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Japão realiza eleições antecipadas sob nevasca e põe à prova mandato da primeira-ministra
Os japoneses foram às urnas neste domingo em eleições legislativas antecipadas, realizadas em meio a fortes nevascas, nas quais a primeira-ministra ultraconservadora Sanae Takaichi busca reforçar seu mandato. Segundo as pesquisas de opinião, o Partido Liberal Democrático (PLD), que governa o Japão há décadas de forma quase ininterrupta, deve conquistar mais dos 233 assentos necessários, de um total de 465, para retomar a maioria na Câmara Baixa.
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— Acho importante vir votar para que possamos participar adequadamente da política — disse à AFP uma mulher de 50 anos, de sobrenome Kondo, perto de um local de votação em Tóquio.
Fortes nevascas atingiram neste domingo grande parte do país, incluindo Tóquio e outras regiões que raramente veem neve no inverno.
— Tive dificuldade para encontrar o caminho até a urna porque a neve se acumulou ao redor e foi difícil chegar devido às más condições das estradas — relatou à emissora pública NHK um homem de cerca de 70 anos, na cidade de Aomori, no norte do Japão.
Pessoas fazem fila numa secção eleitoral para votar durante as eleições para a Câmara dos Representantes em Kawasaki, província de Kanagawa, em 8 de fevereiro de 2026
YUICHI YAMAZAKI / AFP
Após seis horas de votação, a participação era de 16,05%, uma queda de 3,07 pontos percentuais em relação às últimas eleições para a Câmara Baixa, em 2024.
Os locais de votação serão fechados às 20h (11h GMT), e as primeiras projeções de resultados são esperadas pouco depois.
As pesquisas indicam que o PLD e seu parceiro de coalizão podem alcançar os 310 assentos necessários para obter uma maioria de dois terços.
Esse seria o melhor resultado do PLD desde 2017, quando o mentor de Takaichi, o falecido ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, obteve um desempenho semelhante.
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Takaichi, que conta com o apoio de Donald Trump, integra a ala ultraconservadora do PLD e é admiradora de Margaret Thatcher. Ela também defende uma linha dura em relação à imigração.
Em 19 de janeiro, anunciou a dissolução da Câmara Baixa do Parlamento, o que deu início a uma histórica campanha relâmpago de 16 dias.
“Falcão” diante da China
Takaichi assumiu o cargo em outubro, após a renúncia de seu antecessor, e desde então conseguiu atrair eleitores, inclusive jovens.
No entanto, precisou lidar com os problemas da segunda maior economia da Ásia.
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Após um pacote de estímulo de US$ 135 bilhões para mitigar os efeitos da inflação, principal motivo do descontentamento dos eleitores, ela prometeu durante a campanha suspender o imposto sobre o consumo de alimentos.
A dívida do Japão é o dobro do tamanho de sua economia e, nas últimas semanas, os juros dos títulos de longo prazo atingiram níveis recordes.
Na política externa, Takaichi é considerada um “falcão” em relação à China. Apenas duas semanas após assumir o cargo, sugeriu que o Japão poderia intervir militarmente caso Pequim tentasse tomar Taiwan à força.
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A China considera a ilha de regime democrático como parte de seu território e não descarta o uso da força para retomá-la.
A reação de Pequim às declarações foi convocar o embaixador japonês e alertar seus cidadãos para não visitarem o Japão. Também realizou exercícios aéreos conjuntos com a Rússia.
Trump não se pronunciou publicamente sobre a disputa, mas na semana passada classificou Takaichi como uma “líder forte, poderosa e sábia, que ama verdadeiramente seu país”.