões pagas) é altamente subsidiado, sem um plano de rentabilidade concreto pro futuro. Pra piorar, as funções criativas que ela substituiria são as mesmas das quais ela depende continuamente pra alimentar seu banco de dados. 100
Cássio Yamamura @cassioyamamura.com · 21/10/2024Estava tirando o atraso do Notas dos tradutores (cc. @ericoassis.bsky.social) e tenho comentários sobre os episódios 10 e 11 da 5ª temporada, sobre IA. Complementando o ceticismo do Érico no final do ep. 11: eu acho que a gente subestima muito o potencial da IA generativa PIORAR com o tempo. 120