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Geografia do desamparo: entre o calor e o dilúvio
Por Cristiano Goldschmidt O ar em Roma, nestes dias de junho e início de julho, não é mais um elemento invisível que se respira, é uma presença sólida, uma massa translúcida que se impõe sobre os ombros de quem se atreve a caminhar pelas praças de pedra. Não se trata apenas de calor, no sentido meteorológico do termo, mas de uma alteração na própria textura da realidade urbana.