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Magno_'s review of Prince of Persia: The Lost Crown | Backloggd
Queria começar dizendo que primeira conclusão que eu tirei desse jogo é que, bem, ele é um bom Metroidvania — se você considerar "bom" uma competência abstrata de jogabilidade, exploração e combate. Eu gosto do fato dele ser um jogo relativamente curto para o que os Metroidvanias hoje em dia costumam ser. Porém uma coisa me pega... porque ele é um jogo tão, mas tão parecido com Hollow Knight que é impossível não fazer comparações. E aqui ele vai ficando exponencialmente menos interessante.<br><br>Mais do que um Metroidvania, o jogo acaba sendo quase um "Hollow Knight-like". Ele sempre está rimando muito com suas influências (em um gênero historicamente derivativo e conservador) seja na filosofia de sua organização do mundo e no tipo de exploração que é proposta.<br><br>Porém, Hollow Knight só funciona como funciona porque existe nele uma conversa entre aspectos mecânicos, plataforma, combate e escolhas estéticas dentro do jogo. Hollow Knight consegue imprimir uma certa atmosfera de mistério: figuras que não são humanas, mas que evocam um imaginário palpável que está entre o reconhecível e o esquisito. São signos que a gente não sabe muito bem apontar, descrever ou delinear como eles operam naquela sociedade e como ela em si funciona, mas o jogo sempre está brincando com elementos no limite do compreensível e do fabulesco dentro desse mundo dos insetos. Por isso ele funciona em um plano de abstração onde o mistério está na sua frente. Vagar com dúvida é a forma como você enxerga e se relaciona com aquele mundo de Halllownest enquanto o jogo vai se desabrochando de uma forma que é esquemática — todo Metroidvania é esquemático — mas igualmente estranha e intrigante, sem nunca deixar a peteca cair.<br><br>Eu acho que isso é muito fundamental e Prince of Persia, por ter uma linguagem visual que é bastante "triple A", uma linguagem de cartoon americano, uma coisa bem mais pronta, fácil de entender, fácil de vender visualmente, parece não conseguir produzir essa mesma conversa. Sua exploração vai ficando cada vez mais burocrática quanto mais eu ia entendendo aquele mundo. O jogo fica cada vez menos sobre “meu Deus do céu, o que é que tem ali?” e mais sobre “cara, eu já sei como eu chego ali, eu só quero chegar ali”.<br><br>Se perde muito um senso de mistério, de encantamento e de estar preso em um labirinto. No momento em que ele recupera esse fôlego é quando você visita o extremo leste da parte do navio pirata onde a apreciação visual é absurda.<br><br>E eu queria que o jogo fosse mais sobre isso<br><br>Por isso eu acho que The Lost Crown e a direção de Mounir Radi quer entender Hollow Knight mecanicamente, sem entender Hollow Knight do ponto de vista de como ele funciona enquanto jogo ou como uma experiência estética completa. Por isso, quanto mais eu avançava e o jogo muito rapidamente era menos mistério e muito mais um Jogo da Ubsoft, mais ele me perdia.<br><br>No fim, explorar e se movimentar por aquele mundo é de fato uma delícia, isso não dá pra negar, porém o jogo se torna tão pouco sobre esse movimento e fluidez quanto mais ele burocratiza sua sensação de liberdade. O combate e a maldita mecânica de parry que parece uma exigência artificial de mercado a essa altura do campeonato parecem falar mais alto do que qualquer outro aspecto positivo que sua movimentação poderia produzir... o que é bem triste.