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Galileu [Unofficial]

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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 17/10/2026
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Dente cresce entre olho e sobrancelha de adolescente de 16 anos; entenda
Um adolescente de 16 anos passou por uma cirurgia para remover um dente que nascia entre seu olho e sobrancelha esquerdos. O caso, que ocorreu na Índia, foi descrito em estudo publicado no periódico Ophthalmology e ganhou repercussão internacional na última semana. Trata-se do primeiro caso documentado de uma ectopia dentária, ou seja, dentes nascendo em outras partes do corpo, nessa região da órbita ocular. A pesquisa revela que o garoto apresentou um inchaço no local por meses. Sem histórico de trauma ou dor, ele só procurou ajuda quando percebeu pontas brancas começando a sair desse inchaço. Após meses de inchaço na região entre a pálpebra e a sobrancelha, jovem indiano procurou ajuda médica. Uma tomografia revelou o dente ectópico, que foi então removido em cirurgia Meghana Tanwar, DNB, FRCS (Ophth) ∙ Vedant Sharma, MBBS2 ∙ Usha Kim, DO, DNB Em um primeiro momento, os médicos acreditaram que ele tinha um teratoma, espécie de tumor que se forma a partir de células capazes de se transformar em qualquer tecido do corpo humano, e até consideraram a presença de um corpo estranho como causador. Uma tomografia computadorizada, porém, revelou a ectopia dentária. "A estrutura de um dente isolado na órbita superior era bastante óbvia", revelou Meghana Tanwar, autora da pesquisa e médica do Hospital Oftalmológico Aravind em Madurai, na Índia, em entrevista ao MedPage Today. O dente foi extraído em um procedimento sob anestesia geral depois de uma consulta com um cirurgião bucomaxilofacial. A cirurgia foi bem sucedida, deixando apenas uma pequena cicatriz no rosto do rapaz. Dente ectópico Os dentes ectópicos surgem a partir da interação entre alguns tecidos: se um processo falhar, um dente pode se desenvolver em uma localização anormal. Há casos registrados de ocorrências no queixo e até na cavidade nasal. Muitas vezes eles podem passar despercebidos por anos. Em outras, podem causar dor, inchaço, dores de cabeça ou dificuldade para abrir a bocal. "Representava, principalmente, um problema estético, e não funcional, para o nosso paciente", disse Tanwar. "Se o dente tivesse migrado para ficar muito próximo de alguma estrutura orbital, como músculo, olho, nervo ou vasos sanguíneos, poderia ter causado problemas funcionais devido à compressão mecânica dessas estruturas." "Como médicos, devemos sempre estar preparados para nos surpreendermos com o quão bizarra a biologia pode ser", finalizou ela.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 17/10/2026
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Cabo de internet de 7.000 km da Meta transportará dados pelo fundo do oceano
Um cabo submarino de fibra óptica de 7.000 quilômetros transportará dados entre os Estados Unidos e a França numa velocidade de 1 milhão de gigabits por segundo. A empresa japonesa NEC está à frente da construção do projeto, chamado Petal, a Sumitomo Electric fornecerá a fibra óptica e, a Meta, responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, é quem financiará a empreitada. "Petal é uma peça fundamental dos investimentos da Meta em cabo submarino, trazendo maior capacidade, resiliência e infraestrutura preparada para o futuro à Europa, à medida que a demanda por comunicações e conectividade confiável continua a aumentar", diz comunicado da Meta. Segundo a empresa, o cabo será o primeiro do tipo a fornecer capacidade de petabits, o dobro da capacidade dos cabos submarinos existentes com esse comprimento, em distâncias transoceânicas. Seria o suficiente para permitir que 75% da população mundial ouça música em streaming simultaneamente. "Alcançar uma capacidade de petabit por segundo em um sistema submarino transoceânico representa um marco tecnológico importante na história das telecomunicações globais", afirma Eduardo Mateo, diretor de estratégia da Divisão de Redes Submarinas da NEC. De acordo com a Meta, "taransportar um petabit por um único cabo reduz significativamente os materiais, os recursos e a pegada de carbono em comparação com a construção de dois sistemas de 0,5 Pbps. No entanto, a transição para um ecossistema de fibra de dois núcleos traz desafios que afetam a fibra e os repetidores submarinos". O Petal será o primeiro sistema comercial de cabos submarinos a utilizar a tecnologia de fibra multicore. O diferencial é que, enquanto as fibras convencionais geralmente contêm um só núcleo, cada fibra do Petal terá dois núcleos para transportar sinais ópticos em direções opostas. Isso permite que uma fibra forneça a capacidade que normalmente exigiria um par de fibras de núcleo único. Não é a primeira vez que a Meta investe em cabos submarinos: Marea, a primeira instalação de fibra óptica transatlântica da empresa em 2018, suporta 192 Tbps. O Petal, por sua vez, oferecerá mais de cinco vezes essa capacidade.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 17/10/2026
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Fóssil de dinossauro que tinha altura de um humano é encontrado em gaveta de museu
O fóssil de uma nova espécie de dinossauro considerada pior que o T. rex foi encontrado na gaveta de um museu no Reino Unido após 100 anos. A descoberta foi descrita em uma pesquisa publicada na revista Royal Society Open Science na quarta-feira (14). O fóssil, que é um fragmento da parte de trás do crânio do dinossauro, foi adquirido pelo Museu de História Natural em 1924, mas não tinha sido estudado até agora. Trata-se do primeiro do tipo a ser encontrado na Europa. Segundo o estudo, o espécime fazia parte dos megaraptoranos, um tipo de dinossauro carnívoro ágil e bípede. Eles eram parentes próximos dos tiranossauros, incluindo o T. rex, e tinham cabeças alongadas, atacando suas presas com seus grandes braços e garras que tinham entre 10 e 20 centímetros de comprimento. A nova espécie ganhou o nome de Invictibellatrix, "guerreira invicta", e é uma das menores e mais antigas do grupo a ser encontrada, tendo vivido no Reino Unido no início do período Cretáceo, há cerca de 120 milhões de anos. "Com base no que sabemos sobre seus parentes mais próximos, o Invictibellatrix teria entre três e quatro metros de comprimento e um pouco mais de um metro e meio de altura — aproximadamente a altura de um ser humano", explicou Cassius Morrison, autor principal do estudo, em comunicado. O pesquisador afirmou que a espécie tinha penas e se alimentava de pequenos dinossauros, lagartos e mamíferos, ocupando um papel "semelhante ao da hiena atual na cadeia alimentar": "Não era um predador alfa de sua época mas, para os humanos, esse dinossauro teria sido mais perigoso que um T. rex". "Seríamos presas de tamanho perfeito, com cerca de um terço do seu peso corporal. Com certeza eles nos perseguiriam", disse Morrison. "Um T. rex não se incomodaria, pois seríamos pequenos demais." Descobrindo a nova espécie Para identificar a nova espécie, Morrison e seus colegas realizaram uma tomografia computadorizada do fóssil, criando um modelo 3D dessa parte do crânio, além de um modelo inferior deste, ou seja, do cérebro. Os pesquisadores fizeram modelos 3D do fóssil para descobrir a qual espécie pertencia R. Soc. Open Sci. (2026) 13 (10): 260937 Em seguida, os pesquisadores compararam o fóssil com crânios e caixas cranianas de tiranossauros, raptores e outros dinossauros carnívoros bípedes. Uma combinação única de características cranianas, como um orifício oval por onde a medula espinhal entrava no cérebro, e uma crista em forma de ampulheta, os fez chegar à conclusão de que tratava-se de uma nova espécie. A equipe usou algoritmos computacionais para entender como as características do crânio combinavam com as de outras espécies, descobrindo assim que o espécime pertencia à família dos megaraptoranos. A investigação prosseguiu com modelagem matemática, a partir da qual os pesquisadores analisaram como a dispersão dos megaraptores pelo mundo mudou ao longo do tempo, com base nos fósseis descoberto até o momento, bem como as árvores evolutivas dos dinossauros, a geografia e o clima. A conclusão é de que esse tipo de dinossauro eram amplamente distribuídos ao redor do planeta no início do Cretáceo (a época de Invictibellatrix) mas, ao fim deste, dezenas de milhões de anos depois, foram extintos na região da Europa. Após esse período, eles se tornaram os principais predadores no antigo continente de Gondwana, que hoje engloba regiões como a América do Sul, Austrália, África e Índia, atingindo tamanhos gigantescos e garras de até 35 centímetros de comprimento.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 17/10/2026
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NASA envia amostras de coração e cérebro para o espaço
De tempos em tempos, a ISS (Estação Espacial Internacional) precisa receber suprimentos, insumos e o que mais for preciso para manter o centro de pesqusia como esse em órbita. Não à toa, a mais recente missão da NASA, a agência espacial dos Estados Unidos, enviou 2.858 kg de carga para o espaço, incluindo materiais que servirão para uma série de projetos de pesquisa. A espaçonave Dragon, da SpaceX, decolou na terça-feira (12) e chegou à base nesta quinta-feira (15). Entre os itens, há dois que chamaram mais a atenção: um coração e um cérebro humanos. E calma, leitor da GALILEU, não foram os órgãos na sua íntegra, mas sim amostras dos seus tecidos. Também chegaram diferentes experimentos científicos, todos com o objetivo de melhorar o bem-estar dos astronautas em missões de longa duração. Coração, cérebro e olhos A gravidade gera efeitos significativos no corpo humano, sobretudo no coração e no cérebro. É por isso que diversos experimentos enviados à ISS estudarão a saúde desses dois órgãos. Em dois testes distintos, pequenos modelos de cérebros humanos – batizados de miBrains –, cultivados em laboratório, serão monitorados. Um desses experimentos, o AVATAR-ORg1 acompanhará as mudanças nesses modelos no decorrer de cinco semanas e, então, irá compará-los com os tecidos cerebrais que permaneceram sob o efeito da gravidade terrestre. O segundo experimento que utilizará os miBrains buscará compreender a ligação que há entre inflamação e doenças neurodegenerativas. Para isso, os cientistas pretendem utilizar “vilas organoides”, que combinam células de várias pessoas para representar uma gama de pacientes. Cientistas da NASA esperam descobrir se é possível cultivar e estudar tecido cerebral no espaço para, assim, desvendar novos métodos no combate à vários problemas de saúde Jonny Kim/NASA Se tiver êxito, o teste poderá encontrar novos tratamentos para quadros de Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla, indo além das mudanças que ocorrem no corpo do ser humano enquanto está no espaço. E o coração? A saúde cardiovascular também está no radar. Com o intuito de apoiar pesquisas sobre doenças cardíacas e testes de medicamentos, a ideia é investigar como a microgravidade afeta o crescimento e a função de modelos tridimensionais de tecido cardíaco humano. Nem os olhos escaparam das experiências extraterrestres. O LambdaVision-1, um dos testes que também será realizado diretamente da ISS, testará a criação de retinas artificiais em microgravidade. Trata-se de uma tecnologia que será capaz de restaurar a visão funcional de pessoas que desenvolveram cegueira devido a doenças degenerativas da retina. A retina artificial funciona utilizando a proteína bacteriorrodopsina – semelhante à rodopsina, natural em nossos olhos – ativada pela luz. Esse composto é encontrado em um organismo microscópico unicelular chamado Halobacterium salinarum. O problema, segundo os pesquisadores, é que essas camadas de bacteriorrodopsina precisam ser criadas na ISS para serem mais uniformes e estáveis. Quando sujeitas à gravidade e às demais condições terrestres, as retinas artificiais ficam instáveis e inconsistentes, o que inviabiliza o seu propósito de imitar as propriedades de absorção de luz das células fotorreceptoras dos seres humanos. Segurança do trabalho Astronautas e os demais tripulantes de espaçonaves passam por uma série de treinamentos – sendo muitos deles fisicamente exaustivos –, mas não é só isso. Passar muito tempo “embarcado” – como os profissionais que trabalham nas plataformas de petróleo, só que fora da Terra – não é nada fácil e, muitas vezes, mudanças no nosso organismo passam despercebidas. É o formato do cérebro que muda, a pressão intracraniana, a perda de densidade óssea, os glóbulos oculares, dá até uma agonia só de pensar. Por isso que os novos experimentos estão em curso. Então, além dos experimentos que envolvem os tecidos do coração, do cérebro e dos olhos, os cientistas da NASA também têm realizado o teste ELISA MABL (Ensaio Imunoabsorvente Enzimático para Perda Óssea Associada à Microgravidade). Esse nome de monarca testará a capacidade de um leitor de microplacas compacto detectar anticorpos, antígenos e proteínas em amostras biológicas. Isso permitirá que os astronautas sejam capazes de analisarem o seu estado de saúde enquanto ainda estiverem confinados no espaço, e não mais somente quando regressarem à superfície terrestre. Somado ao ELISA MABL, o GEARS (Enumeração Genômica da Resistência a Antibióticos no Espaço) contribuirá para o bem-estar dos astronautas, estudando dois tipos de bactérias resistentes a antibióticos: Enterococcus faecalis e Enterococcus faecium. Ambas foram encontradas na ISS e podem representar uma ameaça à saúde dos tripulantes. Os resultados deste experimento permitirão aos cientistas compreender como as bactérias se desenvolvem em um ambiente fechado em microgravidade e também a proteger os astronautas contra infecções.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 16/10/2026
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Imagens de satélite da NASA mostram queimadas avançando pela Amazônia
A temporada de queimadas na Amazônia está apenas começando, mas já preocupa os cientistas. Imagens de satélite divulgadas pela NASA na última quinta-feira (15) mostram grandes quantidades de fumaça sobre a floresta, enquanto pesquisadores alertam que a região pode enfrentar um período prolongado e intenso de incêndios, agravado pela seca associada ao fenômeno El Niño. Desde setembro de 2026, satélites identificaram um aumento significativo na atividade dos incêndios e na emissão de fumaça nas regiões central e oriental da Amazônia. As áreas afetadas se estendem das florestas próximas a Manaus, no Amazonas, e Santarém, no Pará, até a foz do Rio Amazonas. Uma das imagens foi capturada em 12 de outubro pelo instrumento MODIS (Espectrorradiômetro de Imagem de Resolução Moderada), instalado no satélite Aqua, da NASA. O registro mostra a fumaça de incêndios dos dois lados do Rio Amazonas, incluindo uma densa camada que encobriu Manaus. Como destaca a NASA, naquele dia, a capital amazonense registrou uma qualidade do ar extremamente ruim, com concentrações de partículas finas (PM 2,5) superiores a 135 microgramas por metro cúbico — a segunda pior classificação em um índice regional de qualidade do ar. A fumaça afetou a rotina da cidade, que tem mais de 2 milhões de habitantes, provocando o fechamento de escolas e o cancelamento de eventos e atividades esportivas infantis. O efeito dominó do El Niño Segundo Douglas Morton, cientista do Centro de Voos Espaciais Goddard, da NASA, os incêndios registrados na Amazônia fazem parte de uma espécie de efeito dominó que ocorre em regiões tropicais durante episódios de El Niño. O fenômeno altera os padrões de chuva e favorece condições de seca em diferentes partes do planeta. Nesse processo, o aumento das queimadas começa próximo à Linha do Equador, com incêndios em áreas de turfa na Indonésia, antes de atingir regiões da Amazônia. Morton e pesquisadores de outras instituições descreveram esse comportamento em um estudo publicado em 2017, após a intensa temporada de incêndios associada ao El Niño de 2015 e 2016. O mesmo padrão também foi observado em 2023. Em 2026, a sequência voltou a se repetir. Desde agosto, a Indonésia enfrenta secas, incêndios e grandes quantidades de fumaça. Agora, o aumento das queimadas nos estados do Pará e Amazonas indica que o fogo chegou à segunda etapa desse processo. "Agora, na Amazônia, estamos vendo a segunda peça do dominó cair", afirmou Morton, em comunicado destacado pela NASA. As previsões dos pesquisadores indicam que a próxima onda de incêndios poderá atingir, entre novembro e dezembro, os estados de Roraima, o norte do Pará e o Amapá, além de regiões da Venezuela, Guiana e Suriname. Já entre agosto e setembro de 2027, o risco de seca e incêndios deverá atingir seu pico em áreas do sul da Amazônia brasileira e do Paraguai. Por que a floresta está tão vulnerável? Embora o El Niño contribua para intensificar a seca, a maioria dos incêndios registrados na Amazônia tem origem humana. Segundo Morton, menos de 1% das queimadas na região são provocadas por raios, devido à elevada umidade característica da floresta. Muitos dos grandes incêndios começaram como queimadas utilizadas para limpar pastagens ou retirar restos de plantações. No entanto, com a vegetação extremamente seca, o fogo escapou do controle e passou a se espalhar pelo sub-bosque, a camada de vegetação localizada abaixo das copas das árvores. A situação é agravada pela falta de chuva. De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) citados pela NASA, Manaus registrou volumes de precipitação 95% abaixo do normal em agosto e 60% abaixo da média em setembro. Outro fator preocupante é que algumas das áreas atingidas já haviam queimado durante os episódios de El Niño de 2015 e 2023. De acordo com Morton, os incêndios anteriores danificaram parcialmente as árvores e degradaram a floresta, tornando a vegetação remanescente ainda mais vulnerável ao fogo. Além disso, os incêndios florestais provocam danos ecológicos especialmente graves na Amazônia, já que a maioria das espécies que vivem nesse ambiente não está adaptada à ocorrência de fogo. Incêndios passam despercebidos O monitoramento dos incêndios também enfrenta dificuldades. Uma análise de observações por satélite indica que existem entre 50 e 70 incêndios fora de controle apenas na região de Santarém, segundo Shane Coffield, pesquisador da Universidade de Maryland e do Centro Goddard, da NASA. Coffield utiliza dados do instrumento VIIRS (Conjunto de Radiômetros de Imagem Visível e Infravermelha), presente em satélites de observação da Terra, para identificar incêndios que não aparecem nos registros convencionais do Sistema de Informações de Incêndios para Gestão de Recursos (FIRMS), da NASA. Na região de Santarém, sua equipe identificou aproximadamente 40% mais incêndios do que os contabilizados pelo sistema. Isso acontece porque a fumaça densa, as nuvens e a cobertura das árvores podem impedir que os sensores detectem os sinais infravermelhos emitidos pelo fogo, especialmente quando as chamas se espalham com menor intensidade pelo sub-bosque. Os pesquisadores pretendem compartilhar as localizações desses possíveis incêndios com cientistas do MapBiomas, rede formada por universidades, ONGs e empresas de tecnologia que monitora mudanças no uso da terra e a ocorrência de queimadas na Amazônia. Para Morton, os incêndios nas regiões de Manaus e Santarém devem continuar até a chegada da estação chuvosa, prevista para dezembro de 2026 ou janeiro de 2027. Enquanto isso, ainda há tempo para que outras regiões se preparem para o avanço das queimadas. "Dada a intensidade deste El Niño, este realmente é o ano para as pessoas evitarem queimadas a todo custo", alertou o cientista.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 16/10/2026
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Astrônomos descobrem primeira estrela verde já encontrada no espaço
Anã branca é o nome que astrônomos usam para se referir aos restos estelares que se originam depois que uma estrela morre. Por muito tempo, cientistas acreditaram que todos esses núcleos refletiam a cor branca, como o Sol, porque o olho humano não consegue ver os detalhes de um astro que emite tanta luz. O problema é que essa nomenclatura não consegue explicar as inúmeras curiosidades do espaço. Cálculos matemáticos e físicos mostram que as anãs brancas podem refletir outras cores, dependendo de sua composição química. Com essa descoberta, veio outra revelação: os cientistas encontraram a primeira estrela verde da história, com superfície rica em cálcio e sódio. A chamada WD J1330+6435 tem uma temperatura de cerca de 4 mil graus Celsius e está a aproximadamente 284 anos-luz da Terra. O estudo foi publicado na revista científica RAS Techniques and Instruments. Muito além do branco Como já revelado por telescópios como James Webb e Hubble, as estrelas possuem cores, e o principal fator que determina qual será o espectro visível aos humanos é a temperatura de cada astro. Estrelas mais frias têm aparência alaranjada, enquanto aquelas com temperatura mediana, como nosso Sol, mostram-se brancas. Já as mais quentes emitem um espectro de luz azulado. O efeito é comparado às luzes emitidas por um ferro quando está sendo cortado por um ferreiro. Primeiro, as faíscas passam de vermelho para laranja e depois ficam brancas. Os cientistas acreditavam que as anãs brancas seguiam a mesma lógica, mas o estudo demonstrou que existem outros fatores que influenciam em sua coloração. “Descobrimos que essas estrelas incrivelmente densas podem produzir cores que ninguém esperava, e algumas delas realmente me surpreenderam”, afirma Mark Hollands, coautor do estudo e astrônomo da Universidade de Warwick, na Inglaterra, em comunicado. De onde vêm as cores nas anãs brancas Ao contrário das estrelas tradicionais, as anãs brancas têm uma densidade muito alta, e esse é o principal ponto para a aparição de cores que vão além do espectro tradicional de laranja, branca e azul. As anãs brancas mais frias, por exemplo, têm a densidade da sua atmosfera perto de 1 grama por centímetro cúbico, a mesma densidade da água. Isso é milhões de vezes mais denso que a fotosfera (camada mais baixa da atmosfera) do Sol. A pesquisa explica que, nesse cenário, qualquer elemento químico (carbono, cálcio, sódio etc) que apareça em abundância pode interagir com o hélio que circunda a anã branca. Esses elementos podem absorver a luz e refleti-la em um espectro bem mais amplo do que as cores tradicionais. Elementos químicos alteram a cor da anã branca Mark Hollands/Universidade de Warwick/Reprodução Da Terra, é impossível ver o brilho dessas anãs brancas, mesmo com os telescópios mais tecnológicos. Por isso, os cientistas usaram cálculos para descobrir o espectro de cada estrela. O espectro é uma “impressão digital” produzida quando a luz das estrelas se divide por comprimento de onda, semelhante a como um prisma divide a luz solar em um arco-íris. Com esses dados, os astrônomos analisaram os espectros em modelos computacionais que “traduziram” as cores de ondas eletromagnéticas para algo visível para humanos. Depois, criaram imagens que podem ser vistas pela população. Verde, vermelho e muito mais Os astrônomos aplicaram o método de tradução de cores por diversas anãs brancas conhecidas ao redor do universo. Eles descobriram que as cores se agrupam em categorias distintas, ligadas à composição da atmosfera da estrela. Anãs brancas ricas em carbono geralmente apresentam coloração rosa ou roxa. Estrelas enriquecidas com detritos de asteroides e cometas destruídos, remanescentes de antigos sistemas planetários, tendem a ser mais amareladas. Já as anãs brancas mais frias, com atmosferas compostas por uma mistura de hidrogênio e hélio, exibem uma tonalidade ciano ou azul-clara. É isso que explica o verde da WD J1330+6435. Ao longo do tempo, a anã branca acumulou material rochoso de seu sistema planetário. Todo esse material extra enriqueceu sua atmosfera com cálcio, lítio e sódio, o que resultou em sua coloração única. Até hoje, essa é a primeira estrela (viva ou morta) que foi realmente comprovada com a coloração verde. “Os traços de sódio na atmosfera desta anã branca absorvem a parte laranja do espectro, deixando para trás um brilho verde fantasmagórico”, explica o professor Mark Hollands. O especialista ainda brinca: “Imagine estar em um planeta e olhar para uma estrela verde. Parece algo saído de um filme de ficção científica”. Outra cor também chamou a atenção dos pesquisadores. A estrela WD J1011+2845 pode ser a anã branca mais vermelha já registrada na história, no extremo oposto da estrela verde. A cerca de 48 anos-luz da Terra, o astro tem uma profunda zona de convecção repleta de carbono que foi erguido de seu núcleo até a sua superfície. As moléculas de carbono distorcem a luz e geram um comprimento de luz incomum, que reflete uma cor rosa-salmão intensa e brilhante. Cor rosa-salmão da WD J1011+2845 chama a atenção dos cientistas Mark A Garlick/Universidade de Warwick/Reprodução Apesar das cores fascinantes, as estrelas coloridas realmente não são maioria no Universo. Aproximadamente uma em cada 30 estrelas apresenta espectros diferentes do branco. “Uma em trinta pode não parecer uma fração enorme. Mas, considerando toda a população de anãs brancas no Universo, ainda são muitas estrelas com cores incomuns”, acrescentou o coautor do estudo e astrônomo da Universidade de Warwick, Boris Gänsicke.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 16/10/2026
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Crianças podem tomar whey ou café? Pesquisa mapeou dúvidas sobre alimentação infantil na internet
Um novo levantamento mapeou as principais dúvidas sobre alimentação infantil que motivaram os brasileiros a recorrer ao Google no último ano. A pesquisa, feita pela plataforma digital de consultas médicas Olá Doutor, foi divulgada nesta sexta-feira (16), e considerou pesquisas feitas entre setembro de 2025 e agosto de 2026. Ela mostra que os principais questionamentos foram sobre bebidas, que concentraram praticamente 6 em cada 10 buscas ( 57,9%), à frente de doces (16,9%), proteínas (9,7%) e frutas (8,3%). O levantamento contemplou pesquisas iniciadas pelo termo "criança pode" e suas variações. As buscas foram agrupadas em seis categorias (bebidas, doces, proteínas, frutas, sementes e oleaginosas, e temperos e condimentos). Os itens mais pesquisados foram organizados em rankings de acordo com o volume total de buscas, com as dúvidas sobre suplementos analisadas separadamente. Energético, isotônico e café A dúvida mais pesquisada foi "criança pode tomar energético?", com 48.630 pesquisas; seguida pelo questionamento "criança pode tomar gatorade?" (43.130 pesquisas); depois, veio a dúvida "criança pode tomar café?" (20.630 pesquisas). Tanto o energético quanto o café contêm cafeína, substância estimulante que pode provocar agitação, alterações no sono e aceleração dos batimentos cardíacos em crianças e adolescentes. Por isso, essas bebidas exigem cuidados redobrados e não devem fazer parte da rotina infantil. “As crianças sentem os efeitos da cafeína com doses bem mais baixas do que os adultos: um gole de energético ou meia xícara de café, por exemplo, já pode ser muito para um organismo em desenvolvimento", explica em comunicado Manoella Ferreira, gestora médica do Olá Doutor. No caso do isotônico gatorade, ele foi criado para repor líquidos e sais minerais em atividades físicas intensas e prolongadas. Não é necessário o consumo da bebida entre as crianças, sendo a água já suficiente para a maioria das brincadeiras e esportes infantis. Além disso, o gatorade possui grande quantidades de açúcares e sódio, que são maléficos se consumidos em excesso. Já quando o assunto são as bebidas proteicas, como o iogurte proteico (8.740 buscas), não existe uma recomendação específica sobre faixa etária mínima. Nesse caso, é orientado que os pais ou responsáveis conversem com um médico ou nutricionista antes de introduzir a bebida na rotina. Outra dúvida bastante pesquisada foi se criança pode beber cerveja sem álcool, questionamento que apareceu 7.350 vezes nos mecanismos de buscas. A resposta é não: a bebida não é indicada para o público infantil e pode conter pequenos resíduos de etanol (até 0,5% de álcool, segundo a legislação brasileira). Principais grupos que motivaram buscas no Google sobre alimentação infantil Olá Doutor Pipoca, mel, chia e ovo Nem sempre as dúvidas eram sobre alimentos incomuns na infância. Pipoca (14.650 buscas) e mel (12.980), por exemplo, também apareceram entre os termos mais pesquisados devido a restrições específicas para crianças na primeira infância. O mel não deve ser oferecido a bebês com menos de 1 ano e deve ser evitado em menores de 2 anos, devido ao risco de contaminação pela bactéria Clostridium botulinum, que produz uma toxina que pode provocar o botulismo. Já a pipoca envolve risco de engasgo, especialmente antes dos 4 anos. Além disso, a chia (11.810), ovo (10.950) e banana (9.860) estão entre os alimentos comuns na introdução alimentar, que começa a partir dos 6 meses. Pesquisas no Google com "Criança pode" feitas por pais brasileiros Olá Doutor As dúvidas sobre suplementação Whey (somou 96.800 buscas) e creatina (49.890) são suplementos indicados de forma rotineira para crianças, mas devem ser considerados apenas em situações específicas, sempre com orientação médica. O uso de melatonina (61.650) também deve ocorrer somente após avaliação e prescrição médica, com acompanhamento de um pediatra ou neuropediatra, e nunca de forma livre ou sem orientação profissional. O mesmo ocorre com vitamina C (13.240), ômega 3 (8.040), magnésio (5.350), vitamina B12 (3.980), psyllium (3.790) e glutamina (2.280). A suplementação só pode ser identificada por um profissional de saúde. Principais buscas sobre suplementação infantil no Google, segundo levantamento da Olá Doutor Olá Doutor O própolis (9.620) também pode ser introduzido a partir dos 2 anos de idade para aliviar sintomas de doenças respiratórias e auxiliar no fortalecimento do sistema imunológico, mas somente após a devida orientação médica. “O crescimento do universo fitness e a popularização de conteúdos sobre suplementação fizeram com que produtos como whey protein e creatina se tornassem cada vez mais conhecidos também fora do ambiente esportivo. Isso naturalmente pode gerar dúvidas entre pais e responsáveis sobre o uso desses produtos por crianças. No entanto, a indicação de suplementos na infância não deve partir da tendência ou da exposição nas redes sociais, mas de uma avaliação médica individual das necessidades nutricionais da criança”, salienta Ferreira.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 16/10/2026
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Navio de imigrantes naufraga na costa da África e mata 109 pessoas, incluindo 15 crianças
A busca por melhores condições de vida terminou em tragédia para centenas de migrantes que tentavam atravessar o mar entre a África e a Península Arábica. Um naufrágio na costa do Djibuti deixou pelo menos 109 mortos, incluindo 15 crianças, e mais de 116 desaparecidos. A embarcação transportava 305 pessoas e seguia em direção ao Iêmen quando afundou na noite de 8 para 9 de outubro. O acidente ocorreu perto de Guhere, ao norte da cidade de Obock. Todas as vítimas resgatadas são de nacionalidade etíope. As autoridades continuam as buscas, enquanto equipes locais prestam assistência médica e organizam os sepultamentos. “É uma perda de vidas devastadora. Nossos pensamentos estão com os sobreviventes e com as famílias que perderam entes queridos ou que ainda não têm notícias de seus familiares”, afirma Alexandre Coissac, chefe da missão da OIM (Organização Internacional para as Migrações da ONU) no Djibuti, em nota. Como destaca a OIM, "as costas do Golfo de Aden, em Obock, no Djibuti, são um local de onde muitos migrantes partem e onde outros chegam, após serem resgatados de perigosas travessias marítimas entre o Chifre da África e o Golfo". Sobreviventes recebem atendimento Dos corpos recuperados, 52 são de homens, 42 de mulheres e 15 de crianças — nove meninas e seis meninos. Mais de 80 pessoas sobreviveram ao naufrágio, e a OIM presta assistência a 64 delas em seu Centro de Resposta a Migrantes, em Obock. O atendimento inclui cuidados de saúde, apoio psicossocial, abrigo temporário, alimentação e serviços de proteção. As equipes também ajudam os sobreviventes a restabelecer o contato com seus familiares. “Nossas equipes estão no local, juntamente com as autoridades locais, para prestar assistência emergencial”, observa Coissac. O representante da organização ressaltou que o episódio evidencia os perigos enfrentados por migrantes que percorrem a região em busca de oportunidades econômicas. Pobreza e insegurança impulsionam migração A viagem teve início no Djibuti, mas os sobreviventes são etíopes. Localizada no Chifre da África, região do leste do continente, a Etiópia é um dos países de origem de migrantes que seguem pelo território djibutiano para tentar chegar ao Oriente Médio. Segundo a OIM, fatores como pobreza, insegurança e impactos das mudanças climáticas levam muitas pessoas a deixar suas comunidades, mesmo diante dos riscos do percurso. Desde 10 de setembro, a organização registrou mais de 20 mil deslocamentos de pessoas da Etiópia para o Djibuti. O país funciona como ponto de passagem para quem tenta atravessar o estreito de Bab el-Mandeb, uma faixa de mar que separa o Chifre da África da Península Arábica. Do Iêmen, parte dos migrantes espera seguir para países do Golfo, em busca de emprego, segurança e estabilidade. Essa rota, conhecida como Rota Oriental, recebe dezenas de milhares de pessoas todos os anos. A persistência dos deslocamentos, mesmo em meio à instabilidade no Oriente Médio, revela a dimensão das dificuldades que levam esses migrantes a se arriscar em viagens marítimas perigosas. Organização pede ampliação de rotas seguras O naufrágio faz parte de um cenário mais amplo de mortes e desaparecimentos na rota migratória. De acordo com o Projeto Migrantes Desaparecidos, iniciativa da OIM que monitora vítimas durante deslocamentos, mais de 900 migrantes morreram ou desapareceram nesse percurso em 2025. No mesmo ano, o número de pessoas que realizaram a travessia cresceu 18%. Em março de 2026, outro naufrágio na rota deixou nove mortos e 45 desaparecidos. A chegada ao Iêmen também não representa necessariamente a certeza de melhores condições de vida. A OIM alerta que migrantes estão sujeitos a violência, exploração, tráfico de pessoas, prisões e detenções arbitrárias. A insegurança e as dificuldades humanitárias enfrentadas pelo país ampliam a vulnerabilidade de quem chega sem recursos ou redes de apoio. Diante das necessidades crescentes e da limitação de recursos financeiros, a OIM pede que doadores e parceiros reforcem o apoio às operações de busca e salvamento no Djibuti, além do financiamento de serviços essenciais para os migrantes. A organização também defende a ampliação de vias seguras e regulares de migração, com o objetivo de reduzir a dependência de travessias perigosas. A medida é considerada importante para proteger pessoas que deixam seus países em busca de melhores condições de vida e evitar novas tragédias ao longo da rota.
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Homem encontra estátua gigante do faraó Ramsés II enquanto trabalhava no próprio terreno
No norte do Egito, um morador da vila de Behbeit El Hagar escavava a terra de sua propriedade em mais um dia comum de trabalho. Tudo mudou quando encontrou um pedaço de pedra com escritos esculpidos, com aparência antiga. Khaled el-Shahat, nome do morador, imediatamente chamou as autoridades egípcias, que prosseguiram com as escavações. O trabalhou revelou duas estátuas gigantes em homenagem a um dos faraós mais emblemáticos da história do Egito Antigo: Ramsés II. Os arqueólogos do Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito logo perceberam que as estátuas encontradas provavelmente eram maiores do que o habitual para a época. A maior delas surpreendeu os arqueólogos, e pode ter até 8,5 metros de altura. Somente a cabeça escavada, que representa o faraó com uma coroa dupla e emblemática, mede 1,60 metro. As informações foram confirmadas pelo próprio ministério na última terça-feira (13), em comunicado do Ministério de Turismo e Antiguidades do Egito divulgado nas redes sociais. Veja abaixo: Initial plugin text Duas estátuas, um faraó O Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito destaca que as feições do rei ainda estão claras, e o elemento de maior destaque é a coroa usada por ele. O acessório, chamado de coroa dupla, representa a união do Alto e do Baixo Egito. Há uma inscrição na coluna traseira dessa estátua, com a expressão “Hor-Ka-Nakht-Mery-Maat”. Segundo a professora de egiptologia da Universidade de Manchester, Joyce Tyldesley, esse é um nome alternativo de Ramsés, dado ao rei em homenagem ao deus Hórus, que significa "Touro Forte, Amado da Justiça, da Verdade". A segunda estátua tem cerca de 2,4 metros de altura e representa o faraó usando o chapéu real conhecido como “Nemes”, um tipo de lenço utilizado pelos reis do Egito Antigo. Segundo o comunicado do ministério, ainda faltam encontrar as pernas e a base da estátua. Estátua de Ramsés II com o chapéu Nemes Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito/Facebook/Reprodução Ao lado da segunda estátua, ainda foi encontrado um bloco de granito rosa com duas inscrições hieroglíficas. Os escritos nomeiam o faraó como "Rei do Alto e Baixo Egito" e "Filho de Rá", o deus egípcio do Sol. Pedra com inscrições que fazem elogios ao faraó Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito/Facebook/Reprodução Quem foi Ramsés II O rei Ramsés II é um dos faraós mais famosos do Egito Antigo, e recebeu diversas estátuas em sua homenagem. Elas são encontradas por todo o território que foi de seu domínio durante seus 66 anos de reinado, de 1279 a 1213 a.C. Ramsés II expandiu o domínio egípcio até onde hoje se encontra a região nordeste da Síria. Com isso, o faraó conseguiu estabilizar as fronteiras e afastar ataques de inimigos. Ele também ficou reconhecido pela Batalha de Kadesh, que aconteceu entre 1274 e 1258 a.C. O Egito enfrentou o Império Hitita na batalha que ficou conhecida como o conflito mais documentado da antiguidade. Dentro dos muros de seu templo, Ramsés II tratou a batalha como uma vitória, mas, em termos práticos, o resultado deixou as coisas em aberto. Esse impasse culminou na assinatura do Tratado de Kadesh, celebrado por egiptólogos como o primeiro acordo de paz internacional e assistência mútua de que se tem registro. Ramsés II teve uma descendência numerosa, com dezenas de esposas (como a conhecida Nefertari), garantindo a continuidade da 19ª Dinastia. Sua própria múmia, descoberta no século 19, permanece como um dos corpos mais preservados e estudados pela ciência para entender as patologias e a expectativa de vida da realeza antiga.
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Cães podem associar sons a formas geométricas, assim como os humanos
Quando escuta a palavra “Bouba”, seu cérebro automaticamente pensa em figuras arredondadas e suaves. Já para “Kiki”, a relação é com algo pontudo e desconfortável. Essa conclusão não é nova: vem de um famoso estudo da década de 1920, que garante que os seres humanos associam sons e figuras de maneira específica. Agora, entretanto, essa ideia pode ter ganhado uma nova camada, já que cães também parecem sentir o mesmo. Uma pesquisa liderada por Eleonora Biffi, especialista em comportamento canino e pesquisadora da Universidade de Parma, na Itália, afirma que cães também podem ter o mesmo entendimento da relação entre sons e imagens que os humanos. O estudo, publicado na última quarta-feira (14) na revista Proceedings of the Royal Society B, analisou o comportamento de 70 cães domésticos adultos em dois experimentos. Em ambos, os animais ouviam as palavras “Bouba” e “Kiki” faladas por pessoas enquanto olhavam para duas imagens na parede. Com ajuda de um programa de inteligência artificial, a equipe de Biffi analisou as imagens para entender em qual direção os cachorros olhavam ao ouvirem cada uma das expressões. "Nossos resultados sugerem que uma associação espontânea entre som e forma, semelhante à dos humanos, também está presente em cães domésticos adultos", dizem os autores, em comunicado. Como os experimentos foram feitos Os 70 cães que participaram dos testes junto com seus tutores foram divididos em dois grupos. Para o primeiro experimento, 51 animais entraram em uma sala com duas telas lado a lado. Uma delas mostrava uma figura preta pontiaguda e outra uma figura também preta, mas com contornos suaves e arredondados. Mais ou menos como você vê na imagem abaixo: Imagens apresentadas aos cães alternavam entre as telas Biffi et al/Proceedings of the Royal Society B/Reprodução Durante 30 segundos, uma voz humana falava as palavras “Bouba” e “Kiki”, enquanto as imagens alternavam de lado nas telas. Os alto-falantes estavam posicionados em ambos os lados, para que não houvesse interferência pela direção do som. Nos 20 primeiros segundos, o tutor mantinha o cachorro imóvel e câmeras capturavam seus movimentos com a cabeça. Essas imagens foram analisadas por uma inteligência artificial, que conseguiu calcular a angulação do olhar de cada cão para descobrir a direção para a qual ele olhava ao ouvir cada uma das palavras. Nos últimos 10 segundos, os tutores liberavam os cães para que eles pudessem explorar o local livremente. Para evitar que os tutores influenciassem os cachorros com movimentos involuntários durante o experimento, os pesquisadores usaram um segundo grupo de 19 cães. O experimento seguiu da mesma maneira, com a única diferença de que os donos passaram a usar fones de ouvido para não escutarem qual era a palavra dita no alto-falante. A ferramenta de IA traçou o olhar dos cães para entender suas reações ao ouvir as palavras Biffi et al/Proceedings of the Royal Society B/Reprodução Cães apresentam reações parecidas com as humanas De modo geral, os pesquisadores concluíram que “os cães olharam significativamente mais para a forma arredondada enquanto 'Bouba' era tocada, e olharam e exploraram a forma pontiaguda quando 'Kiki' era tocada", em ambos os experimentos. A diferença entre o primeiro e o segundo está no final do experimento, nos 10 segundos em que os cães poderiam explorar o ambiente. Quando os tutores não usavam fones de ouvido, os animais demonstraram tendência a explorarem as formas pontiagudas. Já para o grupo com fones de ouvido, os cães não demonstraram preferência. Os autores têm algumas ideias para explicar os resultados. Poderia ser, por exemplo, o caso de que os cães tenham sido influenciados por sinais não intencionais dos donos. “No entanto, como os humanos normalmente demonstram uma preferência maior por formas arredondadas ou curvas do que por formas pontiagudas, isso é improvável", explicaram, em comunicado. Mas a resposta pode também estar na evolução da espécie. "Outra possível explicação seria que, no caso dos cães, a configuração facial dos animais, especialmente quando consideramos cães e lobos antigos, é caracterizada por traços mais angulares e 'pontudos', o que contrasta com a morfologia facial arredondada típica de bebês humanos e poderia plausivelmente contribuir para um viés oposto", acrescentam os pesquisadores.
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Como tratar depressão durante a gravidez pode beneficiar cérebro do bebê
A psicoterapia no tratamento da depressão materna durante a gravidez pode beneficiar o desenvolvimento emocional e cerebral do bebê. É o que mostra uma pesquisa publicada por cientistas norte-americanos, em 15 de outubro, na revista Nature Communications. A pesquisa avaliou 109 bebês nascidos de mães participantes do ensaio clínico randomizado Care Project ("Projeto Cuidado"). As mães, que apresentavam sintomas depressivos elevados, foram designadas aleatoriamente para passar por oito sessões semanais de 50 minutos de psicoterapia. As sessões eram focadas em relacionamentos e apoio social ou cuidados obstétricos. Uma delas foi somente a respeito da psicoeducação sobre depressão durante a gravidez e informações de saúde mental. Diferenças no hipocampo Os bebês cujas mães receberam psicoterapia durante a gravidez apresentaram desenvolvimento atípico no hipocampo, uma região do cérebro envolvida na memória e nas emoções. Essa diferença era de 5% em comparação com os recém-nascidos cujas mães receberam um tratamento padrão. A mudança na região cerebral resultou em uma melhor regulação emocional quando os bebês tinham 6 meses de idade. A conclusão reforça evidências anteriores de que a depressão pré-parto pode afetar o desenvolvimento cerebral do bebê, com implicações na saúde emocional da criança na vida adulta. "Há muito tempo que as pesquisas mostram que a depressão durante a gravidez está associada a diferenças nos resultados emocionais e comportamentais das crianças, mas a maior parte dessas evidências tem sido correlacional", observa em comunicado a autora principal do estudo, Catherine Demers, professora assistente de psiquiatria da Universidade do Colorado Anschutz, nos Estados Unidos. Possibilidade de intervenção A depressão pré-natal é uma das complicações mais comuns da gravidez, afetando cerca de 20% a 40% das gestantes. É uma condição tratável, que depende do acesso a intervenções de saúde mental adequadas. Para os pesquisadores, os resultados reforçam a importância de integrar os serviços de saúde mental nos cuidados pré-natais, a fim de beneficiar não apenas o bem-estar das mães, como também das crianças. "Este estudo destaca a gravidez como um período crítico para intervenção e reforça a ideia de que apoiar a saúde mental materna também é um investimento na saúde infantil", salienta a autora correspondente, Elysia Davis, professora de psicologia da Universidade de Denver e do Instituto de Pesquisa SEED.
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Palácio feito na África há 2,8 mil anos poderia sustentar até 19 andares, sugere estudo
Um palácio construído há cerca de 2,8 mil anos na atual Etiópia pode ter sido capaz de sustentar uma estrutura de até 19 andares. A possibilidade foi apontada por um estudo publicado em julho na revista Heritage, que analisou a resistência das paredes do edifício por meio de simulações computacionais. Os resultados sugerem que os construtores da época dominavam técnicas avançadas de construção, muito antes do surgimento do concreto armado e das estruturas de aço. O edifício, conhecido como Grat Be'al Gibri, fica no sítio arqueológico de Yeha, no norte da Etiópia. Construído por volta de 800 a.C., o palácio tinha uma planta de aproximadamente 60 metros por 60 metros. Um incêndio na Antiguidade destruiu grande parte da estrutura, e os vestígios preservados não permitem determinar quantos andares ela tinha originalmente. Por isso, a pesquisa buscou responder a uma questão diferente: quantos pavimentos as paredes seriam capazes de suportar? A análise indicou que a estrutura poderia sustentar ao menos 19 andares em um dos cenários simulados. Isso não comprova, porém, que o palácio tenha atingido essa altura. O resultado estabelece apenas um limite estrutural possível com base nos modelos estudados, e não uma reconstrução definitiva do edifício. Técnica combinava pedra e madeira O diferencial da construção estava na maneira como os materiais eram empregados. As paredes combinavam pedras irregulares, unidas por argamassa — uma mistura usada para preencher os espaços entre elas —, e vigas de madeira instaladas horizontalmente no interior da alvenaria. Maquete virtual em corte do palácio de Yeha, com vários andares, em uma variante de oito andares Mike Schnelle (Departamento de Estudos Orientais do DAI) A madeira era disposta em diferentes direções ao longo das paredes, formando um sistema integrado com a pedra. Essa técnica, conhecida como alvenaria reforçada com madeira, era utilizada no sul da Arábia e no nordeste da África durante o primeiro milênio antes de Cristo. Ela permitia erguer construções de vários andares sem depender de materiais modernos, como concreto armado e aço estrutural. Essa solução também tem paralelos com a arquitetura atual. Sistemas híbridos que combinam madeira e outros materiais vêm sendo adotados em projetos de edifícios altos em cidades como Sydney, Hamburgo, Viena e Berlim. Na construção contemporânea, a estratégia busca reduzir o uso de concreto e aço e, com isso, diminuir as emissões associadas à obra. Simulações da resistência das paredes Para avaliar a capacidade de sustentação do palácio, o engenheiro Martin Drieschner, da BTU (Universidade Tecnológica de Brandemburgo Cottbus-Senftenberg), e o arqueólogo Mike Schnelle, do DAI (Instituto Arqueológico Alemão), criaram modelos virtuais em três dimensões de duas partes da construção: um canto de parede e uma abertura de porta. A dupla utilizou o método dos elementos finitos, uma técnica de engenharia que divide uma estrutura em pequenas partes para calcular como ela reage ao peso e a outras forças. Com esse recurso, os pesquisadores puderam simular o comportamento das paredes à medida que novos pavimentos fossem acrescentados. Maquete virtual da paisagem com o Palácio de Yeha no centro da imagem, em uma variante de reconstrução com oito andares Departamento de Orientação do DAI/Mike Schnelle, Pesquisa em Construção Como não é possível conhecer com precisão todas as propriedades dos materiais usados há quase três milênios, os cientistas também testaram diferentes valores para suas características físicas. Os cálculos foram realizados com o auxílio do programa PolyUQ, desenvolvido para lidar com incertezas desse tipo. Os resultados mostraram que as variações consideradas nas propriedades da madeira tiveram pouca influência na capacidade de sustentação das paredes. Em um dos cenários, a estrutura suportaria 19 andares; em uma simulação menos favorável, o número seria de 16. “Para nós, como engenheiros estruturais, é particularmente empolgante que nossos métodos da engenharia civil moderna — como a aplicação do método dos elementos finitos e a modelagem de parâmetros de materiais imprecisos — possam ser diretamente transferidos para uma estrutura de 2.800 anos”, afirma Drieschner, em comunicado publicado em setembro pela BTU. Registros históricos Antes deste trabalho, as hipóteses sobre a altura de construções antigas semelhantes se apoiavam principalmente em relatos históricos e representações artísticas. Fontes árabes mencionam edifícios com até 20 andares, enquanto gravuras rupestres e pinturas murais do sul da Arábia retratam construções de vários pavimentos. Tais registros indicavam que edifícios altos poderiam ter existido na região, mas não permitiam verificar se as paredes tinham resistência suficiente para sustentá-los, lembra o DAI, em nota. Assim, a pesquisa oferece uma primeira análise estrutural desse tipo para o palácio de Yeha, aproximando evidências arqueológicas de métodos usados atualmente pela engenharia civil. Ainda assim, não há como afirmar que seus construtores tenham explorado toda a capacidade da técnica. Os cálculos avaliam o potencial das partes de parede analisadas, mas não demonstram quantos pavimentos foram efetivamente construídos nem a altura total do palácio. Próximos passos da investigação A destruição do edifício pelo fogo é uma das principais dificuldades para reconstituir sua aparência original. Embora os vestígios preservados permitam estudar aspectos das paredes, grande parte da estrutura desapareceu, limitando as informações disponíveis sobre os andares superiores. Os pesquisadores consideram que um acontecimento extraordinário — provavelmente o incêndio que atingiu o palácio — provocou seu colapso. Para testar melhor essa hipótese e compreender o comportamento do edifício como um todo, as próximas etapas do projeto devem incorporar aos cálculos as estruturas dos pisos e a geometria geral da construção.
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Fungo gigante descoberto na China surgiu logo após extinção dos dinossauros
Uma espécie de fungo capaz de atingir 50 cm de altura e pesar até 2,2 kg foi identificada nas florestas da província de Yunnan, no sudoeste da China. Nomeada de Dianjunus rex, ela apresenta os maiores corpos de frutificação já conhecidos entre os ascomicetos, um grupo que reúne mais de 64 mil espécies de fungos. A descoberta foi apresentada em um estudo publicado no final de setembro na revista Frontiers in Fungal Biology. Além das dimensões incomuns, a descoberta ainda chama a atenção pela história evolutiva do organismo. A partir de análises genéticas, os pesquisadores estimaram que a família à qual ele pertence, denominada Dianjunaceae, surgiu há aproximadamente 65 milhões de anos, pouco depois da extinção em massa que marcou o fim do período Cretáceo e levou ao desaparecimento dos dinossauros não avianos. Essa estimativa, no entanto, não significa que os exemplares encontrados tenham essa idade. Ela se refere à origem evolutiva da família e não comprova que a extinção tenha provocado seu surgimento, embora os pesquisadores considerem que as transformações ambientais daquele período possam ter criado condições favoráveis à diversificação de fungos decompositores. Nova família O Dianjunus rex foi encontrado por pesquisadores do Instituto de Botânica de Kunming durante expedições em florestas temperadas de coníferas, próximas às localidades de Damaidi e Yipinglang, e em uma floresta tropical nas proximidades de Nanbang. Os exemplares apresentavam estruturas esbranquiçadas que emergiam do solo e estavam associadas a raízes lenhosas do sobreiro chinês. Essas estruturas, chamadas estromas, são corpos de frutificação: partes do fungo que abrigam estruturas reprodutivas e participam da liberação de esporos, unidades microscópicas que permitem sua reprodução e dispersão. Diferentemente dos cogumelos mais conhecidos, os ascomicetos liberam esporos a partir de pequenas estruturas em forma de saco, localizadas dentro ou na superfície dos corpos de frutificação. O grupo inclui organismos com formas e dimensões variadas, mas os exemplares de D. rex ultrapassam os recordes anteriormente registrados para esse tipo de estrutura, que ficavam entre 20 e 30 centímetros de altura. Estruturas do Dianjunus rex Jing Song et al. As análises genéticas, combinadas com o exame detalhado das características físicas do fungo, permitiram aos cientistas concluírem que se tratava de uma espécie e de um gênero inéditos para a ciência. A classificação também exigiu a criação de uma nova família biológica, a Dianjunaceae. “Essa espécie notável representa uma nova família de fungos, Dianjunaceae, e oferece uma rara oportunidade para compreender a evolução de formas corporais extremas em fungos”, afirma Indunil Senanayake, professor do Instituto de Botânica de Kunming, na China, e autor correspondente do estudo, em comunicado. O nome Dianjunus rex faz referência tanto ao tamanho imponente do organismo quanto ao antigo reino de Dian, que existiu na região onde os exemplares foram encontrados. A palavra rex, de origem latina, significa “rei”. Extinção dos dinossauros Para estimar quando a linhagem da Dianjunaceae surgiu, os pesquisadores recorreram a uma técnica conhecida como relógio molecular. O método compara diferenças acumuladas no DNA de organismos para estimar há quanto tempo suas linhagens evolutivas se separaram. Os cientistas analisaram o material genético do novo fungo e o compararam com dados de centenas de outros fungos. O resultado apontou para uma origem da família há cerca de 65 milhões de anos, período próximo ao da extinção em massa ocorrida na transição entre o Cretáceo e o Paleogeno, há aproximadamente 66 milhões de anos. O evento eliminou os dinossauros não avianos e uma grande parcela das espécies de plantas e animais existentes na época, provocando profundas mudanças nos ecossistemas terrestres. A proximidade entre as datas levanta uma hipótese sobre as condições que podem ter favorecido a evolução desses organismos. Culturas e anamorfo de Dianjunus rex Jing Song et al. “Essa coincidência temporal levanta uma possibilidade intrigante. Após a extinção em massa, as florestas sofreram mudanças drásticas, incluindo a disponibilidade repentina de grandes quantidades de matéria vegetal morta”, explica Senanayake. “Para os fungos decompositores associados à madeira, essa perturbação ambiental pode ter criado novas oportunidades ecológicas.” Os fungos decompositores desempenham um papel fundamental nos ecossistemas porque quebram a matéria orgânica, como madeira e folhas mortas, contribuindo para a reciclagem de nutrientes. Segundo a hipótese levantada pelos autores, mudanças na disponibilidade desse material podem ter favorecido a ocupação de novos ambientes por algumas linhagens. A relação, contudo, ainda é uma possibilidade a ser investigada. A datação genética indica uma coincidência temporal, mas não permite concluir, por si só, que a extinção em massa tenha dado origem à família. Crescimento atípico A dimensão do Dianjunus rex também levanta questões sobre sua adaptação ao ambiente. Uma das hipóteses dos pesquisadores é que estruturas reprodutivas mais altas possam favorecer a dispersão de esporos pelo vento, sobretudo em florestas densas, onde a vegetação e os detritos dificultam a circulação dessas partículas. “Um corpo de frutificação que se eleva acima da vegetação e dos detritos circundantes poderia ter uma melhor dispersão de esporos pelo vento em florestas densas”, sugere Senanayake. O crescimento, porém, tem um custo: produzir e manter uma estrutura tão volumosa exige recursos e energia. Por isso, o pesquisador considera que essa estratégia provavelmente evoluiu em condições nas quais suas vantagens ecológicas compensavam o investimento necessário. A ordem à qual o fungo pertence, Xylariales, também é conhecida por incluir organismos capazes de produzir compostos químicos e enzimas que degradam moléculas complexas das plantas. Essas substâncias podem ajudar os fungos a decomporem materiais resistentes, como a madeira morta. Os pesquisadores apontam essa capacidade como uma possível característica relevante para compreender a biologia do D. rex. Para estudar o organismo, a equipe coletou exemplares e os depositou nas coleções científicas do Instituto de Botânica de Kunming. Também cultivou seus esporos em laboratório, examinou sua morfologia — isto é, sua forma e suas estruturas — e sequenciou seu material genético. Espécies ainda desconhecidas Os pesquisadores acreditam que novas descobertas poderão ampliar o conhecimento sobre os fungos das regiões subtropicais e tropicais da China. Apesar da diversidade desses ambientes, muitos organismos permanecem pouco estudados. A dificuldade de coletar amostras em campo, a sazonalidade da formação dos corpos de frutificação e o fato de pesquisas históricas terem priorizado fungos de importância econômica contribuíram para essa lacuna. “Esta região combina uma heterogeneidade de habitat excepcional, estabilidade climática e interações complexas que promovem a diversificação de fungos. Historicamente, no entanto, a diversidade de fungos nesses ecossistemas tem sido subestimada”, observa Senanayake. Para o pesquisador, a identificação do Dianjunus rex demonstra que ainda há muito a descobrir sobre a diversidade e a evolução desses organismos.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 15/10/2026
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Como startup usa IA para tentar trazer esta ave extinta de volta à vida
Trazer espécies extintas de volta à vida não é um objetivo restrito à ficção. Empresas de biotecnologia e engenharia genética vêm ganhando destaque por desenvolver pesquisas na área, na tentativa de alcançar a chamada "desextinção" de espécies que viveram há centenas, milhares ou até milhões de anos. É o caso da americana Colossal Biosciences, que anunciou nesta quarta-feira (14), uma plataforma de inteligência artificial para ajudar a reviver espécies que sumiram do mapa. Batizada GenoMorph, a tecnologia combina informações genéticas e modelos tridimensionais para ajudar cientistas a identificar quais alterações no DNA podem ter dado origem às características físicas de espécies desaparecidas. Um dos principais alvos da novidade é o dodô (Raphus cucullatus), ave que habitava as Ilhas Maurício e foi extinta há séculos. A proposta é enfrentar um dos maiores obstáculos da chamada desextinção: descobrir quais mudanças genéticas precisam ser reproduzidas para recuperar atributos de um animal extinto, mesmo quando há pouquíssimas amostras de material genético disponíveis. E, no caso do dodô, essa escassez é um problema e tanto. “Normalmente, os cientistas podem comparar muitos genomas para entender quais diferenças genéticas são responsáveis por determinadas características”, explicou Ben Lamm, CEO da Colossal Biosciences, em entrevista ao portal TechCrunch. “Não temos esse privilégio com espécies extintas, cujo DNA é extremamente limitado, e só conseguimos obter um pequeno número de genomas completos”. A volta do dodô? Recuperar uma espécie extinta não significa simplesmente encontrar seu material genético e o colocar em um embrião. Os cientistas precisam identificar quais diferenças genéticas estão relacionadas às características que pretendem reproduzir e, depois, investigar se as alterações escolhidas realmente produzem os resultados esperados. É aí que entra a nova plataforma, capaz de combinar morfologia tridimensional, que estuda a forma e a estrutura dos organismos; genômica comparativa, que analisa diferenças e semelhanças entre genomas; e biologia do desenvolvimento, dedicada aos processos que transformam um embrião em um organismo formado. Para construir esse sistema, a equipe reuniu dados sobre os animais evolutivamente mais próximos do dodô, chegando às galinhas, codornas, patos e pombos. Essas informações foram combinadas com dados genéticos e medidas tridimensionais de crânios de mais de 70 espécies de aves. O desenvolvimento da plataforma levou mais de um ano de trabalho e também aproveitou pesquisas que a empresa já vinha realizando em seus projetos de desextinção. Em vez de obrigar os pesquisadores a investigar uma quantidade enorme de diferenças possíveis no DNA, a GenoMorph ajuda a selecionar aquelas que parecem mais relevantes para as características que eles querem estudar. E como a Colossal Biosciences tem apenas um genoma de dodô à disposição para as pesquisas, essa seletividade se torna ainda mais importante. A IA aprendeu quais regiões do DNA ficam ativas no desenvolvimento dos bicos e das estruturas faciais de diferentes espécies de aves, sendo possível prever as alterações genéticos do dodô Colossal Biosciences A partir das análises, a empresa identificou cerca de 2.300 alvos promissores para edição de DNA relacionados à morfologia craniana e facial do dodô. Em outras palavras, são regiões ou alterações genéticas que os pesquisadores consideram merecedoras de investigação para entender como a ave desenvolveu sua aparência. Isso não significa, porém, que a empresa já tenha encontrado a mesma quantidade de modificações capazes de recriar a ave. Os alvos identificados ainda precisam passar por testes de laboratório para que os cientistas verifiquem quais deles realmente influenciam as características desejadas. Essa distinção é importante porque a aparência de um animal não costuma depender de um único gene. Formatos de bicos, dimensões do crânio e outras estruturas físicas podem resultar da interação entre vários genes, além de processos complexos que ocorrem durante o desenvolvimento embrionário. Criador, criatura e IA Além da GenoMorph, foi anunciado o desenvolvimento de um sistema que utiliza nanopartículas lipídicas para transportar ferramentas de edição genética diretamente para embriões de aves em desenvolvimento. Tratam-se de estruturas microscópicas compostas por moléculas de gordura cuja eficácia depende do material transportado e do organismo em que são empregadas. No projeto da Colossal Biosciences, a proposta é permitir que os pesquisadores observem como determinadas alterações genéticas afetam o desenvolvimento de uma ave sem precisar esperar que ela complete todo o ciclo reprodutivo e alcance a maturidade sexual. A estratégia pode ajudar a reduzir o tempo necessário para avaliar as previsões feitas pela GenoMorph. Ainda assim, acelerar os testes não elimina a necessidade de avaliar a segurança das modificações. “Identificar uma possível alteração genética não significa que a introduzimos imediatamente em um animal ou que presumimos que seja segura”, explicou Lamm. Segundo ele, identificar e validar essas alterações com maior precisão permite tomar decisões mais bem fundamentadas durante o processo. Extinto, mas não sozinho A GenoMorph não é a única novidade no projeto de desextinção do dodô. A Colossal Biosciences também anunciou que sua colônia de pombos-de-nicobar (Caloenas nicorabica) chegou a 36 aves e que a equipe conseguiu produzir com sucesso células precursoras capazes de se transformar em óvulos e espermatozoides. Por ser originário da África Oriental, os restos mortais do dodô tiveram a sua degradação acelerada pelo calor e pela umidade da região Colossal Biosciences Mas, é aí que você, leitor da GALILEU, deve estar se perguntando: por que investir em uma espécie de pombo quando o objetivo é recuperar uma ave extinta? Acontece que o pombo-de-nicobar é considerado o parente vivo mais próximo do dodô, fazendo dele um organismo importante para investigar características genéticas e processos biológicos que podem ajudar a reproduzir aspectos da ave desaparecida. Isso não significa que os pombos-de-nicobar se transformarão em dodôs nem garante o nascimento de uma ave com a aparência da espécie extinta. Trata-se de uma etapa de uma estratégia experimental mais ampla, que depende de avanços em genética, desenvolvimento embrionário e reprodução. A iniciativa da Colossal Bosciences representa mais um passo na tentativa de desenvolver ferramentas que tornem a desextinção tecnicamente viável. Mas existe uma diferença fundamental entre identificar alterações genéticas promissoras e conseguir produzir um organismo que reproduza as características de uma espécie extinta. No caso do dodô, os pesquisadores precisam entender quais alterações estão relacionadas à sua aparência, testar essas hipóteses e descobrir como elas podem ser introduzidas e transmitidas de maneira viável. Também será necessário avaliar o desenvolvimento dos animais resultantes, sua saúde e a possibilidade de reprodução. Há, ainda, uma questão conceitual: mesmo que os cientistas consigam produzir uma ave com características físicas semelhantes às do dodô, isso não significa necessariamente que terão recriado a espécie original em todos os seus aspectos genéticos e biológicos. Muita calma nessa hora O caso é semelhante ao que aconteceu com a mesma Colossal Biosciences que, no ano passado, anunciou a "desextinção" do lobo terrível. Como você que lê a GALILEU talvez se lembre, a cientista-chefe da empresa agora admitiu em entrevista que, na verdade, os animais criados em laboratório são só lobos-cinzentos geneticamente modificados (Canis lupus). "É impossível trazer de volta algo que seja idêntico a uma espécie que já existiu. Nossos animais são lobos-cinzentos, com cerca de 20 edições clonadas”, afirmou Beth Shapiro, cientista-chefe do Colossal Biosciences, à revista New Scientist. Apesar da repercussão na imprensa, ela diz que o termo "desextinção" não foi usado pela empresa. “E nós dissemos isso desde o início. Somente coloquialmente nós os chamamos de lobos-terríveis, o que deixou as pessoas irritadas”.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 15/10/2026
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Como ter mais folgas na semana impacta o trabalhador, segundo a ciência
Com a aprovação do fim da escala 6x1 nesta quarta-feira (14), os trabalhadores brasileiros poderão ter dois dias de descanso semanal, sem redução salarial. A proposta foi aprovada pelo Senado em dois turnos, com 75 votos favoráveis e apenas um contrário. Mas, além de mais tempo livre, quais são os benefícios de dois dias de folga por semana para a saúde física e mental de quem trabalha? Um estudo publicado em 2025 na revista científica Buildings identificou que a adoção de uma semana de trabalho de cinco dias pode contribuir para melhorar o bem-estar e a produtividade dos trabalhadores. O estudo ouviu 89 profissionais de cinco projetos de construção na Austrália que passaram a trabalhar nesse modelo. A maioria dos entrevistados relatou perceber ganhos de produtividade, associados a mais descanso, disposição e concentração. Os participantes também destacaram que a mudança favoreceu o planejamento das tarefas e ajudou a reduzir o retrabalho. Segundo os pesquisadores, o tempo adicional de descanso pode compensar eventuais perdas de produção decorrentes da redução de um dia de trabalho. Além disso, a jornada de cinco dias contribuiu para a melhora geral da saúde dos funcionários. "Em particular, os trabalhadores que vivenciaram a jornada de cinco dias semanais relataram ter mais oportunidades de descanso e recuperação, mais tempo para atividades sociais e de lazer e maior liberdade e controle sobre como utilizavam o tempo fora do trabalho, em comparação com o período em que trabalhavam seis dias por semana", escreveram os pesquisadores. Jornadas longas: quais são os impactos? Em junho, uma pesquisa do Instituto Locomotiva apontou que 78% dos brasileiros concordavam que era difícil “descansar de verdade” trabalhando na escala 6x1. O levantamento ouviu 1.030 homens e mulheres com 18 anos ou mais, de todas as regiões do país. Além disso, 71% dos entrevistados afirmaram que esse regime dificultava a manutenção de hábitos saudáveis. Mas trabalhar mais horas por dia para ter mais dias de folga também traz benefícios à saúde? Uma revisão sistemática publicada em 2025 na revista científica International Archives of Occupational and Environmental Health analisou 20 estudos sobre jornadas comprimidas, modelo em que os profissionais concentram as horas de trabalho em menos dias, com expedientes mais longos. Os resultados mostram que os efeitos desse modelo sobre a saúde são incertos. Embora os pesquisadores tenham encontrado evidências de maior satisfação com os horários de trabalho, também identificaram aumento das ausências por motivo de doença. Quando a equipe comparou a jornada comprimida com o trabalho em horário fixo, foram observados principalmente efeitos negativos na saúde. Porém, quando a comparação foi feita com semanas com turnos menores, os efeitos foram mistos e limitados. Isso significa que a redução do número de dias trabalhados não garantiu, por si só, benefícios à saúde. O modelo 4 por 3 Por outro lado, outra pesquisa, publicada em julho na revista Nature Human Behaviour, evidenciou que uma semana de trabalho de 4 dias, sem redução salarial, esteve associada a melhorias significativas no bem-estar dos funcionários. O estudo foi o maior do gênero, envolvendo 2.896 empregados de 141 organizações nos EUA, Reino Unido, Canadá, Irlanda, Austrália e Nova Zelândia. Em comparação com um grupo de controle de 300 trabalhadores em 12 empresas que mantiveram a tradicional semana de trabalho de 5 dias, as empresas que adotaram a semana de 4 dias apresentaram “melhorias no esgotamento profissional, na satisfação no trabalho, na saúde mental e na saúde física”. Além disso, os próprios trabalhadores relataram ganhos em capacidade de trabalho, bem como “redução de problemas de sono e diminuição da fadiga”. O estudo fez com que 90% das empresas participantes decidissem manter suas semanas de trabalho de 4 dias, o que implica que os benefícios de uma semana de trabalho mais curta superavam quaisquer possívdesvantagens ou perdas de produtividade.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 15/10/2026
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Rosto de Homo sapiens mais antigo descoberto até hoje é reconstruído em 3D; fotos
Uma equipe internacional de pesquisadores, que inclui o brasileiro Cicero Moraes, reconstruiu digitalmente o rosto de um dos representantes mais antigos conhecidos do Homo sapiens. Os especialistas criaram duas representações: uma voltada à análise científica e outra destinada a aproximar o público geral da aparência de um ancestral humano pré-histórico. O trabalho, publicado nessa terça-feira (13) na revista Heritage, utilizou imagens, vídeos e ferramentas digitais para reunir partes incompletas do crânio, da mandíbula e dos dentes, encontrados em Jebel Irhoud, no Marrocos, e datados de aproximadamente 315 mil anos. Como não existe um rosto completo preservado, o grupo combinou evidências ósseas com estimativas anatômicas para produzir os seus modelos. Duas versões do mesmo rosto Como lembra a Phys.org, o crânio Irhoud 1 foi originalmente encontrado na década de 1960 por um trabalhador de uma mina em Jebel Irhoud. Após a descoberta, novas escavações revelaram outros restos humanos, inicialmente datados de cerca de 40 mil anos e interpretados como pertencentes a um neandertal africano. Essa avaliação mudou em 2017, quando novas análises estabeleceram que os fósseis tinham aproximadamente 315 mil anos e pertenciam ao Homo sapiens. A revisão fez do sítio arqueológico marroquino uma referência importante para compreender as origens da nossa espécie. Galerias Relacionadas A primeira reconstrução feita a partir desses achados apresenta o rosto em tons de cinza, sem cabelo ou pelos faciais. O objetivo é destacar os contornos e as proporções que podem ser inferidos da estrutura óssea, sem acrescentar elementos cuja aparência não pode ser comprovada. Por sua vez, a segunda versão é colorida e inclui elementos como tonalidade de pele, iluminação, cabelo e barba. A proposta é facilitar a visualização do ancestral como uma pessoa viva, especialmente para quem não tem conhecimentos especializados sobre evolução humana. Os pesquisadores ressaltam que esses detalhes visuais são interpretações artísticas. Vale lembrar que os fósseis não permitem determinar com precisão características como a cor da pele ou dos cabelos. Por isso, esses elementos foram acrescentados com base em referências antropológicas sobre populações antigas do norte da África. De fragmentos a um rosto Para construir o modelo tridimensional, os cientistas utilizaram imagens e vídeos de acesso aberto disponibilizados pelo Instituto Max Planck. O fragmento principal do crânio, identificado como Irhoud 1, foi combinado digitalmente com partes da mandíbula e dentes de outros fósseis encontrados na mesma camada arqueológica. A equipe também recorreu a uma tomografia computadorizada de um crânio humano moderno. Esse tipo de exame produz imagens detalhadas das estruturas internas e permite criar modelos em três dimensões. Com uma técnica chamada deformação anatômica, os pesquisadores ajustaram digitalmente o modelo moderno até que ele correspondesse ao formato dos fósseis antigos. Em seguida, estimaram a espessura dos músculos e de outros tecidos que recobrem os ossos, utilizando dados de populações atuais, incluindo referências de pessoas com ascendência africana. Essas medidas ajudaram a definir características como o nariz e o queixo. A análise também permitiu estimar o volume cerebral do indivíduo em aproximadamente 1.230 cm³, valor dentro da faixa observada em seres humanos modernos. Embora a reconstrução não represente uma reprodução exata da aparência do indivíduo, o modelo oferece uma forma de visualizar características anatômicas de um ancestral que viveu centenas de milhares de anos atrás. Além disso, ao tornar o processo acessível e reproduzível, a técnica também pode ajudar cientistas a investigar outros fósseis cujo estado de conservação impede uma reconstrução convencional.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 15/10/2026
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Florestas submersas há milhares de anos na costa da África se tornam refúgio para espécies
Nas águas rasas do arquipélago de Bazaruto, no oceano Índico Ocidental, pesquisadores identificaram vestígios de florestas que cresceram entre aproximadamente 300 e 5 mil anos atrás na costa de Moçambique, na África, e acabaram submersas. A equipe do Observatório Oceanográfico do Centro de Estudos Científicos de Bazaruto (BCSS) descobriu que essas antigas florestas deram origem a recifes de turfa — ecossistemas que funcionam como refúgios para a biodiversidade marinha, de maneira semelhante aos recifes de coral. A equipe analisou três recifes de turfa e um recife de coral verdadeiro próximo, comparando a cobertura do fundo do mar, invertebrados, peixes pequenos e animais maiores, como tubarões, raias e tartarugas. Os recifes de turfa apresentam ervas marinhas e algas que crescem diretamente sobre a turfa. As fendas e saliências abrigam lagostas, ostras, cracas e peixes juvenis. Cada recife de turfa abrigava de 26 a 36 espécies de peixes pequenos, com uma diversidade de espécies comparável à dos recifes de coral. Os pesquisadores chegaram a avistar neles até espécies maiores como tubarões, raias e tartarugas. “Ficamos surpresos com a quantidade de vida que esses antigos depósitos de turfa sustentam e com a quantidade de espécies que transitam entre eles e os recifes de coral próximos", afirma em comunicado Mario Lebrato, autor principal e cofundador do BCSS. "Esta costa tem muito pouco fundo marinho rígido natural, sendo composto principalmente de areia movediça. Quando a elevação do nível do mar expõe essas antigas camadas de turfa, elas criam um habitat sólido e raro onde a vida marinha pode se fixar, se esconder e se alimentar." Os resultados foram publicados em 30 de setembro em dois artigos na revista Frontiers in Marine Science. Além de revelar um ecossistema marinho pouco conhecido, a descoberta sugere que outros recifes de turfa ainda não identificados podem estar escondidos em regiões costeiras ao redor do mundo. Acredita-se que este seja o primeiro estudo ecológico de recifes de turfa em qualquer região tropical e, globalmente, sob a perspectiva da biodiversidade. A investigação foi conduzida em parceria com instituições de pesquisa do Reino Unido, Estados Unidos e Canadá. A formação das florestas Os recifes de turfa são restos compactados e ricos em carbono de pântanos e florestas costeiras. Essas paisagens foram inundadas pela elevação do nível do mar nos últimos milhares de anos. As ondas removeram a areia que as cobria, deixando plataformas firmes de turfa expostas no fundo do mar. O substrato foi então colonizado por vida marinha. Os pântanos de turfa podem armazenar de 1.000 a 2.000 toneladas de carbono por hectare no subsolo, mas ainda não se sabe quanto carbono os recifes armazenam, ou se estão armazenando ou liberando esse carbono atualmente. Recifes de turfa expostos pelas marés Observatório Oceanográfico do Centro de Estudos Científicos de Bazaruto (BCSS) Os recifes de turfa ficam a apenas 2 a 4 metros de profundidade, regularmente expostos pelas marés. Sua temperatura varia entre 24,5 e 28,6 °C ao longo do dia e recebem muito mais luz solar do que os recifes de coral mais profundos. Tempestades e ciclones os soterraram, desenterraram e fragmentaram com frequência. Muitos deles chegam a desaparecer devido à erosão e aos movimentos da areia. A idade da turfa foi estimada pelos pesquisadores com datação por radiocarbono e análises químicas confirmam que ela se originou principalmente de plantas e árvores costeiras. Algumas amostras chegam a ter até 40% de carbono orgânico em peso seco. No entanto, mais pesquisas ainda são necessárias para saber se esses sistemas podem funcionar como um reservatório de carbono a longo prazo. Os cientistas ainda estão incertos se podem classificar os recifes de turfa como habitats de “carbono azul”. Esse tipo de carbono é aquele comumente capturado e armazenado por ecossistemas costeiros e marinhos, como em manguezais ou pradarias marinhas. Comparação visual de habitats de recifes de turfa e recifes de coral. Google Earth (Imagens ©2023 Maxar Technologies) e ESRI (contribuidores: Maxar, Earthstar Geographics, CNES/Airbus DS, USDA, USGS, AeroGRID, IGN e a Comunidade de Usuários de SIG). Estabelecido no Arquipélago de Bazaruto, em Moçambique, em 2017, o BCSS é o primeiro observatório oceanográfico permanente da África e gerou mais de 22 milhões de medições em mais de 30 variáveis ​​químicas, ambientais e de biodiversidade, abrangendo seis ecossistemas interconectados e 14 estações de monitoramento de longo prazo em uma área de monitoramento de aproximadamente 6.850 km². Especialistas costeiros e ambientalistas raramente mapeiam ou protegem recifes de turfa, e habitats semelhantes podem permanecer desconhecidos no sudeste asiático, Caribe e África ocidental. Com o declínio dos recifes de coral, esses habitats negligenciados podem oferecer refúgios alternativos para algumas espécies. Os resultados indicam que os recifes de turfa devem ser incluídos nos mapas de habitats costeiros, nos planos de conservação e nas avaliações do legado de carbono costeiro. “A sua contribuição para a biodiversidade, para o habitat da pesca e para a potencial preservação do carbono como legado deve ser reconhecida nas estratégias de gestão e conservação costeira, particularmente em regiões onde a saúde dos recifes de coral está a diminuir", considera Lebrato.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 15/10/2026
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Qual foi o fim da lendária aviadora Amelia Earhart? Pesquisadores vão até ilha para investigar
Uma expedição formada por pesquisadores da Universidade Purdue e do Instituto do Legado Arqueológico chegou na última segunda-feira (12) à ilha desabitada de Nikumaroro, no oceano Pacífico Sul, para investigar uma formação que pode corresponder aos destroços do avião Lockheed Electra 10-E, pilotado por Amelia Earhart. A aviadora desapareceu em julho de 1937, durante uma tentativa de dar a volta ao mundo, e, desde então, o seu caso continua sem uma solução definitiva. O grupo pretende examinar o chamado Objeto Taraia, identificado em imagens de satélite próximas à costa da ilha, que pertence a Kiribati. Para tanto, a equipe reúne 17 pesquisadores e conta com o apoio de outros 17 tripulantes do barco Marin Mainiku. Os trabalhos de campo devem durar cinco dias, dependendo das condições do mar e das marés. “É incrivelmente gratificante estarmos tão perto de concluir nossa inspeção do Objeto Taraia e, potencialmente, desvendar, finalmente, o mistério do desaparecimento de Amelia Earhart e Fred Noonan há mais de 89 anos”, afirma Rick Pettigrew, diretor-executivo do Instituto do Legado Arqueológico e líder da expedição, em comunicado à imprensa. Como será a investigação Os pesquisadores começarão examinando a superfície da península de Taraia em busca de objetos que possam ajudar a esclarecer a origem da formação. Depois, utilizarão equipamentos para investigar o fundo da lagoa próxima à costa. Entre os instrumentos previstos está o magnetômetro, aparelho que detecta alterações no campo magnético provocadas por determinados metais. A equipe também empregará sonar, tecnologia que utiliza ondas sonoras para localizar objetos submersos ou encobertos por sedimentos. Qual o fim da lendária piloto Amelia Earhart? Pesquisadores irão a ilha para investigar Caso os resultados iniciais sejam promissores, uma draga hidráulica será usada para remover parte do material acumulado e permitir a inspeção visual. Estimativas baseadas em fotografias aéreas indicam que o objeto estaria a cerca de três metros da margem, em águas rasas. A confirmação, porém, depende da identificação de características específicas da aeronave, como o formato das peças, o tipo de metal e os padrões de rebites usados para unir partes da estrutura. Por que a ilha é importante Earhart ganhou projeção internacional em 1932, quando se tornou a primeira mulher a atravessar sozinha o oceano Atlântico de avião. Cinco anos depois, partiu com o navegador Fred Noonan para tentar dar a volta ao mundo pela Linha do Equador. Amelia Earhart na lateral de seu Lockheed Vega 5B, durante seu voo solo sobre o Atlântico Purdue University Libraries, Archives and Special Collections, George Palmer Putnam Collection of Amelia Earhart Papers and the Amelia Earhart at Purdue collection Em 2 de julho de 1937, os dois decolaram da Nova Guiné com destino à ilha Howland, onde deveriam reabastecer. A dupla não chegou ao local. Apesar de um navio da Guarda Costeira dos Estados Unidos ter captado transmissões de rádio da aviadora durante as buscas, nenhum dos dois foi encontrado. Uma das últimas mensagens de Earhart indicava que ela seguia uma linha de navegação no sentido norte-sul para tentar encontrar terra firme antes que o combustível acabasse. Essa rota passava por Nikumaroro, situada a cerca de 640 km a sudeste de Howland. Amelia Earhart com o motor Pratt & Whitney R1340-S3H1 e a hélice Hamilton Standard Purdue University Libraries, Archives and Special Collections, George Palmer Putnam Collection of Amelia Earhart Papers and the Amelia Earhart at Purdue collection A possibilidade de que a aviadora tenha chegado à ilha é investigada desde o fim da década de 1980. Pesquisadores encontraram fragmentos de alumínio e acrílico, além de objetos como um zíper e partes de um canivete. Restos humanos descobertos na região em 1940 também chegaram a ser considerados como possivelmente relacionados ao desaparecimento, mas os ossos foram perdidos durante a Segunda Guerra Mundial. Por isso, até hoje, nenhum desses achados foi comprovadamente ligado ao último voo de Earhart. Especialistas discordam sobre a pista A hipótese investigada pela expedição ganhou força após um ciclone tropical atingir a região em 2015 e alterar características da ilha e de sua lagoa. Imagens de satélite feitas nos anos seguintes revelaram uma formação que, segundo Rick Pettigrew e sua equipe, tem dimensões compatíveis com partes do avião de Earhart e pode estar parcialmente soterrada por sedimentos. Essa interpretação, porém, é contestada por Ric Gillespie, diretor-executivo do Grupo Internacional para a Recuperação de Aeronaves Históricas (TIGHAR), ouvido pelo jornal Deutsche Welle. Embora também acredite que a aviadora tenha chegado a Nikumaroro, Gillespie considera improvável que a formação seja parte do avião. Para ele, a imagem mostra uma planta arrancada pela tempestade e carregada pela água até a ilha. Ele ressalta ainda que buscas realizadas na mesma área, em 2001 e 2007, com detectores de metais não encontraram vestígios relevantes. A nova expedição poderá esclarecer a origem da formação. Para confirmar que se trata dos destroços do Lockheed Electra, os pesquisadores precisarão encontrar características específicas da aeronave. Quase nove décadas após o desaparecimento, uma identificação conclusiva representaria um avanço importante para desvendar o destino de Earhart e de seu navegador, Noonan.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 15/10/2026
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Vacina brasileira contra malária vivax recebe aval para testes em humanos
Uma vacina brasileira contra a malária vivax, tipo mais comum da doença no país e que não tem imunizante disponível no mundo, recebeu aval para ser testada em humanos. Chamada Vivaxin, a formulação entra agora em estudos clínicos de fase 1, que vão avaliar a segurança, possíveis reações à aplicação e a capacidade de estimular a produção de anticorpos, ou seja, a resposta imunológica. O protocolo prevê a participação de 48 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos, sem infecção prévia por malária. A seleção começa em novembro. Serão avaliados grupos que receberão a vacina e placebo (formulação sem o princípio ativo), em um esquema de três aplicações, com intervalo de 28 dias entre elas. Os voluntários serão acompanhados durante um ano. O aval foi concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na resolução nº 3.956, publicada no Diário Oficial da União em 7 de outubro. Desenvolvido na Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e a indústria farmacêutica Cristália, o imunizante já havia passado por testes de boas práticas de laboratório e de fabricação, além de ter sua capacidade de imunização comprovada em animais. Os pesquisadores – que receberam financiamento da FAPESP, da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e dos ministérios da Saúde e da Ciência, Tecnologia e Inovação – já solicitaram a patente no Brasil e no exterior. Se a fase 1 demonstrar a segurança, a vacina seguirá para as etapas 2 e 3 dos testes clínicos, realizadas com um número maior de voluntários – a previsão é de que participem cerca de 300 pessoas no Brasil, principalmente na Amazônia, e de que o estudo envolva outros países posteriormente. O monitoramento da eficácia do imunizante também segue nas outras fases. Somente ao final de todo esse processo, sem prazo para conclusão, será feito o pedido de registro na Anvisa para a produção em larga escala e comercialização. “Essa é uma vacina inédita no mundo. Foi toda concebida no Brasil. Na Anvisa, levamos quase um ano e meio para obter o aval da fase 1. Depois de todas as etapas concluídas, será um avanço para o mundo”, diz à Agência FAPESP a professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP Irene Soares, uma das coordenadoras do trabalho, juntamente com o professor Ricardo Gazzinelli, diretor do CTVacinas. Para Gazzinelli, desenvolver esse tipo de imunizante representa uma oportunidade não só de reduzir os impactos da doença sobre os sistemas de saúde, como também de contribuir com a melhoria da rotina das populações expostas, geralmente vulneráveis. “Essa vacina pode ter um papel extremamente importante para eliminar a malária do nosso território e contribuir para o controle da doença na América Latina. Como as pessoas doentes não podem trabalhar, o impacto socioeconômico é relevante”, disse o diretor, em comunicado à imprensa. Cenário epidemiológico Doença infecciosa transmitida a humanos pela picada de fêmeas do mosquito Anopheles, a malária é causada pelo parasita do gênero Plasmodium. Duas espécies do parasita são as maiores ameaças no mundo: P. vivax, predominante no Brasil e nas Américas, e P. falciparum, com mais casos em países da África e a única com vacina. Apesar dos avanços no tratamento, relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2025 aponta que foram registrados 282 milhões de casos em 80 países com transmissão local (endêmica). Do total, 9,9 milhões foram de P. vivax. Nas Américas, a espécie respondeu por 63% dos registros. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, foram 118.037 casos contraídos em território nacional em 2025, o que representa 15% menos do que no ano anterior. Mais de 95% estão concentrados na região amazônica, onde o enfrentamento da doença também envolve desafios de acesso ao diagnóstico, ao tratamento e às ações de prevenção. O Brasil tem a meta de interromper a transmissão local da doença até 2035. Entre os sintomas mais comuns da malária estão febre alta, cansaço, enjoo, suor excessivo, dores de cabeça e no corpo. A forma grave da doença pode causar anemia e comprometer órgãos como fígado e baço. O tratamento é feito com medicamentos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Tecnologia da vacina Diferentemente do P. falciparum, o P. vivax tem uma proteína, chamada PvCSP (proteína circunsporozoíta), que possui três variantes (VK210, VK247 e P. vivax-like). A PvCSP é mais abundante na superfície dos esporozoítos, que são a forma alongada do parasita. Presentes na glândula salivar do mosquito transmissor, os esporozoítos, após serem depositados na pele, chegam ao fígado e podem infectar o organismo humano. Por isso, após anos de estudos, os pesquisadores usaram a PvCSP como proteína-alvo. Conseguiram desenvolver artificialmente uma molécula a partir da união das três diferentes variantes, chamada “proteína quimérica recombinante PvCSP-All epitopes”, que é usada na vacina Vivaxin e busca proteger contra as três formas do parasita. Essa substância ativa é então liofilizada, ou seja, transformada em pó para garantir a estabilidade. Antes da aplicação, é misturada com o adjuvante (CTVad3) – um composto capaz de potencializar a resposta imunológica. No organismo, o imunizante funciona como uma espécie de “apresentação” da proteína do parasita ao sistema imune, estimulando a produção de anticorpos capazes de reconhecer o parasita em uma futura infecção. O objetivo é impedir que o P. vivax invada as células do fígado, onde se multiplica antes de alcançar os glóbulos vermelhos e provocar os sintomas da malária. Em estudos pré-clínicos conduzidos em camundongos e primatas, a proteína, associada ao adjuvante CTVad3, mostrou-se segura, altamente imunogênica e capaz de induzir 100% de proteção. Soares conta que já tem um projeto aprovado pela FAPESP com o objetivo de acompanhar os dados imunológicos gerados pelos voluntários no ensaio clínico da vacina. A proposta é aplicar abordagens computacionais e de bioinformática para analisar a imunidade gerada, além de buscar desenvolver anticorpos que possam ser usados tanto na prevenção quanto no tratamento da malária vivax. Além da Vivaxin, Soares vem trabalhando em parceria com a professora Santuza Teixeira, coordenadora do Centro de Competência em Terapia e Vacinas de RNA, ligado ao CTVacinas, em outro imunizante contra a malária vivax baseado em RNA mensageiro (mRNA). Essa tecnologia utiliza parte da sequência genética do agente infeccioso para “ensinar” o organismo a se defender. Esse tipo de vacina funciona introduzindo um fragmento de mRNA que corresponde a uma proteína do “invasor-alvo”. O sistema imune detecta a proteína “estranha” e desencadeia a produção de anticorpos. O mRNA serve para transportar as instruções necessárias e depois é degradado pelo organismo. Esses estudos ainda estão na fase de testes em animais. Histórico A iniciativa de desenvolver uma vacina contra o P. vivax partiu de um grupo de pesquisadores do Centro de Terapia Celular e Molecular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da FCF-USP no início dos anos 2010, com o apoio da FAPESP e a colaboração de uma equipe internacional, com pesquisadores da Universidade de Nova York (Estados Unidos) e do Instituto Pasteur (França), entre outros. Depois da seleção do antígeno e de testes de prova de conceito, fortaleceu-se a parceria com o CTVacinas, que, entre outras atribuições, é responsável pelo adjuvante e pelo controle de qualidade do produto final. O laboratório Cristália está produzindo os lotes que serão usados nos testes. Este artigo foi publicado originalmente pela Agência FAPESP
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 15/10/2026
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Homem compra caixa com granadas funcionais da 2ª Guerra em leilão nos EUA
Um homem encontrou seis granadas da época da Segunda Guerra Mundial em uma caixa comprada em um leilão de bens de uma propriedade em Austin, no Texas, nos Estados Unidos. Os artefatos estavam ativos e continham material explosivo, o que significa que eles poderiam detonar, aponta as autoridades locais. Segundo a ABC News, um esquadrão antibombas da polícia foi acionado na terça-feira (13), por volta das 16h, logo após o comprador perceber a presença dos objetos entre os itens adquiridos. A equipe examinou as granadas com o auxílio de imagens de raios X e concluiu que elas não representavam uma ameaça imediata. Apesar disso, os profissionais conduziram a retira dos dispositivos com cuidado para manter a segurança nos arredores. Até o momento, não houve acusações criminais relacionadas ao caso, e a polícia informou que tampouco há uma investigação em andamento. Isolamento da área De acordo com a Associação de Polícia de Austin, os agentes que atenderam inicialmente à ocorrência isolaram o local, estabeleceram um perímetro de segurança e protegeram os moradores das proximidades enquanto aguardavam a atuação dos especialistas. “Manusear explosivos de 80 anos com estabilidade desconhecida é um trabalho perigoso e preciso, e nossa equipe o faz com o profissionalismo com que esta cidade conta”, escreveu a corporação, em publicação nas redes sociais. Após a avaliação, as seis granadas foram apreendidas e removidas com segurança. As autoridades, no entanto, não esclareceram por que os antigos proprietários do imóvel guardavam os artefatos nem como eles foram parar entre os objetos colocados à venda. A polícia informou que ainda não se sabe por que os vendedores do imóvel estavam de posse das granadas ou por que estavam vendendo a caixa que as continha Reprodução/Instagram (@austinpoliceassociation) Riscos de munições antigas O caso levou as autoridades a reforçarem o alerta sobre os perigos de encontrar objetos militares antigos. Segundo a Associação de Polícia de Austin, qualquer pessoa que se depare com uma granada, um projétil ou uma munição de morteiro deve evitar tocar ou mover o objeto e acionar imediatamente os serviços de emergência. Mesmo quando parecem enferrujados, danificados ou sem condições de funcionamento, esses materiais podem conservar componentes explosivos. A idade, por si só, não garante que um artefato seja inofensivo. Por isso, a avaliação e a remoção devem ficar a cargo de profissionais treinados, lembra a CBS.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 14/10/2026
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Nova tinta de tatuagem liga e desliga suas cores de acordo com a luz
Cientistas da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, inventaram o PhotoTat, um sistema de tintas para tatuagem cujas cores aparecem e desaparecem em resposta à luz. A ideia pode evitar as dolorosas sessões de remoção de tatuagem em pessoas que já não gostam mais da aparência dos desenhos que carregam na pele, já que é possível criar novos desenhos, traços e cores para as tatuagens já existentes. “O que me empolga é essa possibilidade de uma única tatuagem ser quantas tatuagens você puder imaginar”, disse Carson Bruns, pesquisador da Universidade do Colorado envolvido no estudo, em comunicado. Um artigo que descreve a tecnologia foi publicado em 9 de outubro na revista científica Matter&Light. Antes de entender o que torna a tal PhotoTat especial, você precisa saber que essas novas tintas “têm a mesma aparência e textura de uma tinta de tatuagem normal”, como explica Bruns. As diferenças, porém, estão na forma como elas interagem com a luz: ao iluminar as tatus tecnológicas por um tempo entre dois a três segundos usando luz ultravioleta ou visível intensa, é possível ativar ou desativar os pigmentos delas. Isso significa fazer um desenho sumir, como você vê na foto acima. Como a tecnologia funciona Lembra que a cor branca é um conjunto de todas as cores do arco-íris? Se a sua resposta foi não, aqui vai uma dica: mentalize o álbum The Dark Side of the Moon (1973), do Pink Floyd. Na capa do álbum, um feixe de luz branca incide em um prisma (um triângulo bidimensional, o da capa) e o que “sai” do outro lado são, justamente, todas as cores do arco-íris. Apenas essa imagem já te exemplifica dois fenômenos físicos: a refração e a dispersão da luz. Nas entrelinhas desses processos, há outra coisa curiosa que chamamos de “comprimentos de onda de luz”, isto é, a distância (que costuma ser ridiculamente pequena) entre dois pontos consecutivos de um mesmo feixe de luz. Cada cor tem uma medida diferente, e é aqui que a “magia” acontece. As três cores primárias são compostas por corantes fotocrômicos, palavra bonita para dizer que eles são sensíveis à luz. Essa sensibilidade, por sua vez, é o que explica o “ligar” e o “desligar” das tatuagens feitas com as tintas da PhotoTat, atrelado, claro, às exposições à comprimentos de ondas distintos. A tecnologia também pode ser combinada com tinta de tatuagem convencional Matter&Light Para fazer a tinta da nova tatuagem tecnológica, os pesquisadores escolheram corantes ativados por luz de 365 nm, por ser uma tecnologia amplamente disponível em diodos emissores de luz (LEDs). Além disso, essa luz está na extremidade de menor energia do espectro ultravioleta, uma consideração importante para minimizar os danos à pele inerentes a uma tatuagem, tanto que elas não são ativadas se estiverem cobertas com protetor solar. Sabendo os comprimentos dos corantes utilizados como básicos, a equipe de cientistas partiu para outros testes. Quando colocadas sob a luz branca, por exemplo, as cores primárias foram desativadas juntas. Então, a equipe de cientistas passou a analisar as ativações e desativações de forma mais seletiva, ou seja, com luzes coloridas. Paras essas demonstrações, as tatuagens foram feitas em um braço de silicone e um projetor a laser foi apontado às marcas. Essa característica é o que tornou a PhotoTat atraente para pessoas que desejam tatuagens, mas hesitam quanto à sua permanência, bem como para pessoas que amam suas tatuagens, mas ocasionalmente precisam escondê-las por causa do trabalho, relações sociais ou família. Era das tatuagens fotocrômicas Tintas para tatuagem que mudam de cor não são uma novidade no mercado. Embora Bruns tenha afirmado que a sua principal motivação para estudá-las seja desenvolver uma tecnologia em prol da autoexpressão individual, essas substâncias foram inicialmente desenvolvidas para aplicações biomédicas. Segundo o pesquisador, a primeira tentativa de aperfeiçoamento dessa tecnologia chegou ao mercado sob o nome de Magic Ink. O problema, porém, é que apenas uma cor era oferecida, algo muito diferente das cores primárias – magenta, amarelo e azul –, e que ainda podem ser misturadas entre si, do PhotoTat. Ainda assim, a comercialização dessas tintas não está totalmente disponível. Bruns compartilhou que há detalhes que precisam ser aperfeiçoados. Entre as mudanças, ele destacou a adequação do corante azul, que não é um ciano puro e, logo, apresenta uma gama de tonalidades diferentes com o tempo. “Precisamos de um ciano com alta resistência à fadiga antes mesmo de eu estar pronto para submetê-lo a todos os testes necessários”. Até o momento, a tinta roxa foi a única aprovada para venda. O valor ainda é salgado: US$ 100 (cerca de R$ 500) por um frasco pequeno. Custo esse que, a propósito, é outro desafio que a equipe deseja superar por meio de mais pesquisas e desenvolvimento da tecnologia. A tecnologia PhotoTat não foi testada apenas nos braços de silicone, mas também na pele do próprio pesquisador. Ele decidiu tatuar uma série de escamas de peixe em suas pernas, com diferentes formações de tinta em cada uma. Gravadas já há dois anos, Bruns contou estar feliz com a sua arte. “Adoro essas tatuagens mais do que as dezenas que fiz com profissionais, porque elas são minha própria arte e também meu caderno de anotações”. Você pode ver o resultado dos testes na foto abaixo: Bruns e sua equipe descobriram que todos os três canais do PhotoTat permaneceram alternáveis ​​na pele por um período entre 1,4 e 2,2 anos Matter&Light A sensibilidade à luz também fez com que os pesquisadores precisassem pensar em como evitar que a tinta estragasse antes mesmo de ser utilizada. Daí surgiram as cápsulas em nanopartículas de polimetilmetacrilato (PMMA). Trata-se de um plástico semelhante ao vidro, de grau médico, já utilizado em implantes médicos e preenchimentos dérmicos. Os pigmentos também poderão ser utilizados para outros fins que não apenas estéticos. Pacientes submetidos à radioterapia, por exemplo, às vezes recebem tatuagens permanentes que ajudam os médicos a alinhar com precisão os feixes de radiação. Embora úteis, essas marcas permanecem após o tratamento, lembrando o paciente de sua experiência. Essas tatuagens tornariam essas marcas invisíveis, caso o paciente desejasse. Em outros cenários médicos, como cirurgias, elas também poderiam ser utilizadas, permitindo que cirurgiões fizessem marcações. Há, ainda, uma tatuagem do tipo dosímetro – destinada à astronautas e engenheiros nucleares –, que mede a quantidade de radiação ultravioleta à qual uma pessoa é exposta. Já outra é capaz de mudar de cor quando exposta à radiação gama perigosa.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 14/10/2026
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Por que o excesso de açúcar pode estar tornando você deprimido, segundo este estudo
Para muitas pessoas, humor e fome andam lado-a-lado. Um delivery para comemorar as conquistas, a falta de apetite para as insatisfações e, não poderia faltar, um docinho para melhorar os momentos tristes. O problema, porém, é quando essa união entre açúcar e sentimentos reverbera em outras regiões do corpo, como o pâncreas, o fígado e até mesmo o cérebro. Durante décadas, psiquiatras buscaram explicar a depressão a partir da deficiência dos neurotransmissores e de que os antidepressivos funcionariam, em partes, ao aumentar sua disponibilidade no cérebro. Mas essa explicação não dá conta de todos os casos. Por isso, os cientistas passaram a investigar outros mecanismos que podem estar envolvidos no transtorno, entre eles a maneira como o organismo controla o açúcar presente no sangue. Pode parecer estranho relacionar o funcionamento do cérebro à quantidade de açúcar circulando pelo organismo, mas basta observar o gasto de energia deste órgão para entender o motivo pelo qual os pesquisadores estão interessados nessa conexão. Embora represente cerca de 2% do peso corporal, o cérebro consome aproximadamente 20% da energia utilizada pelo organismo. Energia essa que provém, em sua maioria, da glicose. Para que essa energia chegue às células, o corpo conta com a insulina, hormônio produzido pelo pâncreas que regula a entrada da glicose em diferentes tecidos. Quando esse mecanismo não funciona, porém, o corpo precisa fazer um esforço maior para manter o controle da glicemia. Com o tempo, essa dificuldade pode favorecer o desenvolvimento do diabetes tipo 2. A alimentação também participa desse processo. Refeições ricas em carboidratos refinados e açúcares podem provocar elevações rápidas da glicemia, seguidas por uma redução dos níveis de glicose. A resposta varia conforme a composição da refeição, a quantidade consumida e as características de cada pessoa. Quando alterações no controle da glicose persistem, entretanto, elas podem estar relacionadas a problemas metabólicos que vão além do diabetes. A depressão, o transtorno bipolar, a esquizofrenia e o transtorno da compulsão alimentar compartilham problemas semelhantes, incluindo a má utilização da glicose pelo cérebro NH Image Gallery/Flickr Acontece que, quando as alterações no controle da glicose persistem, outros problemas parecidos – e as questões de saúde mental – entram em jogo. Até porque, se o cérebro depende de um fornecimento contínuo de energia para funcionar, alterações no metabolismo podem estar relacionadas ao seu desempenho. Isso não significa que uma oscilação do açúcar no sangue provoque depressão, mas levanta dúvidas se há uma relação entre com o controle glicêmico. Nada se cria Estudos anteriores já indicavam que pessoas com diabetes apresentam quase o dobro da probabilidade de desenvolver depressão em comparação com aquelas que não têm a doença. A dúvida, por outro lado, é como essas duas condições se relacionam, já que não somente alterações metabólicas podem influenciar a saúde mental, mas também a própria depressão pode afetar hábitos alimentares, atividade física e outros fatores do metabolismo. Então, em 2021, uma equipe de cientistas investigou essa relação. Eles acompanharam 601 adultos no decorrer de nove anos e, no final, os resultados indicaram que participantes com sinais de resistência à insulina tinham maior probabilidade de desenvolver o transtorno. O que chamou a atenção é que os participantes não apresentavam depressão no início da pesquisa. Isso quer dizer que as alterações metabólicas identificadas estavam presentes antes do surgimento dos novos casos, reforçando a hipótese de que dificuldades no controle da glicose possam funcionar como um fator de risco para o transtorno. A alimentação também apareceu como uma peça dessa relação. Em um estudo de 2015, que acompanhou quase 70 mil mulheres, aquelas que consumiam dietas com alto índice glicêmico apresentaram maior probabilidade de desenvolver depressão. Em contrapartida, o consumo de mais fibras, grãos integrais, frutas e vegetais esteve associado a uma menor probabilidade de desenvolver o quadro mental. Mas isso não significa que comer açúcar deixa alguém mais feliz por alguns instantes e, depois, provoca uma queda no humor. Uma revisão de 31 estudos, feita em 2026, investigou os efeitos do consumo de açúcar sobre o estado emocional e não encontrou evidências de melhora do humor após a ingestão. Na verdade, cerca de uma hora depois, os participantes apresentavam maior cansaço e menor estado de alerta. Os alimentos ultraprocessados também estão no centro dessa discussão. A verdade é que o problema não está em um ingrediente isolado, mas no conjunto de características desses produtos. Quando consumidos com frequência em substituição a alimentos in natura ou minimamente processados, eles podem contribuir para uma dieta de pior qualidade e estar associados a alterações metabólicas. Os números chamam a atenção, mas precisam ser interpretados com cautela. Estudos observacionais conseguem identificar associações entre hábitos alimentares e condições de saúde, mas não demonstram, sozinhos, que um fator seja responsável pelo outro. Aspectos como renda, condições de vida, sono, atividade física e acesso à saúde também podem influenciar os resultados. Além disso, a relação pode funcionar nos dois sentidos. Uma pessoa com depressão pode apresentar mudanças no apetite, na disposição para cozinhar e nas escolhas alimentares. Por isso, embora o consumo frequente de ultraprocessados esteja associado a uma maior probabilidade de depressão, ainda é necessário investigar quais mecanismos explicam essa relação e em que medida eles contribuem para o desenvolvimento do transtorno.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 14/10/2026
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Fóssil de cobra gigante descoberto na China é um dos maiores da história
Se encontrar uma cobra já é motivo de susto para muita gente, imagine dar de cara com uma serpente de mais de 15 metros de comprimento? Há cerca de 47 milhões de anos, um réptil com essas proporções habitava o território onde hoje fica a Índia e pode ter sido uma das maiores cobras que já existiram. Batizada Vasuki indicus, a espécie foi identificada a partir de fósseis encontrados no estado de Gujarat, no oeste indiano. Segundo um estudo publicado em 2024 na revista Scientific Reports, o animal poderia medir entre 10,9 e 15,2 metros de comprimento, colocando-o entre as maiores serpentes já conhecidas. A descoberta foi realizada pelos paleontólogos Debajit Datta e Sunil Bajpai, do Instituto Indiano de Tecnologia de Roorkee, que analisaram 27 vértebras fossilizadas recuperadas da Mina de Lignito de Panandhro na região de Kutch. Muitas delas estavam bem preservadas, e algumas permaneciam conectadas em sua posição original. O nome Vasuki indicus faz referência a Vasuki, uma serpente da mitologia hindu associada ao deus Shiva, frequentemente representado com o animal enrolado em seu pescoço. Já o termo "indicus" remete à Índia, país onde os fósseis foram encontrados. Um rival para Titanoboa? Embora os pesquisadores não tenham encontrado um esqueleto completo, as vértebras preservadas forneceram pistas sobre as dimensões da serpente. Os ossos mediam entre 37,5 e 62,7 milímetros de comprimento e entre 62,4 e 111,4 milímetros de largura, indicando que o animal possuía um corpo grosso e cilíndrico. Para estimar seu tamanho, os cientistas compararam os fósseis com vértebras de cobras atuais cujos comprimentos são conhecidos. Dois métodos diferentes produziram estimativas de 10,9 a 12,2 metros e de 14,5 e 15,2 metros. Essas dimensões colocam a Vasuki indicus lado a lado com a Titanoboa, serpente pré-histórica que viveu há aproximadamente 60 milhões de anos no território da atual Colômbia e que poderia atingir cerca de 13 metros de comprimento. No entanto, os pesquisadores ressaltam que as estimativas apresentam incertezas, especialmente porque foram calculadas a partir de uma coluna vertebral incompleta. Assim, ainda não é possível afirmar se a espécie indiana realmente superava a Titanoboa em tamanho. Uma predadora gigante, mas pouco veloz Apesar das proporções impressionantes, a Vasuki indicus provavelmente não era uma caçadora muito rápida. Segundo os pesquisadores, seu corpo volumoso e a estrutura das vértebras indicam que ela se movimentava lentamente e poderia utilizar estratégias de emboscada para capturar suas presas. Seu comportamento talvez fosse semelhante ao de sucuris e grandes pítons atuais, que utilizam a força muscular para imobilizar suas vítimas por constrição, apertando seus corpos até comprometer a circulação sanguínea. Como aponta este comunicado, os fósseis também sugerem que a serpente poderia passar boa parte do tempo em terra firme ou em ambientes pantanosos e de águas rasas. A região onde seus restos foram encontrados abrigava áreas úmidas que poderiam oferecer condições favoráveis para esse tipo de predador. Ainda assim, a alimentação e os hábitos de caça da espécie permanecem incertos, já que os fósseis disponíveis não permitem reconstruir esses comportamentos com precisão. O clima pode explicar seu tamanho? Durante o Eoceno Médio, período em que a Vasuki indicus viveu, a região apresentava condições tropicais, com temperaturas médias estimadas em aproximadamente 28°C. Como as serpentes são animais ectotérmicos, ou seja, dependem de fontes externas de calor para regular a temperatura corporal, ambientes quentes podem favorecer sua atividade, digestão e crescimento. Isso poderia ajudar a explicar por que algumas cobras pré-históricas alcançaram dimensões tão impressionantes. Entretanto, os pesquisadores destacam que a temperatura não é o único fator envolvido. A disponibilidade de alimento, as características do habitat e a história evolutiva também influenciam o tamanho desses animais. A Vasuki indicus pertencia à família extinta Madtsoiidae, cujos representantes habitaram diferentes regiões do planeta durante aproximadamente 100 milhões de anos, incluindo Índia, África, Europa, América do Sul e Austrália. As relações evolutivas identificadas pelos cientistas sugerem que uma linhagem dessas serpentes gigantes pode ter surgido no subcontinente indiano antes de se espalhar para outras regiões, incluindo partes da Eurásia e da África. Pesquisas posteriores também ajudaram a ampliar o conhecimento sobre esse passado. Em um estudo publicado em 2025 no Journal of Paleontology, Datta e Bajpai descreveram outros fósseis de serpentes encontrados no oeste da Índia, revelando que a região abrigava uma comunidade diversificada desses répteis, incluindo espécies aquáticas e outros representantes da família Madtsoiidae. Embora o tamanho exato, a aparência e o comportamento da Vasuki indicus ainda sejam desconhecidos, seus fósseis oferecem pistas sobre um período em que serpentes gigantes ocupavam os ambientes tropicais da Índia, ajudando os cientistas a compreender melhor a evolução desses animais ao longo de milhões de anos.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 14/10/2026
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Pintura de Van Gogh que não era exposta há 60 anos deve bater valor recorde em leilão
Pintada em maio de 1890, a tela Châtaigniers en fleurs (“Castanheiros em flor”), de Vincent van Gogh, não é exibida publicamente há mais de seis décadas. Agora, a obra está prestes a voltar aos holofotes: será leiloada em Nova York, nos Estados Unidos, em 18 de novembro. A pintura tem valor estimado em US$ 180 milhões — cerca de R$ 906,1 milhões. Caso alcance esse montante, poderá estabelecer um novo recorde em leilões para uma obra do artista holandês. Não é para pouco: a tela está entre as criações mais importantes do período final da vida de Van Gogh, que morreu aos 37 anos, cerca de dois meses depois de pintá-la, na vila francesa de Auvers-sur-Oise. Na terça-feira (13), centenas de pessoas formaram filas em Hong Kong para ver a obra, informou a agência de notícias Reuters. “Nunca tinha ouvido falar dessa pintura, então queria vê-la com meus próprios olhos”, disse à agência Li Shanshan, uma amante da arte de 50 anos que viajou cerca de duas horas e meia desde Shenzhen, no sul da China, para conhecer a tela. A fase final da vida de Van Gogh Van Gogh chegou a Auvers-sur-Oise depois de passar cerca de um ano internado em um asilo psiquiátrico em Saint-Rémy-de-Provence, no sul da França. Nesse período, o artista enfrentou graves crises de saúde mental. Antes da internação, em dezembro de 1888, havia mutilado a própria orelha durante um episódio em Arles. Ao chegar à nova cidade, porém, Van Gogh demonstrava um renovado entusiasmo com a paisagem local e com a possibilidade de voltar a pintar. Em cartas, escreveu sobre o “belo verde em abundância” da região e expressou uma visão mais otimista de sua rotina: “o desejo de trabalhar vai me consumir e me tornar insensível a todo o resto, mantendo-me de bom humor”, redigiu. O artista alugou um pequeno quarto no sótão de um café, por três francos e meio por noite, e costumava ir diariamente ao campo para pintar. Também visitava Paul Gachet, médico e colecionador de arte que o incentivou a continuar trabalhando. “Este é um momento de extraordinário otimismo, energia frenética, entusiasmo, paixão e cor na obra do artista”, afirmou à Reuters Scott Niichel, vice-presidente do departamento de arte moderna e contemporânea da casa de leilões Sotheby's. A fase, contudo, foi breve. Van Gogh morreu em 29 de julho de 1890, dois dias depois de atirar em si mesmo. Sua produção em Auvers-sur-Oise, embora concentrada em poucos meses, reúne algumas das pinturas mais celebradas de sua carreira. Como é a obra Châtaigniers en fleurs retrata um grande castanheiro florido, cuja copa domina a composição. Na parte inferior da tela, um homem que lembra o próprio Van Gogh caminha diante de três mulheres que parecem usar trajes japoneses e carregar sombrinhas. Com cores intensas e pinceladas vigorosas, a pintura apresenta características marcantes do pós-impressionismo, movimento do qual Van Gogh foi um dos principais representantes. Para a casa de leilões Sotheby's, a tela está entre as pinturas pós-impressionistas mais excepcionais já disponibilizadas no mercado. A obra Châtaigniers en fleurs Sotheby's A maneira como os castanheiros foram retratados também aproxima a obra de outras criações célebres do artista, como A Noite Estrelada, Retrato do Dr. Gachet, A Igreja de Auvers-sur-Oise e Campo de trigo com corvos. A pintura é especialmente rara no mercado de arte. Segundo a Sotheby's, apenas oito paisagens do período em que Van Gogh viveu em Auvers-sur-Oise permanecem em coleções particulares. Nos últimos 40 anos, somente dez obras dessa fase foram oferecidas em leilões, das quais cinco eram paisagens. Após a morte de Van Gogh, em julho de 1890, a pintura passou para as mãos de seu irmão, Theo. Depois, ficou com a viúva dele, Johanna van Gogh-Bonger, e com o filho do casal, Vincent Willem. Mais tarde, a tela integrou a coleção do editor alemão Samuel Fischer, fundador da editora S. Fischer Verlag, que publicou obras de grandes nomes da literatura, como Thomas Mann, Hermann Hesse e Arthur Schnitzler. Outro proprietário célebre foi George “Buddy” DeSylva, compositor norte-americano, produtor de cinema e um dos fundadores da gravadora Capitol Records. Em 1953, a pintura foi adquirida pela colecionadora Harriet Harris-Jonas. Sua coleção era tão prestigiada que o Museu Metropolitano de Arte, em Nova York, organizava visitas para que seus patronos pudessem conhecer as obras reunidas no apartamento dela, na Quinta Avenida. Em 1975, a tela foi adquirida pela família Blaquier por meio da galeria de arte Wildenstein. Desde então, permaneceu fora de exibição pública, integrando a coleção Blaquier-Arrieta, formada pelos colecionadores e mecenas argentinos Carlos Pedro Blaquier e Nelly Arrieta de Blaquier.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 14/10/2026
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Tomar refrigerante diet realmente ajuda a emagrecer? Este estudo testou ideia
Um novo estudo sugere que bebidas diet podem ser aliados eficazes na perda de peso e na manutenção dos quilos eliminados. Publicada em 4 de agosto na revista British Journal of Nutrition, a pesquisa acompanhou 493 adultos com sobrepeso ou obesidade durante dois anos. Para investigar os efeitos das bebidas sobre o peso corporal, os pesquisadores dividiram os participantes em dois grupos: 246 foram orientados a consumir água, enquanto os outros 247 receberam bebidas com adoçantes não nutritivos, como refrigerante zero. Todos participaram de um programa de controle de peso com acompanhamento comportamental durante o primeiro ano. Nas 12 semanas iniciais, dedicadas ao emagrecimento, os encontros eram semanais. Depois, durante 40 semanas voltadas à manutenção do peso, passaram a ocorrer mensalmente. No segundo ano, os participantes foram acompanhados sem a mesma assistência. Ao final das 104 semanas, o grupo que consumiu água manteve uma perda média de 3,7 kg, enquanto aquele que ingeriu bebidas diet registrou uma redução de 4,8 kg. Apesar da diferença, os pesquisadores não encontraram uma vantagem estatisticamente significativa de uma bebida sobre a outra. Os dois grupos também apresentaram reduções semelhantes na circunferência da cintura, dos quadris e na massa de gordura corporal. Refrigerante zero pode atrapalhar o emagrecimento? Uma das preocupações relacionadas às bebidas diet é a possibilidade de que seu sabor doce provoque uma resposta do organismo semelhante àquela desencadeada pelo consumo de açúcar. Essa hipótese envolve a chamada resposta insulínica da fase cefálica, na qual o organismo poderia liberar insulina ao perceber o sabor doce, antecipando a chegada de glicose ao sangue. Como isso não acontece com bebidas sem açúcar, existe a hipótese de que a reação poderia aumentar a fome e favorecer o consumo de alimentos. No entanto, segundo os autores, estudos clínicos não encontraram evidências consistentes de que esse mecanismo provoque ganho de peso. A nova pesquisa também não identificou diferenças significativas no emagrecimento entre os participantes que consumiram água e aqueles que ingeriram bebidas adoçadas artificialmente. A organização American Council on Science and Health (ACSH) destaca, porém, que o estudo não mediu diretamente os níveis de insulina nem a resposta insulínica da fase cefálica. Os pesquisadores observaram um pequeno aumento da fome nos dois grupos, estatisticamente significativo apenas entre os consumidores de bebidas com adoçantes. Ainda assim, a diferença entre os grupos não foi significativa. Outro resultado chamou a atenção: os participantes que consumiram bebidas adoçadas artificialmente atingiram seu menor peso mais rapidamente, na 36ª semana, enquanto aqueles que beberam água chegaram a esse ponto na 44ª semana. Uma possível explicação é que a variedade de sabores das bebidas sem açúcar facilite a adesão a uma dieta, reduzindo a vontade de consumir opções açucaradas. Entretanto, os pesquisadores ressaltam que essa hipótese não foi comprovada pelo estudo. Apesar dos resultados, a investigação apresenta algumas limitações. Uma delas é que os pesquisadores dependeram dos próprios participantes para registrar o consumo de bebidas, o que pode gerar imprecisões nas informações. Além disso, o estudo foi realizado em um único local do Reino Unido e apresentou uma perda considerável de participantes ao longo do acompanhamento. Das 493 pessoas inicialmente incluídas, apenas 220 tinham dados de peso disponíveis ao final dos dois anos. Assim, os achados sugerem que as bebidas adoçadas artificialmente podem ser uma alternativa para quem deseja reduzir o consumo de açúcar sem comprometer o emagrecimento. Isso não significa, porém, que os refrigerantes zero provoquem perda de peso por si só.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 14/10/2026
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Síndrome rara em humanos é identificada em gatos pela primeira vez
Adotados em um abrigo nos Estados Unidos, dois gatos chamados Gary e Shaggy chamaram a atenção de pesquisadores por uma característica incomum: as pernas excepcionalmente longas. Mas foi a combinação dessa particularidade com alterações nos olhos e no coração que levou cientistas a identificar, pela primeira vez, a síndrome de Marfan em gatos domésticos com confirmação molecular. O estudo foi publicado em 19 de setembro na revista científica Scientific Reports, por pesquisadores da Universidade Cornell, nos Estados Unidos. A descoberta permite ampliar o conhecimento sobre a síndrome e investigar como suas alterações se manifestam em felinos. "As descobertas fornecem uma base para o aprimoramento do diagnóstico veterinário", disse em comunicado Jacquelyn Evans, autora sênior e professora assistente da Faculdade de Medicina Veterinária e do Instituto Baker de Saúde Animal. "Elas podem ajudar os veterinários a reconhecer casos semelhantes no futuro e podem auxiliar no desenvolvimento de testes genéticos". Doença genética A síndrome de Marfan é uma doença hereditária que compromete o tecido conjuntivo, responsável por dar sustentação e integrar diferentes estruturas do organismo. Em humanos, a condição pode afetar os ossos, os olhos e o sistema cardiovascular, inclusive a aorta, a principal artéria do corpo. Estima-se que a síndrome afete aproximadamente uma em cada 4 mil pessoas. Apesar de ser mais conhecida em humanos, a condição não é exclusiva da nossa espécie. A síndrome de Marfan já foi descrita em bovinos, o que mostra que alterações genéticas capazes de provocar manifestações parecidas também podem ocorrer em outros mamíferos. Manifestação em gatos No novo estudo, os cientistas identificaram nos gatos uma mutação no gene FBN1, responsável pela produção da fibrilina-1, proteína essencial para a estrutura do tecido conjuntivo, contribuindo para a integridade de vasos sanguíneos, ossos, ligamentos, pele e olhos. Os dois irmãos felinos apresentavam duas cópias alteradas do gene, uma herdada de cada progenitor. Em humanos, uma única cópia alterada do FBN1 pode ser suficiente para provocar a síndrome. Por isso, a presença de duas cópias modificadas chamou a atenção dos pesquisadores. Análises complementares mostraram, porém, que a alteração encontrada nos gatos não impedia completamente o funcionamento do gene. Parte das instruções genéticas ainda era processada normalmente. Esse mecanismo pode ajudar a explicar como os irmãos sobreviveram até a idade adulta, apesar das alterações genéticas. Além das pernas longas, Gary e Shaggy apresentavam alterações nas estruturas oculares e dilatação da aorta. A confirmação molecular permitiu relacionar essas características à variante genética identificada. "A síndrome de Marfan é de difícil diagnóstico devido à variabilidade de suas manifestações, que podem afetar múltiplos sistemas do organismo com diferentes graus de gravidade", observam os pesquisadores.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 14/10/2026
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'Geleira do fim do mundo' contribui duas vezes mais para o aumento dos oceanos do que se imaginava
A geleira Thwaites, localizada na Antártica Ocidental e mais conhecida pelo apelido “geleira do fim do mundo”, pode contribuir com até 3 centímetros para a elevação do nível do mar até 2100 — o dobro do estimado anteriormente. A projeção foi desenvolvida a partir de um novo modelo computacional que simulou o impacto do derretimento dessa formação de gelo. Segundo os cientistas responsáveis, o cenário parte das condições climáticas atuais, sem considerar aquecimentos adicionais. O estudo foi conduzido por pesquisadores da UCI (Universidade da Califórnia em Irvine) e do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato) da Nasa, ambos nos Estados Unidos. Seus resultados, descritos em artigo publicado nessa segunda-feira (12) na revista Nature Communications, apontam que os cálculos utilizados até então podem ter subestimado a velocidade de deterioração da geleira por não representarem adequadamente a entrada de água do oceano sob o gelo. Ao incorporar esse processo às simulações, a equipe conseguiu reproduzir mudanças observadas desde a década de 1990 com uma intensidade quatro vezes maior do que a indicada pelos modelos convencionais. Se essa projeção de tendência estiver correta, os cientistas alertam que há grande risco de as regiões costeiras do planeta enfrentarem inundações severas já nas próximas décadas. Água quente debaixo da geleira A principal inovação do modelo é considerar uma área de contato entre o gelo e o oceano mais ampla e dinâmica do que a utilizada anteriormente. Tradicionalmente, os pesquisadores trabalham com o conceito de “linha de aterramento”, o limite em que o gelo deixa de estar apoiado no leito terrestre e passa a flutuar sobre a água do mar. Por sua vez, o novo estudo leva em conta a chamada “zona de aterramento”, uma faixa que pode ter vários quilômetros de largura. Nela, a água oceânica penetra sob o gelo que ainda está apoiado no fundo marinho, favorecendo o derretimento e alterando a estabilidade da geleira. “Glaciologistas há muito baseiam suas suposições sobre a dinâmica das camadas de gelo na ‘linha de aterramento’”, aponta Mattia Poinelli, que foi pesquisador de pós-doutorado na UCI e assina como autor principal do estudo, em comunicado. “Mas chegamos à conclusão de que existe uma configuração diferente sob as principais geleiras que terminam nos oceanos da Terra. Observações por satélite demonstram a existência de uma ‘zona de aterramento’, onde a água quente do oceano penetra profundamente sob as camadas de gelo, causando um derretimento intenso.” Para investigar esse mecanismo, a equipe analisou observações feitas ao longo de mais de 20 anos. Entre os dados utilizados estão registros de radar da constelação de satélites finlandesa ICEYE, que permitiram identificar variações na zona de aterramento da Thwaites em escalas de poucos quilômetros. As medições indicam que a água do mar avança por vários quilômetros sob a parte da geleira ainda apoiada no solo. Durante os ciclos das marés, a pressão da água pode erguer temporariamente o gelo, permitindo que a água marinha, relativamente quente, circule sob ele e intensifique o derretimento. Segundo os pesquisadores, correntes oceânicas alteradas pelas mudanças climáticas ajudam a transportar essa água em direção à costa antártica. Cristas deixam de conter o avanço do gelo A perda de estabilidade também está relacionada ao relevo do fundo do mar. Elevações submarinas, conhecidas como cristas, funcionam como pontos de apoio que ajudam a conter o movimento da geleira em direção ao oceano. À medida que o gelo derrete e perde contato com essas estruturas, pode acelerar seu deslocamento. “O tronco principal da Thwaites está sendo estabilizado temporariamente pela Crista Mouginot”, explica Poinelli. “Assim que essa crista for desprendida, a geleira recuará continuamente sobre um fundo marinho predominantemente retrógrado em direção à sua próxima elevação topográfica, a Crista Sul.” Um fundo marinho retrógrado é aquele em que o terreno se torna progressivamente mais profundo na direção do interior do continente. Essa configuração pode favorecer o recuo do gelo, pois, à medida que a geleira perde apoio e recua para águas mais profundas, sua estabilidade pode diminuir ainda mais. Nas simulações que consideram uma zona de aterramento de 4 a 6 km de largura, os pesquisadores calcularam uma probabilidade de 60% de a geleira perder o contato com a Crista Mouginot até o fim do século. “Quando você leva em conta os principais processos físicos e calibra com base em observações históricas, você obtém um caminho confiável para reduzir a incerteza nas projeções”, avalia Poinelli. Região concentra perda de gelo A Thwaites fica no setor da Baía do Mar de Amundsen, na Antártica Ocidental, região responsável por aproximadamente um terço da perda de massa da camada de gelo da Antártica. Nas últimas décadas, a geleira apresentou recuo e afinamento acelerados, mas os modelos tradicionais tiveram dificuldade em reproduzir a rapidez observada por satélites. A divergência entre simulações e observações dificultava estimar com precisão a contribuição futura da formação de gelo para a elevação dos oceanos. Ao incorporar processos físicos antes pouco representados e ajustar os cálculos com base em registros históricos, a equipe conseguiu aproximar as projeções do comportamento observado. “Há décadas que documentamos e quantificamos os impactos da mudança climática nas sensíveis camadas de gelo do nosso planeta, mas a crescente percepção, adquirida nos últimos anos, do que está acontecendo na parte inferior de geleiras como a Thwaites está gerando um sentimento de alarme ainda maior”, observa Eric Rignot, professor da UCI e coautor do estudo. O especialista ainda ressalta que os modelos anteriores tinham dificuldade em acompanhar a velocidade da perda de massa por causa da falta de dados sobre os processos físicos envolvidos: “A maioria das projeções até o momento teve dificuldades em acompanhar a rapidez da perda de massa devido à falta de dados físicos; nosso novo modelo, com uma física mais completa, consegue reproduzir os dados registrados e, em seguida, produz projeções duas vezes maiores do que as anteriores”. Segundo ele, os resultados indicam que as áreas costeiras podem enfrentar riscos de inundação maiores do que os estimados até agora. A projeção de até 3 centímetros de contribuição ao nível do mar atribuída à Thwaites não representa, por si só, toda a elevação esperada dos oceanos: trata-se da parcela estimada para essa geleira específica.
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Forma rara de câncer se espalhou para gêmeos ainda no útero; entenda caso
Duas irmãs gêmeas morreram pouco depois do nascimento em decorrência de um tipo raro de câncer que se desenvolveu durante a gestação e passou de uma para a outra ainda no útero. A investigação do caso revelou que células cancerígenas de uma das bebês chegaram à outra provavelmente por meio dos vasos sanguíneos compartilhados pela placenta. O caso de Amelia e Amaya foi investigado por pesquisadores da Inglaterra, que analisaram o material genético das irmãs para identificar a origem dos tumores e reconstruir a sequência de acontecimentos durante a gestação. Os resultados encontrados foram descritos em um artigo publicado no dia 6 de outubro na revista Nature Communications. “Foi uma coisa incrivelmente terrível de acontecer, mas a mãe delas deixou bem claro que tínhamos que aprender algo com isso e fez essa doação incrível para a ciência”, lembra Sam Behjati, professor da Universidade de Cambridge e autor correspondente do estudo, em entrevista ao portal NewScientist. “Isso nos permitiu dar uma pequena resposta sobre o que aconteceu com esses bebês, além de obter uma compreensão fundamental sobre a gestação de gêmeos.” Alteração genética desencadeou tumores As gêmeas nasceram por cesariana, com 34 semanas de gestação, depois que exames de imagem identificaram uma massa no rosto de uma delas. Após o parto, os médicos constataram que as duas apresentavam tumores em diferentes partes do corpo. As irmãs morreram pouco tempo depois. “Ter câncer ao nascer é extremamente raro”, destaca Behjati. Diante da gravidade do caso, os pesquisadores buscaram esclarecer uma questão central: a doença teria surgido de forma independente nas duas irmãs ou começado em uma delas antes de atingir a outra? Uma das hipóteses iniciais era que as bebês compartilhassem uma alteração genética hereditária que aumentasse a predisposição ao câncer. Outra possibilidade era que um tumor tivesse se desenvolvido primeiro em uma das meninas e, posteriormente, suas células alcançassem a irmã durante a gestação. Para investigar a origem da doença, os cientistas realizaram o sequenciamento completo do genoma de 45 amostras de células retiradas dos órgãos, da placenta e dos tumores das irmãs após a morte delas. Ao comparar o material coletado, foi possível identificar alterações que surgiram durante o desenvolvimento das bebês e distinguir as células tumorais de cada uma. Essa análise ainda apontou que o câncer começou após uma fusão anormal entre dois genes, chamados MN1 e ZNF341, na irmã identificada pelo estudo como gêmea A. A alteração foi detectada por volta do fim do primeiro trimestre da gravidez, embora os motivos que levaram a sua ocorrência permaneçam desconhecidos. As lesões foram classificadas como sarcomas de tecidos moles, um grupo de cânceres raros que se origina em estruturas como músculos, gordura, nervos, vasos sanguíneos e outros tecidos que sustentam ou conectam partes do corpo. Na primeira irmã, os tumores atingiram o rosto, o cérebro, o fígado e outros órgãos. Por volta do fim do segundo trimestre da gestação, células cancerígenas chegaram à outra bebê, identificada como gêmea B. Segundo os pesquisadores, os tumores encontrados na segunda irmã eram constituídos por células originadas na primeira, um achado que reforçou a conclusão de que a doença não surgiu separadamente nas duas. Placenta pode ter permitido a passagem das células A explicação mais provável para a transmissão foi a circulação sanguínea compartilhada pelas irmãs por meio da placenta – órgão formado durante a gravidez, que permite a troca de oxigênio, nutrientes e outras substâncias entre a mãe e, neste caso, os dois fetos. “Quando se compartilha a placenta, inevitavelmente se acaba compartilhando vasos sanguíneos”, aponta Behjati. Os especialistas também identificaram indícios de que os tumores da gêmea B podem ter começado a partir de uma única célula cancerígena transferida pela circulação. Depois de chegar ao organismo da irmã, essa célula teria se multiplicado e originado novos tumores. O caso demonstra uma via excepcional de disseminação de células tumorais durante a gestação. Vale salientar, porém, que isso não significa que o câncer seja normalmente transmitido entre irmãos ou que esse tipo de ocorrência seja comum em casos de gestações gemelares. Novos achados sobre gêmeos idênticos Além de esclarecer a origem dos tumores, a análise trouxe uma descoberta surpreendente sobre a formação das irmãs. A explicação tradicional para o desenvolvimento de gêmeos idênticos é que um único embrião se divide em duas partes, que dão origem a indivíduos geneticamente muito semelhantes. A comparação do DNA de Amelia e Amaya, porém, indicou uma dinâmica diferente neste caso. Os pesquisadores identificaram diferenças genéticas acumuladas ao longo do desenvolvimento embrionário, o que permitiu rastrear a origem de distintas populações de células. Os resultados sugeriram que apenas uma célula do embrião original contribuiu para a formação da gêmea A, enquanto todas as demais células analisadas desse estágio deram origem à gêmea B e à placenta. Tal resultado contraria a ideia simplificada de que a divisão de um embrião em duas metades equivalentes explica necessariamente a formação de todos os gêmeos idênticos. A participação de uma única célula na formação de uma das irmãs também chamou a atenção porque seria esperado encontrar uma contribuição celular mais equilibrada dos dois fetos para a placenta compartilhada. Ou seja, os achados indicam que o desenvolvimento inicial de gêmeos pode ser mais complexo do que se imaginava. Contudo, é importante ressaltar que, como a conclusão vem da análise de um caso específico, ela não significa que todos os gêmeos idênticos se formem dessa maneira. A equipe pretende ampliar as investigações para compreender melhor como os embriões se organizam nos primeiros estágios de desenvolvimento e como as células de cada indivíduo contribuem para a formação da placenta. Behjati sugere que os pesquisadores estão desenvolvendo um estudo para analisar a formação de gêmeos de maneira mais sistemática.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 14/10/2026
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Casos de demência devem dobrar no mundo até 2050, diz novo estudo
O número de novos casos de demência no mundo deve passar de 11,4 milhões, em 2023, para 24,7 milhões por ano até 2050 – representando um salto de incidência para mais do que o dobro registrado atualmente. A projeção é de um estudo internacional liderado pela UNSW (Universidade de Nova Gales do Sul), na Austrália, e publicado nessa segunda-feira (12) na revista JAMA Neurology. A pesquisa analisou dados de 38.418 participantes de 22 estudos populacionais realizados em 18 países e territórios, distribuídos por seis continentes. Os resultados encontrados apontam maior ocorrência entre as mulheres e os países de baixa e média renda, além de reforçarem a necessidade de ampliar as estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e assistência às pessoas afetadas pela doença. Vale lembrar que a demência é uma síndrome caracterizada pelo comprometimento progressivo de funções cognitivas, como memória, raciocínio, linguagem e capacidade de realizar tarefas cotidianas. Ela pode ser provocada por diferentes doenças, sendo o Alzheimer uma de causas mais comuns, representando cerca de 60% dos casos, segundo a ABRAz (Associação Brasileira de Alzheimer). Envelhecimento populacional A estimativa de 24,7 milhões de novos casos anuais até 2050 diz respeito à incidência, isto é, à quantidade de pessoas que desenvolvem uma doença em determinado período. Esse indicador é diferente da prevalência, que corresponde ao total de pessoas que vivem com a condição em um dado momento. Atualmente, mais de 57 milhões de pessoas vivem com demência em todo o mundo. Projeções anteriores indicam que esse contingente poderá chegar a aproximadamente 150 milhões até 2050. O aumento esperado está relacionado, entre outros fatores, ao envelhecimento da população, já que o risco de desenvolver a doença cresce com a idade. Conhecer a incidência ajuda governos e sistemas de saúde a prever a demanda por consultas, exames, tratamentos e serviços de apoio. Também permite identificar populações que podem se beneficiar mais de medidas preventivas. “Pela primeira vez, podemos comparar a incidência de demência em um grupo geograficamente diverso de populações usando a mesma abordagem estatística, o que nos dá uma visão mais clara de onde e entre quem estão ocorrendo os novos casos”, afirma Ashleigh Vella, autora principal do estudo e pesquisadora de pós-doutorado na UNSW, em comunicado à imprensa. Para a pesquisadora, as diferenças identificadas reforçam a importância de desenvolver estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento que considerem as necessidades das populações mais vulneráveis. Quem corre mais risco Os dados revelaram diferenças entre homens e mulheres. Após ajustes estatísticos para permitir comparações mais adequadas entre os grupos, a incidência foi estimada em 10,6 novos casos por mil pessoas-ano entre as mulheres, ante 8,6 entre os homens. A expressão “pessoas-ano” representa a soma do tempo durante o qual os participantes foram acompanhados. Assim, mil pessoas acompanhadas durante um ano correspondem a mil pessoas-ano, assim como 500 pessoas acompanhadas durante dois anos. Embora os números indiquem uma ocorrência maior entre as mulheres, eles não explicam as razões dessa diferença. Segundo os pesquisadores, ainda são necessários estudos para determinar quanto ela pode estar relacionada a fatores biológicos, sociais, econômicos, educacionais ou ambientais. Além da questão de gênero, o estudo também aponta diferenças no enfrentamento da demência entre países de acordo com o seu nível de renda. A incidência padronizada foi de 13,6 novos casos por mil pessoas-ano nas nações de baixa e média renda, contra 8,3 nos países de alta renda. O estudo reuniu dados de seis países de baixa e média renda (como Brasil, Cuba e China) e 12 de alta renda (tais quais Alemanha, Coreia do Sul e Estados Unidos). Os pesquisadores utilizaram critérios clínicos para identificar a demência e métodos estatísticos consistentes, com o objetivo de tornar os resultados comparáveis entre as diferentes populações. “A maior incidência que observamos em países de baixa e média renda é particularmente preocupante, pois essas regiões estão passando por um rápido envelhecimento populacional, ao mesmo tempo que frequentemente dispõem de menos recursos para prevenção, diagnóstico e tratamento”, aponta Perminder Sachdev, autor principal do estudo. Prevenção e atendimento são desafios globais Apesar dos resultados, os autores ressaltam que o estudo não permite determinar por que a incidência é maior entre mulheres e em países de baixa e média renda. As diferenças podem decorrer de uma combinação de fatores, e novas pesquisas em populações diversas serão necessárias para esclarecer suas causas. O trabalho também procura preencher uma lacuna no conhecimento científico. Historicamente, grande parte das pesquisas sobre demência foi realizada em países de alta renda, enquanto estudos capazes de acompanhar os participantes ao longo do tempo e identificar novos casos são menos comuns em regiões com menos recursos. “Vinte e quatro milhões de novos casos de demência por ano exerceriam uma enorme pressão sobre indivíduos, famílias, sistemas de saúde e economias em todo o mundo”, avalia Henry Brodaty, também coautor do estudo. O pesquisador defende uma atuação abrangente, que inclua a redução de fatores de risco modificáveis, a identificação precoce de pessoas em risco e a melhoria do diagnóstico, do tratamento e dos cuidados oferecidos aos pacientes. O desafio, portanto, vai além de lidar com o aumento do número de pessoas que desenvolverão demência.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 13/10/2026
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Maior colônia de pinguins do mundo perde 63% dos casais de uma espécie
Há mais de uma década, a ilha vulcânica de Zavodovski, na Antártida, é acompanhada de perto por pesquisadores. Afinal ela é – ou melhor, era – conhecida por abrigar a maior colônia de pinguins do mundo. O cenário, no entanto, agora é outro: enquanto a população de pinguim-macaroni (Eudyptes chrysolophus) cresceu mais de 28% entre 2011 e 2016, o número de pinguins-de-barbicha (Pygoscelis antarcticus) caiu quase 63%, passando de aproximadamente 542 mil para 201 mil casais. Esses resultados começaram a ser observados em 2023, quando toda a região foi documentada com um drone. As imagens capturadas foram combinadas com capturas feitas por satélite, com intervalos de cinco anos entre os anos de 2011 e 2025. Os resultados foram, então, publicados no dia 7 de outubro na revista científica Current Biology. A preocupação é especialmente direcionada aos pinguins-de-barbicha. Não só porque eles tiveram a maior queda em relação ao número de indivíduos, mas também porque poderão precisar ser reclassificados globalmente de espécie “pouco preocupante” para “em perigo”, conforme os critérios de extinção animal. O que aconteceu? O vilão para esses acontecimentos é um velho conhecido de todos nós: o aumento da temperatura do planeta. Especificamente no habitat desses animais, a mudança climática tem se manifestado pelo aquecimento das águas oceânicas. Você também deve se lembrar que esse fator é o responsável pelo derretimento das geleiras e, logo, sem mais litros de água doce para você e para o resto do mundo. Mas, além da questão hídrica, o calor reduz o suprimento de krill na Antártida. O problema é que esses minúsculos crustáceos são a principal fonte de alimentação dos pinguins-de-barbicha. Distribuição em alto mar de pinguins marcados com rastreadores via satélite Current Biology Os cientistas têm usado os pinguins como um indicador da saúde geral do ecossistema na Antártida há anos. Afinal, as mudanças na temperatura, na química ou nos padrões climáticos do oceano têm alterado populações além da dos pinguins, como as de krill (mencionada acima) e peixes. E como tudo está interligado de uma forma, um problema puxa o outro. No caso da redução de disponibilidade de krills para os pinguins-de-barbicha, os cientistas até chegaram a analisar outros dados e fatores. No entanto, eles não encontraram evidências de que a erupção vulcânica de 2016 na Ilha Zavodovski ou a competição com frotas pesqueiras e demais animais tenham sido tão responsáveis quanto o aquecimento das águas. A distribuição e a extensão das colônias de pinguins na Ilha Zavodovski são mostradas em azul e as de pinguins-macaroni em magenta durante (A) 2011, (B) 2016, (C) 2020–2022 e (D) 2025 Current Biology Quando lançaram aos céus o drone que capturou imagens de cerca de 70% do território, os pesquisadores se depararam com milhares de pinguins para contar. Obviamente a contagem manual era impraticável, então eles desenvolveram um algoritmo para processar as imagens dos drones. O algoritmo também distinguiu automaticamente as duas espécies: os pinguins-de-barbicha apresentavam uma coloração azulada, com anéis de guano ao redor de seus ninhos, enquanto os pinguins-macaroni tinham dorsos pretos mais escuros. Agora, os pinguins-macaroni ultrapassaram os pinguins-de-barbicha e se tornaram a espécie de pinguim mais abundante de Zavodovski, marcando a maior mudança populacional registrada em um único local na Antártica. Sua dieta variada lhes confere maior flexibilidade, permitindo que se aventurem mais longe em correntes mais quentes para se alimentar. Pinguins como indicadores E o que tudo isso significa para o restante do planeta? Bom, os pinguins não são apenas aquelas aves simpáticas que parecem estar sempre vestidas para uma ocasião formal, eles também funcionam como termômetros da saúde dos oceanos. Quando suas populações mudam drasticamente, os sinais podem indicar que algo não vai bem em toda a cadeia alimentar. No caso de Zavodovski, a queda dos pinguins-de-barbicha e o crescimento dos pinguins-macaroni mostram que nem todas as espécies respondem da mesma maneira às mudanças ambientais. Enquanto algumas conseguem se adaptar à nova disponibilidade de alimentos, outras ficam mais vulneráveis. A mudança também serve de alerta para a conservação da biodiversidade. Afinal, perder mais de 250 mil casais reprodutores em uma única ilha não é pouca coisa. E, embora os pinguins-macaroni pareçam estar levando a melhor nessa disputa, isso não significa que o ecossistema esteja em boas condições. Uma espécie prosperar enquanto outra entra em declínio pode ser justamente um sinal de que o ambiente está mudando de forma significativa.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 13/10/2026
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Mounjaro e Ozempic podem frear envelhecimento? Veja o que dizem estudos
E se, além de ajudar a perder peso, medicamentos como Ozempic e Mounjaro também pudessem desacelerar o relógio do envelhecimento? Pesquisas recentes sugerem que essas substâncias podem retardar processos biológicos associados à idade e, talvez, contribuir para uma vida mais longa. Mas os cientistas alertam: ainda é cedo para tirar conclusões (e, mais ainda, passar a consumir remédios do tipo mirando efeitos anti-idade). Os resultados foram apresentados durante a 13ª edição da conferência anual de Pesquisa de Envelhecimento e Descoberta de Medicamentos (Aging Research & Drug Discovery), realizada em Boston, nos Estados Unidos. Os estudos investigaram os efeitos da tirzepatida, presente no Mounjaro, e da semaglutida, encontrada no Ozempic e no Wegovy. Esses medicamentos já são conhecidos por auxiliar na perda de peso e no controle da glicose no sangue. Além disso, pesquisas anteriores identificaram benefícios para a saúde cardíaca, renal e hepática, assim como reduções na apneia do sono (pausas repetidas na respiração durante o sono) e na inflamação. Agora, os cientistas querem entender se esses efeitos também podem influenciar o próprio processo de envelhecimento. “O envelhecimento é o maior fator de risco para muitas doenças e, se pudermos combater o próprio envelhecimento, poderemos tratar todos os tipos de doenças associadas a ele”, disse Danica Chen, professora da Universidade da Califórnia em Berkeley, à CNN. O que os estudos descobriram? Uma das pesquisas foi conduzida pela farmacêutica Eli Lilly, fabricante do Mounjaro. Os cientistas analisaram dados de 71 participantes com mais de 50 anos que utilizaram tirzepatida durante um estudo clínico de 72 semanas. Para avaliar os resultados, a equipe utilizou os chamados relógios epigenéticos, ferramentas que estimam a idade biológica a partir de alterações químicas relacionadas à ativação e desativação dos genes. Diferentemente da idade cronológica, que corresponde ao número de anos vividos, a idade biológica procura indicar o estado de envelhecimento dos órgãos e tecidos. Durante as 72 semanas, os participantes envelheceram aproximadamente 1,38 ano em termos cronológicos. No entanto, os relógios epigenéticos indicaram um avanço menor da idade biológica, entre 0,7 e 1,1 ano, em média, dependendo da ferramenta utilizada. Alguns indicadores chegaram a apresentar uma regressão, sugerindo que determinados órgãos e tecidos estavam biologicamente mais jovens do que no início do estudo. Apesar dos resultados, a pesquisa apresenta limitações. O grupo analisado era pequeno, o acompanhamento foi relativamente curto e não houve comparação com participantes que receberam placebo. Outro estudo, divulgado como pré-publicação e realizado pela Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy, também encontrou resultados promissores. Ao analisar alterações nas proteínas de pessoas que utilizaram semaglutida, os pesquisadores observaram uma redução estimada de dois a quatro anos na idade biológica do coração, em comparação com um grupo que recebeu placebo. Os resultados também apontaram reduções de um a quatro anos nas estimativas de idade biológica de órgãos como pulmões, rins, cérebro e pâncreas. Segundo os cientistas, essas mudanças não puderam ser explicadas completamente pela perda de peso, pelo controle da glicose ou pela redução da inflamação. Testes em camundongos Além das análises em humanos, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley (UC Berkeley) investigaram se a semaglutida poderia realmente prolongar a vida de camundongos. No experimento, publicado na revista Nature, os cientistas administraram injeções de semaglutida ou placebo em animais com 20 meses de idade, aproximadamente o equivalente a 60 anos em humanos, até o fim de suas vidas. Os camundongos tratados com semaglutida comeram menos, perderam peso e viveram mais. Enquanto os animais que receberam placebo tiveram uma expectativa de vida média de 742 dias (o equivalente a cerca de 75 anos em humanos), aqueles tratados com o medicamento alcançaram 834 dias (o equivalente a cerca de 80 anos), uma diferença de aproximadamente três meses. Para investigar se o benefício estava relacionado apenas à perda de peso, os pesquisadores também reduziram em 25% a ingestão calórica de outro grupo de camundongos. Embora os animais submetidos à restrição alimentar também tenham vivido mais, aqueles que receberam semaglutida apresentaram vantagens em testes de raciocínio e na capacidade de encontrar a saída de um labirinto, além de um controle mais eficiente da glicose no sangue. Os resultados sugerem que o medicamento pode proporcionar benefícios que vão além da redução da ingestão de calorias. Ainda assim, descobertas em animais não garantem que os mesmos efeitos ocorram em humanos. Afinal, esses medicamentos podem aumentar a longevidade? Por enquanto, não há evidências suficientes para afirmar que Ozempic, Mounjaro e outros medicamentos semelhantes sejam capazes de prolongar a vida humana. Uma das principais dúvidas é se os possíveis efeitos antienvelhecimento são consequência da perda de peso e da melhora da saúde metabólica ou se também existem mecanismos independentes dessas mudanças. Além disso, os cientistas ainda não sabem se os benefícios observados se aplicariam a pessoas saudáveis, sem obesidade ou diabetes. Outro desafio está nas próprias ferramentas utilizadas para medir o envelhecimento biológico. Segundo James Kirkland, diretor do Centro de Geroterapia Avançada do Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles, esses indicadores ainda estão em desenvolvimento e podem apresentar grandes variações em uma mesma pessoa. Por isso, especialistas alertam contra o uso desses medicamentos exclusivamente com o objetivo de retardar o envelhecimento. Embora as descobertas abram novas possibilidades para a pesquisa sobre longevidade, ainda serão necessários estudos maiores e acompanhamentos de longo prazo para determinar se os efeitos observados realmente podem resultar em mais anos de vida.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 13/10/2026
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Do laboratório ao resultado do exame: como a IA e a robótica estão acelerando os diagnósticos
Por trás de um resultado de um exame diagnóstico que chega cada vez mais rapidamente às mãos do paciente, há uma sequência de etapas que precisam ser orquestradas de forma segura, responsável e atualizada de acordo com os mais recentes parâmetros científicos. Qualquer falha nas fases de identificação de amostras, transporte, preparação, processamento, interpretação e liberação pode comprometer o diagnóstico. É nesse circuito, quase invisível ao paciente, que a tecnologia entra de forma decisiva. Laboratórios vêm automatizando tarefas repetitivas e integrando processos que, durante décadas, dependeram de uma série de intervenções manuais. O movimento acompanha a expansão de um segmento que já movimenta bilhões. Em 2025, o mercado de automação global total de laboratórios foi avaliado em 6,58 bilhões de dólares e deve chegar a 9,83 bilhões até 2031, de acordo com dados da consultoria Mordor Intelligence. O Brasil segue essa tendência, com investimentos em plantas equipadas com estruturas modernas que reorganizam o fluxo das análises clínicas. “O futuro é, cada vez mais, desenhado com centros automatizados que possuem um cérebro que otimiza o processo de ponta a ponta, permitindo que o profissional da saúde dedique mais tempo e atenção a outras análises mais estratégicas e complexas”, defende Ana Tuñon, diretora comercial de laboratórios da Roche Diagnóstica Brasil. A companhia é parceira da Dasa, empresa líder de medicina diagnóstica no Brasil, que acaba de inaugurar seu Núcleo Técnico-Operacional (NTO) em Brasília com capacidade de mais de 5 milhões de exames. A iniciativa deve aumentar em 30% a produtividade na região até 2034 e tem o objetivo de beneficiar não somente o DF, já que a estrutura tem capacidade de atender cerca de 400 municípios. Lá, mais de 95% dos potenciais exames do mundo estão disponíveis localmente no núcleo, que reúne cerca de 200 profissionais. Leonardo Vedolin, vice-presidente médico e de operações da Dasa, conta que a planta produtiva de 5 mil metros quadrados tem uma arquitetura feita sob medida, com menos módulos operacionais, diferentes plataformas integradas e robôs que organizam amostras. A parceria com a Roche, de acordo com o executivo, faz parte de uma estratégia que vai além da aquisição de equipamentos, e sim, de transformação no setor. "O salto de capacidade é resultado direto do parque tecnológico instalado: o novo prédio tem automação de ponta que reduz intervenção manual, padroniza rotinas e sustenta ganho de escala sem abrir mão da qualidade analítica”, explica Vedolin. Segundo Ana Tuñon, espera-se que haja uma redução de 90% do tempo de entrega nos ensaios de imunologia, por exemplo. “Cerca de 93% desses testes têm tempo de reação de apenas 18 minutos, resultando em agilidade para decisões urgentes em consultórios e hospitais”, afirma. Máquinas assumem a bancada Uma das principais mudanças está na integração entre equipamentos. Em vez de uma amostra passar por diferentes máquinas e ser movimentada manualmente entre elas, sistemas automatizados podem conduzi-la ao longo de várias etapas. Um dos elementos centrais dessa operação da Dasa no Distrito Federal é a plataforma cobas® pro. O módulo de bioquímica cobas® c703 pode processar até 1.400 testes por hora e o de imuno cobas® e801 processa até 300 testes por hora. Ambos possuem sistema de autocalibração, o que permite maior disponibilidade para produtividade. “Com os equipamentos antigos ainda disponíveis no mercado brasileiro, na linha de imuno hormônio, a quantidade média era de 100 análises por hora”, compara Tuñon. Outro ponto destacado é a mitigação de riscos. “A tecnologia empregada zera a possibilidade de contaminação cruzada”, afirma. Os equipamentos da imunologia utilizam ponteiras e copos descartáveis, ao passo que os da bioquímica contam com sistema de lavagem sônica, evitando que resíduos de uma amostra interfiram na seguinte. O módulo de bioquímica cobas® c703 pode processar até 1.400 testes por hora Divulgação Dasa Mais uma inovação que ajuda na organização do fluxo e prevenção de erros é o navify® Lab Operations, também da Roche, uma solução de middleware que conecta diferentes etapas da operação. O sistema pode atuar desde a fase anterior à análise até os processos posteriores, ajudando a identificar inconsistências e direcionar as amostras com base em protocolos definidos. As inovações ainda melhoram a experiência do paciente, com equipamentos de aspiração analítica de alta tecnologia que exigem volumes menores de amostra de sangue, possibilitando coletas menos invasivas. A agenda ESG também teve peso importante no desenho da planta e das operações do novo NTO. Vedolin explica que foram adotadas soluções focadas em eficiência energética, redução do consumo de água e menor geração de resíduos químicos, buscando alcançar o padrão internacional de sustentabilidade ouro My Green Lab, iniciativa global de certificação para ambientes científicos. Geografia do diagnóstico A localização do laboratório também faz parte de uma equação estratégica. Brasília foi escolhida para abrigar o NTO não apenas pela demanda do Distrito Federal, mas pela posição central no país. “A capital tem uma localização muito peculiar, com rotas terrestres para municípios dos estados adjacentes e uma malha aérea privilegiada para diferentes pontos das regiões Norte e Centro-Oeste”, diz o vice-presidente da Dasa. O executivo calcula que locais distantes terão o intervalo reduzido por conta da estrutura centralizada em Brasília. “Com processamentos mais rápidos, qualificados e eficientes, destravamos muito valor para o paciente”, justifica. Dasa inaugura seu novo Núcleo Técnico Operacional (NTO) em Brasília Entre algoritmos e especialistas Para Vedolin, a parceria entre Dasa e Roche eleva a régua da pesquisa científica e da medicina diagnóstica no Brasil. “A definição de um parceiro para um projeto dessa dimensão envolve contar com a capacidade de antecipar o que estará no mercado nos próximos anos. A expectativa é que o setor continue incorporando tecnologias capazes de ampliar a capacidade de prevenção, detecção e acompanhamento de doenças. Trabalhamos com evolução e melhorias contínuas, impulsionando o setor”. A inteligência artificial é um dos pontos mais relevantes. A Dasa começou a utilizar a IA em seus processos ainda em 2017, quando criou um núcleo dedicado à tecnologia. Desde então, passou a testar algoritmos em diferentes áreas. Na radiologia, por exemplo, Vedolin cita aplicações que ajudaram a reduzir o tempo de realização de determinados exames de ressonância magnética de cerca de 40 minutos para aproximadamente cinco. A IA também é aplicada a etapas como organização do fluxo e identificação de padrões. Isso não significa, porém, que a máquina passe a tomar as decisões, que continuam dependendo da avaliação de profissionais habilitados. A tecnologia pode sugerir, classificar ou apontar inconsistências, mas a decisão clínica permanece sob responsabilidade humana. Vedolin ainda ressalta que as informações laboratoriais são sensíveis e obedecem às regras de proteção de dados. Por isso, a infraestrutura digital do NTO incorpora recursos avançados de proteção cibernética de dados sensíveis e conformidade legal, preservando a privacidade das informações de saúde dos pacientes.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 13/10/2026
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Estudo da década de 1960 previu que humanidade acabaria daqui exatamente um mês
Em 13 de novembro de 2026, a humanidade deverá viver um dia como qualquer outro. A data, porém, tem um significado peculiar para a história da ciência: em 1960, pesquisadores projetaram que a população mundial se aproximaria do limite máximo nesse exato dia, provocando a própria aniquilação. A previsão não se concretizou, mas suas equações acompanharam o crescimento demográfico com surpreendente precisão durante décadas, antes de começarem a divergir da realidade. Publicado em 4 de novembro de 1960, na revista Science, o artigo foi escrito por Heinz von Foerster, físico e especialista em cibernética, em parceria com Patricia Mora e Lawrence Amiot, dois de seus alunos à época. A conclusão mais provocativa do trabalho era que a população cresceria tão rapidamente que não haveria espaço para todos. “Nossos descendentes não morrerão de fome; serão esmagados até a morte”, escreveram os pesquisadores. Como surgiu a previsão Na metade do século 20, o crescimento acelerado da população mundial alimentava o temor de que a produção de alimentos e a disponibilidade de recursos naturais não fossem suficientes para atender à demanda. Nesse contexto, von Foerster e seus colegas levantaram a hipótese de que a capacidade humana de cooperar e resolver problemas coletivamente poderia favorecer uma expansão demográfica ainda mais rápida do que a observada em outras espécies. Para sustentar o argumento, os pesquisadores reuniram 24 estimativas da população mundial referentes aos dois milênios anteriores. Com base nesses registros, desenvolveram um modelo matemático de crescimento hiperbólico, no qual o ritmo de aumento da população se acelera ao longo do tempo. Diferentemente de um crescimento exponencial, em que uma quantidade aumenta proporcionalmente ao seu tamanho, o crescimento hiperbólico pode acelerar ainda mais intensamente. Ao projetar essa curva para o futuro, os autores calcularam que ela se aproximaria do infinito em 13 de novembro de 2026. Esse resultado não significava que a população realmente pudesse se tornar infinita. Tratava-se de um limite matemático decorrente da suposição de que o padrão observado no passado continuaria indefinidamente. A partir dele, os pesquisadores concluíram que seria necessário reduzir pela metade a taxa global de natalidade para evitar o cenário extremo. Quando os números pareciam confirmar a previsão O artigo causou repercussão imediata. Foi discutido por veículos como a revista Time e jornal The New York Times, inspirou tirinhas de humor e entrou em debates sobre demografia, ecologia e produção de alimentos. Entre as décadas de 1960 e 1980, suas equações chegaram a ser citadas em livros didáticos e discussões políticas, muitas vezes sem ressalvas. Parte dessa notoriedade se devia ao desempenho inicial do modelo. Segundo o economista Javier Birchenall, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, as projeções de crescimento hiperbólico superaram, em determinados períodos, as estimativas demográficas convencionais, que haviam subestimado o crescimento populacional nas décadas de 1960 e 1970. A análise foi publicada na semana passada, também na revista Science. De acordo com o autor, o cenário começou a mudar por volta de 1993, quando a população mundial passou a crescer abaixo do ritmo previsto pela equação. A desaceleração da fecundidade — isto é, a redução do número médio de filhos por mulher — contribuiu para afastar a realidade da curva projetada. O fenômeno também alterou o sentido das preocupações demográficas. Se, no passado, o principal receio era uma explosão populacional, hoje muitos países enfrentam desafios associados ao envelhecimento da população e à queda no número de nascimentos. Projetar o futuro a partir do passado Para Birchenall, o problema central não estava necessariamente nos cálculos, mas na hipótese de que as características demográficas de uma época seriam permanentes. O modelo transformou uma tendência histórica em uma regra para o futuro, sem considerar suficientemente as mudanças que poderiam alterar a trajetória da população. O economista resume esse risco com um exemplo hipotético: “Um observador em 200 a.C., extrapolando as tendências neolíticas, teria superestimado enormemente o crescimento populacional futuro, com a população alcançando seu tamanho atual por volta do ano 1000”. A comparação evidencia uma limitação importante das projeções: uma equação pode descrever bem os dados disponíveis e, ainda assim, falhar quando as condições que sustentavam aquela tendência deixam de existir. No caso da população mundial, transformações sociais e econômicas, mudanças nos padrões familiares e o acesso à educação e aos métodos contraceptivos contribuíram para a queda da fecundidade em diversas regiões. A desaceleração, contudo, não aconteceu de maneira uniforme, destaca o portal Nautilus. Países e regiões apresentam ritmos e desafios demográficos distintos. O que os dados atuais mostram Os números ajudam a dimensionar essa mudança. Segundo a série do Banco Mundial, baseada em dados demográficos das Nações Unidas, a taxa de fecundidade total no mundo passou de aproximadamente 4,7 filhos por mulher em 1960 para 2,2 em 2024. O indicador estima quantos filhos uma mulher teria ao longo da vida caso as taxas de fecundidade por idade daquele ano permanecessem constantes. Ele não deve ser confundido com a taxa bruta de natalidade, que mede o número de nascimentos em relação à população total. As projeções das Nações Unidas também estão longe do cenário imaginado em 1960. De acordo com a revisão World Population Prospects 2024, a população mundial, estimada em 8,2 bilhões de pessoas naquele ano, deverá atingir um pico de aproximadamente 10,3 bilhões em meados da década de 2080. Depois disso, a previsão é de uma redução gradual, para cerca de 10,2 bilhões em 2100. Essas estimativas não eliminam os desafios relacionados à distribuição de alimentos, à pressão sobre os recursos naturais ou ao envelhecimento populacional. Mostram, porém, que o crescimento demográfico segue uma trajetória muito mais complexa do que aquela representada pela curva de von Foerster e seus colegas. Uma lição sobre ciência e espetáculo A história tem ainda um componente de ironia: 13 de novembro é o aniversário de von Foerster, que, em determinada fase da vida, também se dedicou à mágica de palco. A escolha da data e o tom provocativo do artigo reforçaram o caráter teatral da previsão, embora o trabalho estivesse fundamentado em dados e cálculos matemáticos. Para o historiador Alan MacEachern, a combinação entre uma argumentação científica consistente e uma apresentação extraordinária foi justamente o que manteve o artigo relevante. “Chamar a atenção do mundo para um assunto sério por meio do absurdo é um bom truque”, escreve, em artigo no The Conversation. O episódio não demonstra que a matemática seja incapaz de antecipar tendências, mas que nenhuma projeção está livre das hipóteses sobre as quais foi construída. Quando essas premissas são tratadas como verdades permanentes, até cálculos sofisticados podem produzir conclusões enganosas.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 13/10/2026
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Tubarão-baleia nada por 54 mil km e quebra recorde para a espécie; vídeo
Um tubarão-baleia chamado Milo já percorreu mais de 54 mil km pelos oceanos e, após quase uma década de acompanhamento, estabeleceu um recorde mundial de monitoramento dos deslocamentos de um tubarão. O feito oferece novas pistas sobre os hábitos migratórios desses gigantes marinhos. Milo é um macho de aproximadamente oito metros de comprimento que vem sendo acompanhado desde 2017 por pesquisadores da Fundação Guy Harvey, da organização mexicana Ch'ooj Ajauil AC, da Universidade Nova Southeastern e da Universidade de Rhode Island, nos Estados Unidos. Em julho de 2026, o animal recebeu seu quinto transmissor por satélite, permitindo a continuidade de um dos mais longos registros de movimentação de um tubarão já realizados. Ao longo de quase dez anos, Milo percorreu diferentes regiões do Oceano Atlântico, incluindo o Golfo do México, as ilhas do norte do Caribe, águas a leste das Bermudas e áreas ao norte de Massachusetts, nos Estados Unidos. Apesar das viagens, ele retorna regularmente a uma região próxima à Península de Yucatán, no México, onde tubarões-baleia se reúnem anualmente para se alimentar. Foi justamente esse comportamento que permitiu aos pesquisadores reencontrar Milo diversas vezes. Os tubarões-baleia (Rhincodon typus) podem ser identificados individualmente pelos padrões únicos de manchas em seus corpos e pelo formato de suas nadadeiras dorsais. O primeiro transmissor instalado em Milo, em 2017, funcionou por apenas algumas semanas, quando os cientistas ainda aperfeiçoavam a técnica de monitoramento. Nos anos seguintes, novos dispositivos foram fixados à nadadeira do animal, em 2018, 2020, 2023 e 2026, possibilitando a coleta de dados por um período sem precedentes. Confira abaixo: "Estudos de longo prazo como esses são fundamentais para compreender melhor a história de vida completa desses animais longevos", afirmou Guy Harvey, fundador da Fundação Guy Harvey, em comunicado. Segundo ele, conseguir instalar transmissores cinco vezes no mesmo indivíduo e acompanhá-lo por quase uma década é algo inédito e pode fornecer informações importantes para a conservação da espécie. Uma vida de viagens pelo Atlântico Considerados os maiores peixes do mundo, os tubarões-baleia podem atingir quase 19 metros de comprimento. Embora sejam conhecidos por seus hábitos solitários e grandes deslocamentos, esses animais também podem se reunir em grupos numerosos em locais onde há abundância de alimento. Todos os verões no Hemisfério Norte, tubarões-baleia e raias-manta de diferentes regiões do Golfo do México e do Atlântico Norte se concentram nas águas próximas à Península de Yucatán. Ali, alimentam-se de ovos e larvas de peixes que ficam próximos à superfície do mar. Após uma redução no número de animais observados na região nos últimos anos, a temporada de 2026 registrou uma presença abundante de tubarões-baleia e raias-manta, com centenas de indivíduos avistados diariamente. O comportamento de Milo também chamou a atenção dos cientistas pela capacidade de adaptação a diferentes ambientes. Apesar de realizar migrações de longa distância pelo Atlântico, o animal também consegue permanecer durante meses em áreas relativamente pequenas. "Milo revelou o quanto os tubarões-baleia podem ser flexíveis", disse Mahmood Shivji, diretor do Instituto de Pesquisa Guy Harvey da Universidade Nova Southeastern. Segundo o pesquisador, esses animais conseguem viver tanto em regiões profundas e afastadas da costa quanto em águas costeiras rasas, apesar das grandes diferenças entre esses ambientes. Por que acompanhar esses animais é importante? Desde 2017, a equipe de pesquisadores instalou 48 transmissores por satélite nas nadadeiras de tubarões-baleia da região, com o objetivo de compreender melhor seus padrões migratórios. A espécie é classificada como ameaçada de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), principalmente devido à pesca excessiva e às colisões com embarcações. Pesquisas anteriores do Instituto de Pesquisa Guy Harvey também indicaram que esses animais podem viver mais de 125 anos, o que torna o acompanhamento de longo prazo especialmente importante para compreender seu ciclo de vida. Nesse contexto, os dados obtidos com Milo ajudam a identificar quais ambientes são utilizados pelos tubarões-baleia ao longo dos anos e podem orientar estratégias de proteção da espécie. Agora, o trabalho continua, e os deslocamentos de Milo e de outros animais monitorados pela equipe podem ser acompanhados pela plataforma GHRITracking.org.
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Papagaio ameaçado de extinção é resgatado enrolado em jiboia; fotos
Um filhote de papagaio-de-porto-rico (Amazona vittata), espécie ameaçada de extinção, foi salvo por um biólogo ao ser encontrado preso pelo corpo de uma jiboia (Boa constrictor) no alto de uma haste de bambu, na floresta de Maricao, em Porto Rico. O resgate foi realizado por Raúl Correa, técnico em ciências biológicas do USFWS (Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos). Segundo publicação compartilhada pelo órgão nas redes sociais na última terça-feira (6), os gritos de alerta de um grupo de papagaios chamaram a atenção do profissional, que seguiu os sons até localizar o filhote e a serpente. Correa agiu rapidamente para interromper o ataque. Ao cortar a haste de bambu, fez com que a cobra soltasse o jovem papagaio. Ao examiná-lo, verificou-se que ele provavelmente havia deixado o ninho havia cerca de um mês. O bicho foi observado durante a noite e, aparentando estar em boas condições, foi devolvido à floresta no dia seguinte, quando voltou a voar com os pais. A serpente, por sua vez, foi capturada e sacrificada. O corpo do animal foi encaminhado a um laboratório para a condução de uma análise sobre a sua dieta, em uma iniciativa que conta com a colaboração da Universidade de Porto Rico em Mayagüez. Veja as imagens do resgate no post abaixo: Initial plugin text Espécie ameaçada O episódio destaca os desafios para a conservação do papagaio-de-porto-rico, também conhecido como amazona-de-porto-rico. A espécie é classificada pela lista vermelha da IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) como criticamente. Restam apenas algumas centenas desses papagaios na natureza. Entre as principais ameaças à sobrevivência da espécie estão a destruição de seu habitat, as doenças e a presença de animais invasores, que podem atacar indivíduos nativos, disputar recursos e alterar o equilíbrio dos ecossistemas. A situação é especialmente preocupante em ilhas, onde populações de animais podem ficar isoladas e ter menos defesas contra predadores introduzidos em seu ambiente. Nesse contexto, a presença de uma serpente invasora representa um risco adicional para uma espécie que já enfrenta dificuldades para se recuperar. Serpente invasora Até a década de 1990, a maior serpente encontrada em Porto Rico era a jiboia nativa (Chilabothrus inornatus), cujos exemplares medem, em média, entre um e dois metros de comprimento. A situação mudou com a introdução de uma população de jiboias-constritoras, espécie nativa da América Central e do Sul e ligeiramente maior que a serpente local. Como lembra o portal IFLScience, a entrada desses animais na ilha provavelmente está ligada ao comércio de animais silvestres. Nas décadas seguintes, a espécie introduzida passou a representar uma ameaça crescente à fauna nativa. As jiboias são serpentes constritoras, ou seja, capturam suas presas envolvendo-as com o corpo e apertando-as até imobilizá-las. Além de predar animais locais, podem competir com predadores nativos por alimento. A presença de serpentes invasoras também pode favorecer a transmissão de vírus que afetam outras espécies de cobras. Controle da espécie O caso da floresta de Maricao se soma a outros episódios de impacto causado por serpentes introduzidas em ambientes onde não ocorrem naturalmente. Nos Everglades, região de áreas alagadas da Flórida, nos Estados Unidos, a píton-birmanesa (Python bivittatus) e outras cobras invasoras também ameaçam populações de animais nativos. Em Porto Rico, a manutenção de jiboias como animais de estimação é ilegal. A restrição busca evitar que esses animais sejam soltos no ambiente e ampliem o problema ecológico. O salvamento do filhote mostra como a intervenção humana pode ser decisiva para proteger indivíduos de uma espécie ameaçada. Ao mesmo tempo, evidencia que a recuperação da fauna nativa depende de medidas mais amplas, como a preservação dos habitats, o monitoramento de espécies invasoras e o controle de suas populações.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 13/10/2026
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Estudo da USP usa estimulação cerebral para reduzir desejo por comida em pessoas obesas
Apenas cinco dias de estimulação cerebral não invasiva, combinados a sessões de educação nutricional, foram capazes de reduzir o desejo intenso por comida (food craving) em mulheres com obesidade. Os resultados vêm de um estudo-piloto conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e publicado na revista Physiology & Behavior. A obesidade é considerada um dos principais problemas de saúde pública no mundo – e sua prevalência é maior entre as mulheres. Projeções do World Obesity Atlas indicam que, em 2030, aproximadamente 346 milhões de homens terão obesidade grau 1 – índice de massa corporal (IMC) entre 30 e 34,9 kg/m2 – e 141 milhões terão obesidade grau 2 (entre 35 e 39,9 kg/m2) ou mais. Entre as mulheres, esses números são 399 milhões e 244 milhões, respectivamente. Além das alterações metabólicas, como resistência à insulina, estudos de neuroimagem indicam que a doença está associada também a mudanças em áreas do cérebro relacionadas ao controle cognitivo, à recompensa e ao comportamento alimentar. Uma dessas regiões é o córtex pré-frontal dorsolateral, envolvido na tomada de decisão e na autorregulação. Especula-se que a atividade dessa área do cérebro possa estar reduzida em pessoas com obesidade. No estudo, a região foi alvo da estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS, na sigla em inglês) – técnica indolor e não invasiva que consiste em aplicar uma corrente elétrica de baixa intensidade (2 miliamperes, no caso) sobre o couro cabeludo por meio de eletrodos esponjosos embebidos em soro fisiológico, modulando a excitabilidade dos neurônios da região-alvo. A investigação foi conduzida com apoio da FAPESP. Como foi feito No experimento, 11 mulheres entre 20 e 40 anos, com obesidade grau 1 ou 2, receberam três sessões de 20 minutos por dia (15 aplicações no total) de estimulação ativa, feita com corrente elétrica de baixa intensidade e aplicada por eletrodos posicionados sobre a cabeça, durante cinco dias consecutivos. Um grupo-controle com o mesmo número de participantes recebeu apenas estimulação simulada. Entre uma sessão e outra, havia intervalos de 20 minutos, usados para atividades de educação nutricional. Foram abordados temas como nutrientes, saciedade, alimentação consciente, leitura de rótulos, hidratação, sono, fome física e emocional e controle das porções. A proposta dos pesquisadores era combinar a neuromodulação a uma intervenção voltada ao comportamento alimentar. Antes e depois da intervenção, foram avaliados peso, IMC, circunferências e composição corporais, além de apetite, food craving e comportamento alimentar. As participantes voltaram ao laboratório para novas avaliações um, três e seis meses depois. “A estimulação ativa reduziu o desejo por comida, tanto logo após a intervenção quanto a longo prazo”, conta Marina Rodrigues Giuliani, primeira autora do artigo e nutricionista do Laboratório de Estudos em Nutrição, Neurociências e Metabolismo (Lannem-USP). “Os resultados sugerem que a neuromodulação pode influenciar esse aspecto do comportamento alimentar, mesmo sem produzir alterações significativas no peso.” O protocolo não produziu alterações no peso corporal, no IMC ou na composição corporal (proporção de gordura e massa magra) das participantes ao longo de todo o acompanhamento. Essa estabilidade na balança já era esperada pelos autores, uma vez que o protocolo teve a duração de apenas cinco dias e não foi associado a uma dieta com restrição calórica. O foco principal da intervenção foi a modulação neurocomportamental do desejo por comida, e não a perda de peso imediata. Os pesquisadores também analisaram três aspectos do comportamento alimentar: o controle consciente da ingestão, o comer descontrolado e o comer emocional. Tanto o grupo que recebeu estimulação real quanto o que recebeu a simulada apresentaram melhoras no controle consciente e redução do comer descontrolado. Como todas as voluntárias passaram pelas mesmas oficinas, os autores avaliam que o aprendizado nutricional foi determinante para essas mudanças comportamentais. Não foram registrados eventos adversos importantes. Potencial como terapia complementar Por se tratar de um estudo-piloto, os resultados são considerados preliminares. Ainda assim, os achados indicam que a estimulação pode integrar o tratamento da obesidade, como já acontece com outras doenças. “A obesidade ainda é uma doença muito prevalente e de difícil tratamento – mesmo quando há perda de peso com tratamento médico ou cirúrgico, o risco de recidiva é alto”, comenta Vivian Marques Miguel Suen, professora do Departamento de Clínica Médica da FMRP-USP e orientadora do estudo. “A ideia é que a estimulação possa funcionar como uma ferramenta complementar, ajudando a controlar o desejo por comida e, eventualmente, potencializando o efeito de outras terapias.” O próximo passo dos pesquisadores é testar a estimulação magnética – uma técnica também não invasiva que utiliza pulsos magnéticos focados para induzir correntes elétricas no tecido cerebral, modulando a atividade neuronal de forma mais focal e profunda do que a corrente contínua da tDCS – em pessoas com obesidade e transtorno de compulsão alimentar. Este artigo foi publicado originalmente pela Agência FAPESP
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Mapa 3D inédito mostra como moléculas de gordura ajudam a organizar o cérebro
Pesquisadores da EPFL (Escola Politécnica Federal de Lausanne), na Suíça, desenvolveram um mapa tridimensional que identifica 539 regiões quimicamente distintas no cérebro de camundongos. O estudo mostra como os lipídios se distribuem pelo órgão e revelam características que podem passar despercebidas em análises anatômicas e genéticas convencionais. Publicado em setembro na revista Nature, o trabalho também identificou alterações expressivas na composição dessas moléculas durante a gravidez de ratas. Os resultados ampliam as possibilidades de investigação sobre a organização cerebral e podem ajudar cientistas a estudar mudanças associadas ao envelhecimento e a doenças como Alzheimer e depressão. Para construir o atlas, a equipe analisou 172 tipos de lipídios em 109 fatias de tecido cerebral, coletadas de 11 camundongos. O conjunto de dados, com aproximadamente 7 milhões de medições, foi processado por ferramentas de aprendizado de máquina para reconstruir a distribuição das moléculas em três dimensões. Lipídios revelam uma nova camada da organização cerebral Embora, nos últimos anos, os cientistas tenham avançado no estudo das células, dos genes e das conexões nervosas, a distribuição dos lipídios no cérebro continuava sendo relativamente pouco conhecida. Essas moléculas formam as membranas que envolvem as células, participam da constituição da mielina — camada que reveste e protege as fibras nervosas — e contribuem para a comunicação entre os neurônios. Uma das dificuldades relacionadas a isso é que as técnicas convencionais de imagem não conseguem distinguir facilmente os diferentes tipos dessas moléculas e determinar onde cada um se concentra. “Portanto, os cientistas têm apenas uma visão imprecisa de como os lipídios diferem de uma parte do cérebro para outra”, afirma Giovanni D’Angelo, professor da EPFL e um dos pesquisadores envolvidos no projeto, em comunicado. “Essa lacuna é importante, porque as alterações nos lipídios cerebrais estão cada vez mais associadas a doenças que vão da depressão ao Alzheimer.” Para superar essa limitação, a equipe recorreu à espectrometria de massa por imagem, uma técnica que identifica moléculas presentes em pequenas seções de tecido. Um equipamento analisa pontos sucessivos de cada amostra e registra quais substâncias estão presentes em cada local. Depois, os dados são combinados por métodos computacionais para identificar padrões na composição química. Regiões distantes compartilham assinaturas químicas Os pesquisadores denominaram “lipizonas” as 539 regiões identificadas no atlas. Cada uma apresenta uma combinação característica de lipídios, formando uma assinatura química que permite distingui-la das áreas vizinhas. Algumas dessas zonas correspondem a estruturas cerebrais já conhecidas. Outras revelam semelhanças entre grupos de corpos celulares nervosos e regiões distantes conectadas por suas fibras. Essas relações podem ser difíceis de perceber em mapas que se concentram na atividade dos genes. “Na prática, os lipídios funcionam como códigos postais, atribuindo o mesmo endereço químico a partes distantes, mas relacionadas, do cérebro”, explica D’Angelo. A equipe demonstrou a utilidade dessa assinatura ao conseguir identificar a origem de uma amostra de tecido cerebral com base em sua composição lipídica. O resultado indica que as moléculas podem funcionar como marcadores para reconhecer regiões e relações que complementam as informações fornecidas pela anatomia. Substância branca esconde diversidade química O levantamento também questionou a ideia de que determinadas partes do cérebro apresentam uma composição relativamente uniforme. Um exemplo é a substância branca, tecido formado principalmente por fibras nervosas que conectam diferentes áreas cerebrais. Apesar de sua aparência homogênea, essa região abriga diversas zonas com composições lipídicas próprias. A descoberta sugere que as células responsáveis pela produção da mielina, substância que envolve as fibras nervosas e favorece a transmissão dos impulsos elétricos, apresentam uma diversidade química maior do que a indicada apenas pelos seus genes. Os cientistas encontraram ainda divisões químicas que não haviam sido identificadas anteriormente no plexo coroide, estrutura que produz o líquido cefalorraquidiano, fluido que envolve o cérebro e a medula espinhal. Diferenças também apareceram nos tecidos que revestem as cavidades internas do órgão. Esses resultados reforçam a importância de considerar a composição molecular, além da anatomia e da atividade genética, para compreender como o cérebro está organizado. Gravidez está associada a mudanças nos lipídios cerebrais Ao investigar ratas grávidas, a equipe encontrou alterações significativas na composição lipídica de várias regiões do cérebro. Em termos gerais, essas diferenças foram mais acentuadas do que as normalmente observadas entre machos e fêmeas. O córtex, camada externa do órgão envolvida em funções como memória, percepção e pensamento, apresentou mudanças particularmente amplas. Na substância branca, os pesquisadores observaram um aumento expressivo dos níveis de galactosilceramida, lipídio importante para a formação e a manutenção da mielina. Os achados indicam que a gestação está associada a mudanças na composição química cerebral. Uma hipótese é que essas alterações contribuam para adaptar o sistema nervoso às novas demandas fisiológicas do organismo. O estudo, porém, não estabelece diretamente quais funções são afetadas nem comprova a finalidade dessas mudanças. “Em conjunto, essas mudanças sugerem que o cérebro reconfigura suas próprias conexões para atender às demandas da gravidez”, afirma Gioele La Manno, outro pesquisador envolvido no trabalho. “O Atlas revela que o cérebro ajusta constantemente seus lipídios para atender às necessidades mutáveis do corpo.” Ferramenta pode orientar pesquisas sobre doenças Disponível gratuitamente na internet, o Atlas de Lipídios Cerebrais oferece uma referência para estudar como a composição química varia entre regiões e se modifica ao longo do tempo. A expectativa é que a ferramenta possa ser combinada com mapas genéticos e celulares para aprofundar a compreensão do desenvolvimento cerebral e das alterações associadas ao envelhecimento e a doenças neurológicas. O modelo, entretanto, foi construído com tecido cerebral de camundongos. Seus resultados não podem ser transferidos diretamente para seres humanos, já que a organização molecular pode apresentar diferenças entre as espécies. A abordagem desenvolvida pelos pesquisadores poderá ser utilizada para investigar se padrões semelhantes existem no cérebro humano. “O que se transfere para os humanos não é o mapa, mas o método, e o fato de agora sabermos que um cérebro saudável possui um mapa lipídico muito bem organizado”, observa Fusar Bassini, primeiro autor do artigo. O atlas estabelece, assim, uma nova referência para investigar o papel dos lipídios na biologia cerebral e oferece aos cientistas uma maneira de explorar aspectos da organização do órgão que, até então, eram difíceis de observar.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 13/10/2026
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"Mudanças climáticas" ou "mudança climática"? Por que optar pelo singular faz diferença
Numa das minhas primeiras visitas ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), fui imediatamente corrigido pelo professor Niro Higuchi, uma referência nacional em floresta Amazônica, quando usei a expressão “mudanças climáticas”. “Não use o plural. O correto é ‘mudança climática’, ensinou. Minha primeira reação foi pensar que tudo não passava de preciosismo. Um excesso acadêmico, certamente. Mas depois aprendi que esta sutil diferença carrega uma importante mensagem que faz toda a diferença. O artigo do geoquímico Wallace Broecker, publicado em 1975 na revista Science, intitulado Climatic Change: Are We on the Brink of a Pronounced Global Warming?”, chamou atenção para uma alteração de estado no sistema terrestre. O uso da expressão “climate change” no singular refletia a visão termodinâmica e física de uma transição de um equilíbrio climático para outro. Wallace Smith Broecker (1931–2019) foi um dos mais influentes geoquímicos e paleoclimatologistas do século XX. Professor da Universidade de Columbia e pesquisador no renomado Lamont-Doherty Earth Observatory, Broecker dedicou sua carreira a desvendar o papel dos oceanos na regulação climática, sendo o pioneiro a conceituar a Circulação Termoalina Global (correntes oceânicas profundas) e a demonstrar que o clima da Terra pode sofrer mudanças abruptas e não lineares. O artigo de 1975 surgiu em um momento de intenso debate e aparente contradição científica. Entre as décadas de 1940 e o início dos anos 1970, os registros meteorológicos globais indicavam um leve resfriamento nas temperaturas médias da superfície terrestre. Esse declínio temporário alimentou especulações na imprensa e entre alguns cientistas sobre a iminência de uma nova era glacial, ofuscando as preocupações com as emissões de dióxido de carbono decorrentes da queima de combustíveis fósseis. Broecker demonstrou no artigo que o resfriamento observado nas décadas anteriores não anulava o aquecimento global, mas decorria de uma combinação entre a poluição por aerossóis e ciclos naturais de resfriamento em escala multidecadal, identificados a partir de amostras de gelo da Groenlândia (Camp Century). No artigo, ele argumentou que essa fase de arrefecimento natural estava mascarando o aquecimento gerado pelo aumento exponencial do dióxido de carbono (CO₂) atmosférico. Assim que esse ciclo natural revertesse de fase, o efeito estufa antropogênico dominaria o balanço térmico do planeta. Com notável precisão, Broecker previu que nas primeiras décadas após a virada do século 21, o planeta entraria em uma trajetória de aquecimento pronunciado. Além de seus cálculos, o artigo entrou para a história por popularizar a expressão global warming (aquecimento global), deslocando a atenção da comunidade internacional para os riscos da intervenção humana no equilíbrio termodinâmico global. Conceitualmente, expressão surgiu no singular Quando o tema ganhou a arena diplomática no final da década de 1980, o singular continuou a ser a norma nos documentos oficiais. Em 1988, a Assembleia Geral da ONU aprovou a histórica Resolução 43/53, que tinha como título “Proteção do clima global para as gerações presentes e futuras”. A resolução chamava a atenção para que a conservação do clima fosse entendida como uma importante herança para as futuras gerações. Aqui, vale destacar a diferença entre tempo e clima. Tanto o trabalho de Broecker quanto a resolução da ONU trazem o clima como elemento central. De certa forma, para a grande maioria das pessoas, a sensação diária expressa pelo tempo acaba sendo muito mais relevante que a compreensão a longo prazo determinada pelo clima… Enquanto o tempo (weather) corresponde às condições e eventos atmosféricos de curto prazo que ocorrem a cada dia (como chuva, vento e oscilações diárias de temperatura). O clima (climate) descreve o padrão e o comportamento médio dessas condições em uma determinada região ao longo de um extenso período temporal. Tradicionalmente, o clima é analisado por meio de médias de 30 anos (conhecidas como Normais Climatológicas). Esta concepção de longo prazo molda, como veremos a seguir, a ideia de uma mudança de padrão climático. Na esteira da Resolução 43/53, os tratados multilaterais da Rio-92 consolidaram a expressão jurídica no singular. Como pode ser visto na criação da United Nations Framework Convention on Climate Change (UNFCCC, em português: Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima). Na língua inglesa, a palavra change da expressão climate change é tratada como um substantivo incontável. A forma no plural, climate changes, soa estranha, não idiomática, e é raramente empregada na literatura técnica ou na imprensa anglófona. Por outro lado, em línguas latinas, notadamente o português, o uso do plural começou a ganhar força a partir da década de 1990, impulsionado pela divulgação dos relatórios do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change, criado em 1988 ). Essa divergência entre os idiomas decorre fundamentalmente de características gramaticais e semânticas próprias da tradição latina. Em português (mudanças climáticas), espanhol (cambios climáticos) e francês (changements climatiques), o substantivo derivado do latim é eminentemente contável. Esses idiomas têm uma tendência natural a pluralizar conceitos abstratos para descrever suas manifestações práticas, dinâmicas e empíricas. Popularização do plural Quando tratados e relatórios da ONU e do IPCC começaram a ser traduzidos do inglês para as línguas latinas no final dos anos 1980 e ao longo dos anos 1990, os tradutores e cientistas naturalmente adotaram o plural para sinalizar que o fenômeno não era apenas uma alteração única de temperatura, mas sim um conjunto amplo e interconectado de perturbações (regimes de chuva, ventos, eventos extremos, nível do mar). Curiosamente, a diplomacia estrita e o direito internacional, optaram por espelhar o singular do inglês de forma literal: por exemplo, na tradução de IPCC: Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima. No entanto, fora desse nicho jurídico, o plural popularizou-se. No Brasil, a transição e a popularização do plural “mudanças climáticas” ocorreram de forma marcante ao longo da década de 2000. Durante toda a década de 1990, o debate público e governamental no país esteve fortemente condicionado pelo vocabulário diplomático herdado da Rio-92. Nesse período inicial, os círculos governamentais, o Ministério do Meio Ambiente e a diplomacia do Itamaraty utilizavam quase exclusivamente o singular, espelhando o texto da Convenção-Quadro da ONU. O tema ainda circulava restrito a fóruns multilaterais e a grupos especializados, onde o foco recaía sobre o balanço radiativo global como um processo termodinâmico único. O cenário começou a mudar quando o debate extravasou os gabinetes diplomáticos e ganhou as redações dos grandes jornais, as ONGs socioambientais e os programas de pós-graduação multidisciplinares. Eventos climáticos de grande repercussão na época, como o Furacão Catarina em 2004 e a seca histórica na Amazônia em 2005, somados ao impacto da divulgação do 4º Relatório do IPCC (AR4) e ao documentário “Uma Verdade Inconveniente” em 2007, geraram uma explosão de cobertura midiática. A imprensa brasileira e a divulgação científica adotaram o plural “mudanças climáticas” para traduzir a diversidade de impactos perceptíveis no cotidiano da população, como secas, enchentes, ondas de calor e perdas agrícolas. A consagração do plural na comunidade científica brasileira ficou evidente na institucionalização das grandes redes de fomento e pesquisa criadas no fim daquela década. Em 2007, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação estruturou a Rede CLIMA (formalizada como Rede Brasileira de Pesquisas sobre Mudanças Climáticas Globais), e, em 2008, a FAPESP lançou seu Programa de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais. A partir desse momento, estabeleceu-se a divisão que persiste até hoje no país. A esfera estritamente jurídica e legal manteve o singular por tradição formal, como na Lei Federal 12.187/2009, que instituiu a Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC). O meio acadêmico (de modo geral), a imprensa, as organizações civis e o público geral consolidaram o plural como a forma espontânea de comunicação. Por que a expressão no singular é cientificamente mais correta Aqui, gostaria de defender o uso do termo no singular: mudança climática ou mudança do clima. É fundamental apresentar o fenômeno como um processo integrado, sistêmico e termodinamicamente unificado, superando a fragmentação perceptiva que o plural muitas vezes induz. Do ponto de vista da física do sistema Terra, o que a humanidade enfrenta não é uma multiplicidade desconexa de fenômenos climáticos isolados. Mas sim uma alteração global do estado de equilíbrio do balanço de energia do planeta. Ao utilizar o singular, reforça-se o caráter estrutural e matricial do problema: o acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera altera a retenção de radiação infravermelha, gerando um desequilíbrio radiativo contínuo. O uso do plural (mudanças climáticas) tende a direcionar o foco cognitivo e comunicacional para as consequências locais e episódicas, como secas em uma bacia hidrográfica, enchentes em outra região, elevação do nível do mar ou variações sazonais de temperatura. Embora vitais para a avaliação de risco e mitigação de perdas, esses eventos são manifestações empíricas e sintomas de uma causa subjacente única. Tratar o macroprocesso no singular resgata a causalidade primária e evita que o debate público trate alterações hidrológicas, meteorológicas e térmicas como crises paralelas ou desarticuladas. A discussão entre singular ou plural, como eu inicialmente pensei, não é um mero rigor acadêmico. Adotar o singular, portanto, confere rigor e clareza ao discurso. Estabelece que o que estamos observando é uma transformação profunda e singular na termodinâmica que sustenta a biosfera terrestre. Este artigo foi escrito por Eric Bastos Gorgens, professor e pesquisador da UFVJM (Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri), e publicado originalmente no site The Conversation
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Este local da Terra possui rochas muito parecidas com as da Lua
Uma formação rochosa no sul de Madagascar chamou a atenção pela sua composição ser semelhante à de rochas que formam as regiões mais brilhantes da Lua. Fotografado por um astronauta a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), o maciço de Saririaky se destaca na paisagem árida da região e oferece pistas sobre processos geológicos que transformaram a crosta terrestre há centenas de milhões de anos. A imagem foi registrada em 28 de agosto, durante a Expedição 75 da ISS, e divulgada pelo Observatório da Terra da NASA. A formação é composta principalmente por anortosito, uma rocha ígnea que também é abundante nas terras altas lunares. Segundo estudosgeológicos, sua origem remonta ao final do Pré-Cambriano, há pelo menos 600 milhões de anos. Atualmente, a área exposta ocupa aproximadamente 100 quilômetros quadrados. Embora seja frequentemente associada à Lua, a anortosita também ocorre em diferentes partes da Terra, como o leste do Canadá, a Escandinávia, o sul da Índia e Madagascar. No caso de Saririaky, sua coloração clara contrasta com as rochas ao redor, tornando a formação facilmente identificável quando observada do espaço. Como se forma uma rocha semelhante às lunares? A anortosita é uma rocha ígnea intrusiva, formada quando o material rochoso derretido esfria e se solidifica abaixo da superfície. Esse resfriamento lento permite que os minerais desenvolvam cristais relativamente grandes. Na Lua, a origem de rochas desse tipo está associada a um processo muito mais antigo. Há mais de 4 bilhões de anos, o satélite natural provavelmente tinha sua superfície coberta por um vasto oceano de magma. À medida que esse material esfriava, determinados minerais cristalizavam e se acumulavam nas camadas superiores, contribuindo para a formação da crosta lunar primitiva. Essas rochas compõem boa parte das terras altas brilhantes da Lua, regiões claras que podem ser observadas da Terra sem a necessidade de instrumentos. Amostras coletadas durante as missões Apollo permitiram que cientistas investigassem sua composição e reconstruíssem parte da história geológica do satélite. Na Terra, depósitos de anortosito ajudam a ampliar essas investigações. Como as amostras lunares disponíveis são limitadas, estudar formações terrestres com características semelhantes permite compreender melhor os processos envolvidos na formação e na evolução dessas rochas. Um exemplo está nas montanhas Beartooth, em Montana, nos Estados Unidos, onde existem depósitos com composição comparável à de anortositos lunares. Vestígios de um supercontinente Além de sua semelhança com as rochas da Lua, o maciço de Saririaky está inserido em uma região que preserva evidências de intensas transformações tectônicas. A formação fica em uma zona de cisalhamento dúctil, área em que as rochas podem se deformar sob temperaturas e pressões elevadas, dobrando-se e esticando-se gradualmente em vez de simplesmente se romperem. Esse processo pode alterar a estrutura e a textura dos minerais e está associado ao metamorfismo, conjunto de transformações físicas e químicas que as rochas sofrem sem necessariamente derreter. Estudos geológicos identificaram estruturas aproximadamente paralelas, orientadas de norte a sul, nas rochas da região. Esses padrões são indícios da deformação que afetou a crosta terrestre durante eventos tectônicos antigos. Parte dessas transformações é associada à formação de Gondwana, um supercontinente que reuniu territórios que hoje correspondem a regiões da África, da Índia, de Madagascar, da Austrália e da Antártida, entre outras áreas. A aproximação e a colisão de massas continentais provocaram pressões e temperaturas capazes de remodelar extensas porções da crosta. Pesquisadores também propuseram que outro maciço de anortosito, situado aproximadamente 60 quilômetros ao norte de Saririaky, pode ter feito parte de uma única estrutura rochosa no passado. Segundo essa hipótese, forças tectônicas teriam esticado e fragmentado o corpo original, separando-o em segmentos. O fenômeno é conhecido como boudinagem, processo no qual uma camada ou massa rochosa mais resistente se divide em blocos alongados durante a deformação do material ao redor. Se essa interpretação estiver correta, as duas formações podem preservar vestígios das forças envolvidas na reorganização dos continentes durante a formação de Gondwana. Uma janela para a história da Terra e da Lua A fotografia de Saririaky mostra como estruturas geológicas antigas podem permanecer expostas na superfície terrestre mesmo após centenas de milhões de anos de transformações. Sua composição também reforça a importância de investigar rochas terrestres para compreender materiais encontrados em outros corpos celestes. Apesar das semelhanças, a idade e a história geológica da formação de Madagascar são diferentes das das terras altas lunares, que remontam aos primeiros estágios da evolução do satélite. A comparação entre elas permite investigar características minerais compartilhadas sem pressupor que tenham se formado pelos mesmos processos ou na mesma época. A imagem da NASA foi produzida com uma câmera digital Nikon Z9 equipada com uma lente de 400 milímetros. O registro, identificado como ISS075-E-85249, foi fornecido pela Instalação de Observação da Terra da Tripulação da ISS e pela Unidade de Ciências da Terra e Sensoriamento Remoto do Centro Espacial Johnson. A fotografia passou por recorte e ajustes de contraste, além da remoção de artefatos ópticos.
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Mini robô com tamanho de grão de arroz leva remédio diretamente ao coração
Engenheiros da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, desenvolveram microrrobôs capazes de transportar medicamentos diretamente para regiões infectadas do coração. Com dimensões comparáveis às de um grão de arroz, os dispositivos foram projetados para liberar antibióticos no local necessário. Acredita-se que, no futuro, poderão oferecer uma alternativa menos invasiva ao tratamento de infecções cardíacas que exigem semanas de terapia intravenosa ou cirurgias de alto risco. A tecnologia foi descrita em um estudo publicado na revista Advanced Material Technologies. Os pesquisadores demonstraram o funcionamento dos robôs em modelos cardíacos simulados e em tecido cardíaco suíno. Embora os resultados sejam promissores, o sistema ainda precisa passar por testes adicionais antes de ser considerado para uso em pacientes. O principal alvo da pesquisa é a endocardite, uma infecção que atinge o revestimento interno do coração e pode comprometer suas válvulas. Segundo os pesquisadores, cerca de 50 mil pessoas desenvolvem a doença anualmente nos Estados Unidos. O tratamento convencional costuma envolver quatro a seis semanas de antibióticos intravenosos. Em casos graves, quando a terapia medicamentosa não funciona, pode ser necessária uma cirurgia cardíaca. A dificuldade está em fazer com que uma quantidade suficiente do medicamento alcance o tecido infectado. Como os antibióticos administrados pela corrente sanguínea se distribuem pelo organismo, a concentração que chega ao coração pode ser insuficiente para eliminar a infecção. Aumentar as doses também pode elevar o risco de efeitos tóxicos. Dois robôs que trabalham em conjunto Para contornar esse problema, a equipe desenvolveu um sistema composto por dois dispositivos magnéticos, chamados millirobots. Embora sejam pequenos, eles têm dimensões na escala dos milímetros, e não dos micrômetros. Sua largura é comparável à ponta de um lápis ou à cabeça de um palito de fósforo, enquanto o comprimento se aproxima do de um grão de arroz. O primeiro dispositivo, chamado de módulo de agulha, funciona como uma estação de acoplamento. Ele é projetado para se fixar delicadamente ao tecido cardíaco próximo à região infectada. O segundo, o módulo de medicamento, transporta os antibióticos até esse ponto e se conecta magneticamente à primeira estrutura, permitindo a liberação gradual do fármaco. A divisão de tarefas oferece uma vantagem importante: depois que o módulo de agulha se fixa ao tecido, o dispositivo responsável pelo transporte do medicamento pode ser substituído. Dessa maneira, seria possível administrar doses adicionais sem precisar reposicionar toda a estrutura. Os robôs são controlados por um sistema externo de bobinas eletromagnéticas, que gera campos magnéticos para orientar seus movimentos dentro do corpo. A abordagem dispensa baterias e motores nos próprios dispositivos, reduzindo a necessidade de componentes eletrônicos em estruturas tão pequenas. “Com apenas uma pequena picada de alfinete, você insere um microrrobô e realiza um procedimento sem infecção ou perda de sangue”, afirmou Axel Krieger, autor sênior do estudo e especialista em robótica médica da Universidade Johns Hopkins, em comunicado. Segundo ele, a tecnologia também poderá ser útil em outras aplicações que exijam a administração direcionada de medicamentos. Tratamento em minutos, em vez de semanas? Nos experimentos, os pesquisadores observaram que os robôs conseguiam se deslocar pelos modelos cardíacos de maneira suave, inclusive contra o fluxo sanguíneo simulado. A equipe também testou os dispositivos em tecido cardíaco suíno real, uma etapa importante para avaliar o comportamento do sistema em condições biológicas. Os pesquisadores estimam que, no futuro, a administração direcionada de antibióticos com os robôs poderá ser realizada em aproximadamente 10 minutos. Dependendo da necessidade de aplicações adicionais, o procedimento poderia durar até cerca de uma hora. Vale notar que a comparação com as quatro a seis semanas do tratamento convencional ainda representa uma possibilidade projetada pela equipe, e não um resultado já demonstrado em pacientes. Antes de chegar aos hospitais, a tecnologia ainda precisará ser avaliada em modelos mais realistas, com contrações musculares e batimentos cardíacos efetivos. Também será necessário verificar sua segurança, a precisão do posicionamento, a eficácia dos antibióticos e a capacidade de recuperar ou controlar os dispositivos após o procedimento. Possíveis aplicações contra o câncer Além das infecções cardíacas, os pesquisadores consideram que a administração localizada de medicamentos poderá ter aplicações no tratamento do câncer. A proposta é transportar substâncias terapêuticas até regiões específicas do organismo, aumentando a precisão da entrega e potencialmente reduzindo a exposição de tecidos saudáveis aos medicamentos. Por enquanto, essa possibilidade permanece no campo das perspectivas futuras. O próximo passo da equipe é testar os microrrobôs em estruturas cardíacas artificiais mais sofisticadas, capazes de reproduzir movimentos musculares e batimentos semelhantes aos de um coração real. Se os resultados forem confirmados em etapas posteriores de pesquisa, a tecnologia poderá contribuir para o desenvolvimento de tratamentos mais precisos para doenças de difícil acesso. Até lá, a principal questão será demonstrar que os dispositivos conseguem operar com segurança e eficácia dentro de um organismo vivo.
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Estudo associa Ozempic e Wegovy a alterações inesperadas nas unhas e cabelos
Medicamentos populares para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, como Ozempic e Wegovy, foram associados a uma maior frequência de alterações nas unhas, queda de cabelo e inflamação do couro cabeludo. Uma das diferenças mais expressivas foi observada no descolamento das unhas, condição conhecida como onicólise, em que a unha se separa do leito ungueal, a pele localizada abaixo dela. Entre os usuários de GLP-1, 39% relataram o problema, contra 9% daqueles que nunca utilizaram os medicamentos. A descoloração das unhas também foi mais frequente entre os usuários, atingindo 46% desse grupo, em comparação com 17% dos não usuários Os resultados, apresentados no Congresso da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia (EADV) de 2026, vêm de estudos que compararam a ocorrência desses problemas pessoas que utilizam medicamentos à base de GLP-1 com aqueles que nunca usaram essas substâncias. No total, 66% das pessoas que utilizavam medicamentos à base de GLP-1 relataram pelo menos uma alteração nas unhas. Entre os participantes que não usavam essas substâncias, o índice foi de 53%. Esses dados fazem parte de uma investigação multinacional que avaliou 575 usuários de medicamentos GLP-1 e os comparou com 1.329 pessoas com diabetes tipo 2 e/ou obesidade que nunca haviam utilizado esses tratamentos. Os participantes foram recrutados na França, nos Estados Unidos, no Brasil e no México. Perda de peso não explica todos os sintomas Os pesquisadores investigaram se as alterações poderiam estar relacionadas à perda de peso, em vez de serem consequência direta dos medicamentos. Emagrecer rapidamente pode provocar mudanças nutricionais e fisiológicas capazes de afetar a saúde das unhas e dos cabelos. No entanto, mesmo quando a análise foi restrita a participantes que haviam perdido peso, os usuários de GLP-1 continuaram a apresentar mais alterações nas unhas do que aqueles que não utilizavam os medicamentos. A associação também persistiu após ajustes para considerar condições dermatológicas preexistentes e deficiências nutricionais. Nessa análise, o descolamento e a descoloração das unhas permaneceram aproximadamente duas a três vezes mais frequentes entre os usuários. Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que a investigação não permite afirmar que os medicamentos provoquem diretamente essas alterações. Cerca de metade dos usuários já relatava problemas nas unhas antes de iniciar o tratamento, o que indica que outros fatores podem contribuir para os sintomas. “Até agora, as alterações nas unhas associadas às terapias com GLP-1 eram essencialmente anedóticas”, afirmou Charles Taïeb, o autor do estudo, em comunicado. Segundo ele, os resultados apontam para uma associação, mas não significam que todos os problemas observados durante o tratamento sejam necessariamente causados pelos medicamentos. Queda de cabelo e inflamação do couro cabeludo Um estudo complementar, realizado com os mesmos participantes, identificou diferenças também na saúde capilar. A queda de cabelo incomum foi relatada por 50% dos usuários de GLP-1, contra 34% dos não usuários. Já a redução do volume ou da densidade dos fios atingiu 42% do grupo que utilizava os medicamentos, em comparação com 19% do grupo de controle. A queda de cabelo iniciada após o começo do tratamento foi mencionada por 26% dos usuários, enquanto entre os não usuários a proporção foi de 12%. Os pesquisadores também observaram diferenças nos sintomas do couro cabeludo. A vermelhidão foi aproximadamente três vezes mais frequente entre os usuários de GLP-1. Além disso, pessoas que relataram queda de cabelo frequentemente apresentavam outros sintomas, como coceira, vermelhidão e descamação Freepik O conjunto de resultados levantou a hipótese de que a inflamação do couro cabeludo possa contribuir para as alterações capilares observadas. Isso significa que os sintomas talvez não estejam relacionados exclusivamente à perda rápida de peso. “Isso sugere que o que está acontecendo no couro cabeludo pode ir além da queda de cabelo clássica observada após perda de peso rápida e envolver um componente inflamatório”, explicou Bruno Halioua, também autor da pesquisa, como nota comunicado. Apesar de tudo, a hipótese ainda precisa ser investigada. Os dados não estabelecem quais mecanismos poderiam explicar a associação nem permitem determinar se a inflamação é uma causa direta da queda de cabelo. O que os resultados significam? Os agonistas do receptor de GLP-1 atuam em mecanismos hormonais envolvidos na regulação do apetite e da glicose no sangue. Substâncias dessa classe são utilizadas no tratamento do diabetes tipo 2 e, dependendo do medicamento e da indicação, da obesidade. Entre os exemplos estão semaglutida, princípio ativo de Ozempic e Wegovy, e liraglutida, presente em Victoza. Mounjaro e Zepbound contêm tirzepatida, que atua nos receptores de GIP e GLP-1. Embora os resultados indiquem uma possível associação com alterações dermatológicas, há limitações importantes. As investigações foram transversais, ou seja, analisaram os sintomas relatados pelos participantes sem acompanhá-los ao longo do tempo. Além disso, as informações foram obtidas por meio de relatos dos próprios participantes, e não exclusivamente por exames clínicos padronizados. Por isso, os estudos não conseguem estabelecer quando os sintomas começaram em cada caso, confirmar se foram provocados pelos medicamentos ou determinar se o risco aumenta de acordo com a dose e a duração do tratamento. A equipe pretende realizar estudos prospectivos para acompanhar pacientes desde o início do uso dos medicamentos. A proposta é realizar avaliações padronizadas da pele, dos cabelos e das unhas, além de monitorar indicadores biológicos, para investigar quando as alterações aparecem e se desaparecem com o tempo. Os pesquisadores destacam que os resultados devem servir como um alerta para a identificação e a investigação dos sintomas, e não como motivo para interromper um tratamento por conta própria. Pessoas que notarem descolamento ou mudança na coloração das unhas, queda de cabelo persistente ou inflamação do couro cabeludo devem comunicar os sintomas ao profissional de saúde responsável pelo acompanhamento. A pesquisa recebeu apoio institucional dos Laboratórios DUCRAY, pertencentes ao Grupo Pierre Fabre, especializado em produtos dermatológicos e para o cuidado capilar. Esse vínculo também deve ser considerado na avaliação dos resultados, junto às limitações metodológicas dos estudos. Até que novas pesquisas esclareçam a relação, a principal conclusão é que as alterações nas unhas, nos cabelos e no couro cabeludo merecem atenção durante o tratamento com medicamentos à base de GLP-1, mas ainda não há evidências suficientes para atribuí-las diretamente a essas substâncias.
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Jeito de falar na infância pode dar pistas sobre saúde mental no futuro
A maneira como crianças e pré-adolescentes falam pode ajudar a identificar sinais de vulnerabilidade para ansiedade, depressão e outros transtornos de saúde mental anos mais tarde. A conclusão é de um estudo que analisou, com auxílio da inteligência artificial, 204 jovens de 9 a 13 anos e acompanhou a evolução da saúde mental deles até seis anos depois. Os resultados foram publicados em julho na Nature Mental Health e apontam que o estilo da linguagem foi mais informativo do que o conteúdo emocional. Em vez de procurar apenas palavras como tristeza, medo, ansiedade ou raiva em entrevistas com os participantes, os autores identificaram informações em aspectos mais sutis da fala, considerando a forma como as narrativas eram construídas. Entre esses aspectos estavam as chamadas “palavras funcionais”, como pronomes, preposições e conjunções, expressões que usamos o tempo todo e normalmente não prestamos atenção. Por isso, sua utilização pode ajudar a revelar como uma pessoa organiza mentalmente uma experiência, conecta acontecimentos, faz referência a si própria e aos outros, ou como demonstra certeza e dúvida ao narrar uma situação. “Quando contamos uma história, fazemos escolhas linguísticas o tempo inteiro sem nem perceber. Essas escolhas podem refletir processos cognitivos e emocionais menos conscientes”, diz o psiquiatra Thiago Andrade Pedrosa, especialista em infância e adolescência do Espaço Einstein de Bem-estar e Saúde Mental, do Einstein Hospital Israelita. Uma criança pode ter dificuldade para nomear diretamente aquilo que sente. Por isso, para compreender seu estado emocional, profissionais também recorrem a outros recursos, como brincadeiras e desenhos. “Perguntar simplesmente ‘Você está triste?’ não vai capturar a experiência emocional completa daquela criança”, detalha o psiquiatra. A relação entre linguagem e estado psicológico não é exatamente uma novidade na psiquiatria. Na avaliação do estado emocional do paciente, os profissionais já observam a maneira como ele se expressa, seu vocabulário, a quantidade de palavras utilizadas e até a entonação da fala. Pesquisas anteriores, realizadas principalmente com adultos, também já haviam encontrado associações entre determinados padrões de linguagem e condições como depressão e traumas. Para Pedrosa, o que chama atenção nesse trabalho é o foco em crianças e adolescentes e o período relativamente longo de acompanhamento. “Estudos nessa faixa etária ainda são mais escassos e, em geral, envolvem grupos menores e períodos de observação mais curtos. Esse trabalho mostra que a linguagem pode funcionar como uma espécie de marcador comportamental para vulnerabilidade”, avalia. O trabalho, no entanto, fala em risco e não em destino. “Uma característica observada na fala de uma criança hoje não permite afirmar que ela desenvolverá um transtorno psiquiátrico no futuro. A trajetória de saúde mental depende de uma combinação de fatores, incluindo experiências estressantes, fatores de proteção e mudanças que acontecem ao longo da vida”, observa o psiquiatra. Marcadores de risco e fatores protetores A pesquisa identificou temas associados a maior risco de desenvolver transtornos mentais no futuro. Narrativas envolvendo violência física, conflitos interpessoais intensos, ameaças e exclusão social aparecem entre os principais marcadores de risco. “A violência vai ameaçar diretamente a sensação de segurança que essa criança tem. A exclusão social atinge outra dimensão, mas também central, que é essa sensação de pertencer”, explica Thiago Pedrosa. Ao considerar o contexto das histórias, o trabalho foi capaz de diferenciar uma narrativa genérica sobre uma briga de relatos realmente envolvendo agressão física, ameaça ou uma experiência mais ampla de rejeição social. Isso não significa, porém, que uma palavra, um pronome ou uma característica da linguagem, isoladamente, permita concluir que uma criança esteja desenvolvendo ou desenvolverá um transtorno psiquiátrico. O estudo também encontrou elementos relacionados à proteção da saúde mental. Referências a esporte, dança, escola, clubes, atividades extracurriculares e profissionais de saúde mental apareceram nas narrativas associadas a menor risco de desenvolver algum transtorno mais para a frente. Embora não possam prevenir transtornos, esses elementos representam uma rotina mais previsível e organizada, oportunidades de convivência, adultos de referência e uma rede de apoio. Para os pais, o mais importante é observar mudanças em relação ao funcionamento habitual da criança ou do adolescente, como isolamento, perda de interesse por atividades de que gostava, queda no rendimento escolar, alterações persistentes no sono ou na alimentação, irritabilidade intensa e sinais de desesperança. “Mais do que procurar uma palavra específica, a gente precisa oferecer espaço para que a criança e o adolescente se sintam seguros e contem suas experiências”, conclui o médico do Einstein. Este texto foi publicado originalmente pela Agência Einstein
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Novo estudo diz que os animais podem ter surgido muito antes do que pensávamos
Um estudo conduzido pela Universidade de Oxford, da Inglaterra, diz que os animais podem ter surgido até 200 milhões de anos antes do que indica uma teoria amplamente aceita pela ciência. A pesquisa, que acaba de ser publicada na revista Science Advances, inclui cientistas da Universidade da Califórnia e de Yale, dos Estados Unidos, e do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, da Suíça. A suposição se baseia na análise de microfósseis excepcionalmente bem preservados da Biota de Kheseen, na Mongólia. Os pesquisadores tiveram acesso a mais de 140 amostras, incluindo algumas de localidades anteriormente não documentadas, e utilizaram microscopia eletrônica de varredura para a pesquisa. Isso revelou novas espécies de microfósseis, incluindo acritarcos (pequenos organismos esféricos com espinhos e projeções ramificadas), além de fósseis semelhantes a embriões contendo células internas. Os cientistas afirmam que o material tem um nível de preservação acima da média e que nenhum dos fósseis pode ser descrito como sendo de um animal. Mesmo assim, o novo estudo coloca em xeque noções anteriores, que tinham como base a Biota de Weng'an, na China. Essa localidade também preserva organismos microscópicos com detalhes surpreendentes, mas nenhum corresponde a animais. “Cientistas, portanto, inferiram que os primeiros animais devem ter surgido após Weng'an, assumindo que esse depósito fóssil excepcional os teria preservado caso existissem nessa época”, explica o comunicado da Universidade de Oxford sobre o assunto. Microfóssil unicelular encontrado na Biota de Kheseen Derek Briggs/University of Oxford A Biota de Weng'an tem cerca de 590 milhões de anos e a de Kheseen é, em média, 40 milhões de anos mais jovem. Quando o depósito fóssil da Mongólia estava em atividade, outras partes do mundo já eram habitadas por animais – como a Namíbia e a própria China. Isso abre um precedente para a possibilidade de que animais já tivessem surgido na Terra durante a atividade dos organismos que habitaram Weng'an. “A Biota de Kheseen derruba o argumento de que os microfósseis excepcionais de Weng'an significam que teríamos visto fósseis de animais no conjunto se eles existissem na época. Os microfósseis de Kheseen estão igualmente bem preservados e, ainda assim, os animais continuam ausentes — apesar de sabermos que, naquele momento, eles existiam”, resume Ross Anderson, que é um dos autores do estudo. Os cientistas explicam que essa suposição já existia. “Fósseis químicos, ou biomarcadores, preservados em rochas antigas fornecem evidências compatíveis com esponjas vivendo há pelo menos 650 milhões de anos, dezenas de milhões de anos antes dos mais antigos fósseis macroscópicos de animais definitivamente identificados”, diz o comunicado de Oxford. Outros elementos foram utilizados na nova pesquisa, como depósitos fósseis que têm aproximadamente 850 a 730 milhões de anos. Entre eles estão a Formação Svanbergfjellet (Noruega), o Grupo Bitter Springs (Austrália) e o Grupo Chuar (Estados Unidos). Esses locais são ricos em fósseis com potencial para preservar animais, mas isso nunca foi comprovado. Mesmo assim, tais depósitos já foram usados anteriormente como datas máximas para a origem dos animais. Usando esses exemplos mais antigos, os pesquisadores aplicaram uma técnica chamada de análise de relógio molecular. O método compara diferenças genéticas entre espécies vivas e, usando datas do registro fóssil como pontos de referência combinados com taxas de , retrocede para estimar quando seus ancestrais viveram. Aplicados às evidências de Weng’an, tais cálculos sugerem que os animais podem ter surgido 200 milhões de anos antes do que a data prevista pelos cientistas que usam o depósito fóssil chinês como base de estudos. “Fósseis corporais de animais pré-ediacaranos ainda nos escapam, e esta análise não prova que animais existiam há 800 milhões de anos. No entanto, nossas novas evidências fósseis da Mongólia enfraquecem um dos principais argumentos para restringir as origens dos animais ao intervalo ediacarano. Enquanto isso, nossas análises de relógio molecular mostram o quanto mais para trás sua história evolutiva poderia se estender”, diz Orin Lole Durbin, um dos autores da pesquisa.
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Mostra Internacional de Cinema de São Paulo completa 50 anos; veja os destaques
A Mostra Internacional de Cinema de São Paulo chega à 50ª edição neste ano. Acontece de 15 a 29 de outubro e conta com 380 de 93 países. As exibições acontecem em 57 salas de cinema, espaços culturais e CEUs espalhados pela capital paulista. Um dos momentos mais aguardados é uma conversa entre os cineastas James Gray, que vai ganhar o Prêmio Leon Cakoff, e Walter Salles. Acontece em 15 de outubro no Solar Fábio Prado e é aberto ao público. O bate papo se inicia após a exibição de Tigre de Papel, filme assinado por James Gray, com Adam Driver, Scarlett Johansson e Miles Teller no elenco. Narra a trajetória de uma família estadunidense que se envolve com a máfia russa na década de 1980. Adam Driver protagoniza Paper Tiger, dirigido por Adam Driver Divulgação E em meio a uma lista bem extensa de filmes, há muitos outros que merecem destaque. Feito Pipa, de Allan Deberton, é um deles. Protagonizado pelo notável Yuri Gomes, mostra a realidade de um menino que mora com a avó. Aos 11 anos, ele precisa encarar sua realidade difícil, que inclui o Alzheimer da idosa. Com Lázaro Ramos e Teca Pereira, é a aposta do Brasil para uma indicação na categoria de Melhor Filme Estrangeiro do Oscar. Fjord, de Cristian Mungiu, também tenta uma vaga na premiação, representando a Romênia. É outro imperdível da Mostra, que ganhou a Palma de Ouro no último Festival de Cannes. Baseado em fatos reais, conta a história de uma família romena-norueguesa que segue rígidos preceitos religiosos. Traz no elenco Renate Reinsve, indicada ao Oscar por Valor Sentimental, e Sebastian Stan, que concorreu ao prêmio por O Aprendiz. "Fjord" foi o grande vencedor em Cannes e promete aparecer em mais premiações Divulgação O representante da Dinamarca também será exibido no evento paulistano. Mulher Desconhecida, de May el-Toukhy, retrata a vida de uma ex-empregada que, após a Segunda Guerra Mundial, está prestes a se casar com o patrão. Venceu o Leão de Ouro em Veneza. No mesmo clubinho de possíveis títulos internacionais do próximo Oscar, Narciso, de Marcelo Martinessi, é a aposta do Paraguai. Ambientado em 1959, acompanha a história de um cantor que retorna de Buenos Aires no início da ditadura paraguaia. Ao desafiar o regime, ele sofre consequências trágicas. Arte e resistência também aparecem em títulos brasileiros. Para os fãs de documentários biográficos, três longas da Mostra são imperdíveis. Fernanda, de Pedro Waddington, fala sobre a vida e obra de Fernanda Montenegro; Ney por Trás das Máscaras, de Esmir Filho e Thais Guisasola, apresenta um retrato intimista de Ney Matogrosso; e Elza, de Eryk Rocha, mostra a jornada da saudosa Elza Soares. Quer saber mais sobre o que assistir? Veja a programação completa no site da Mostra. E através do Letterboxd você confere a opinião de quem já assistiu aos filmes, o que pode ajudar na escolha.
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Gravidez e calor extremo: os riscos gestacionais atrelados à crise climática
Durante um encontro que antecede a conferência do clima COP31, marcada para novembro, o chefe do órgão de ação climática da ONU (UNFCCC) frisou que devemos pensar seriamente sobre gestação em tempos de crise climática. “Temperaturas em alta significam perigo em alta na gravidez”, disse Simon Stiell, segundo comunicado. Ele frisou que o calor extremo durante a gestação está cada vez mais ligado a problemas como parto prematuro, natimortalidade, baixo peso ao nascer e complicações maternas. Simon Stiell também apresentou dados de uma pesquisa encomendada pela Wellcome com profissionais de saúde materna em cinco países de cinco continentes. Cerca de 73% relataram que casos ou complicações ligados ao calor aumentaram nos últimos cinco anos. Além disso, 81% se mostraram preocupados ou muito preocupados com a falta de ações referentes aos riscos que o calor extremo pode trazer para a saúde materna, fetal e neonatal. E quase todos os respondentes já atenderam pelo menos uma gestante ou um bebê cuja saúde foi afetada pelo calor extremo. O chefe da UNFCCC também enfatizou que os riscos e impactos não são iguais para todas as gestantes. Citou pessoas que trabalham ao ar livre, vivem em moradias precárias, viajam longas distâncias até uma clínica ou dependem de unidades sem água, energia ou refrigeração, dizendo que elas “não podem ser protegidas apenas com recomendações”. “Um parto seguro já é, com frequência, determinado por geografia, renda e acesso ao cuidado. Sem ação, o calor extremo ampliará essa injustiça”, complementou. Em se tratando de planos de ação, três prioridades foram levantadas: fazer da gravidez e do cuidado neonatal parte da adaptação e do planejamento referentes a calor e saúde; transformar evidências em proteção por meio de orientações, capacitação, alertas de calor e instalações mais seguras; melhorar os dados para mostrar onde os riscos estão crescendo e quais intervenções funcionam. “O que não é nomeado em um plano, muitas vezes não é financiado, não é medido e não é protegido”, disse ele. “Danos que não são contabilizados são facilmente ignorados”. E é importante lembrar que, após nascer, os bebês não estão livres do risco. Um estudo publicado em julho por pesquisadores do Instituto de Saúde Global de Barcelona concluiu que a exposição ao calor na gestação e infância pode fazer com que o cérebro cresça mais lentamente. Os cientistas analisaram dados de 3.251 participantes e notaram alterações no desenvolvimento do tálamo. Eles identificaram que a fase mais sensível vai da concepção até aproximadamente o quinto mês de vida do bebê. Em paralelo, uma recente pesquisa brasileira aponta que o aumento da temperatura eleva a chance de desnutrição infantil. Publicado na revista científica The Lancet, o estudo reuniu dados de 6 milhões de crianças, de 1 a 5 anos. “Temperaturas elevadas desencadeiam um efeito cascata: reduz o apetite, altera o metabolismo infantil, aumenta a chance de episódios agudos de diarreia; condição que prejudica diretamente a absorção de micronutrientes, afetando o estado nutricional das crianças”, aponta a coautora Priscila Ribas, em um comunicado da Fiocruz.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 11/10/2026
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Dieta rica em potássio também é importante no controle da pressão alta
Reduzir o sal é uma das recomendações mais conhecidas para prevenir e controlar a pressão alta, pois o excesso de sódio favorece o aumento da pressão arterial e, consequentemente, eleva o risco cardiovascular. Mas cada vez mais evidências mostram que a ingestão insuficiente de potássio também pode ter papel no desenvolvimento da hipertensão. Um artigo recém-publicado no The American Journal of Clinical Nutrition reuniu e analisou as evidências disponíveis sobre o tema e reforça a importância de considerar os dois minerais em conjunto nas recomendações alimentares. Segundo os autores, aumentar a ingestão de potássio pode contribuir para o controle da pressão arterial, especialmente quando associado à redução do consumo de sódio. O efeito do potássio sobre a pressão arterial ocorre por diferentes mecanismos. Um deles envolve os rins, que ajudam a controlar a quantidade de sódio e de líquidos no organismo. Quando há mais potássio disponível na dieta, os rins tendem a eliminar mais sódio pela urina. Com menos sódio retido, o organismo também retém menos água, contribuindo para reduzir a pressão sobre os vasos sanguíneos. Além disso, o potássio atua diretamente nos vasos, favorecendo seu relaxamento e ajudando a regular o chamado tônus vascular, ou seja, o grau de contração das artérias. Esses mecanismos ajudam a explicar o efeito do mineral sobre a pressão arterial, que não é uma novidade para a ciência. “A recomendação de reduzir a ingestão de sódio é uma estratégia clássica e bem estabelecida no manejo não farmacológico da hipertensão arterial. Da mesma forma, o aumento da ingestão de potássio já integra, direta ou indiretamente, as orientações nutricionais há muitos anos”, explica o cardiologista Weimar Kunz Sebba Barroso, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia. Uma forma de aumentar a ingestão de potássio é priorizar frutas, verduras, legumes e outros alimentos in natura, que são naturalmente ricos no mineral. A suplementação não é recomendada de rotina apenas com o objetivo de reduzir a pressão e deve ficar restrita a situações específicas, após avaliação individual. Uma alternativa é o consumo do chamado sal light, em que parte do cloreto de sódio do sal convencional é substituída por sais de potássio. “Estudos clínicos têm demonstrado que a substituição parcial do cloreto de sódio por sais de potássio pode contribuir para a redução da pressão arterial. A própria Unidade de Hipertensão Arterial da Universidade Federal de Goiás possui uma linha de pesquisa avaliando essa intervenção”, comenta Barroso. Isso não significa, porém, que o sal light possa ser usado à vontade. “É fundamental que seja utilizado em quantidade semelhante ou inferior à do sal convencional, pois seu menor poder de salgar pode levar ao aumento compensatório do consumo e reduzir o benefício esperado”, alerta o cardiologista. Tampouco adianta aumentar o consumo de alimentos ricos em potássio e manter um consumo elevado de sódio. Por isso, as duas estratégias devem ser consideradas de forma complementar no controle da hipertensão. Recomendação individualizada Apesar dos benefícios do potássio, a recomendação para aumento do consumo do mineral não é a mesma para todos e deve ser individualizada. Para a maioria das pessoas com hipertensão e função renal preservada, aumentar a ingestão de potássio por meio da alimentação é seguro e pode trazer benefícios para o controle da pressão. O principal cuidado é com pacientes com doença renal crônica, especialmente nos estágios mais avançados. Como os rins são responsáveis por eliminar o excesso de potássio, a perda da função renal pode provocar seu acúmulo no sangue, a chamada hipercalemia. “Nesses pacientes, a orientação deve considerar a função dos rins, os níveis do mineral no sangue e os medicamentos utilizados. Tanto o excesso quanto a falta de potássio podem trazer riscos, inclusive alterações do ritmo cardíaco”, alerta Weimar Barroso. Este artigo foi publicado originalmente pela Agência Einstein
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 11/10/2026
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Ouvir sua música preferida pode diminuir a dor de procedimentos médicos
“Quem canta, os males espanta” é um ditado conhecido por muita gente. E, o mais curioso, não é que ele tem o seu teor de verdade cientificamente comprovado? A novidade da vez é que escutar a sua música preferida ajuda a aliviar o desconforto de procedimentos clínicos, como a inserção de um cateter (coisa “básica”). Isso é o que revela um estudo publicado na revista Frontiers in Pain Research em 8 de outubro. Embora diferentes intervenções musicais já tenham sido relatadas como auxiliares no alívio da dor e do estresse, os pesquisadores da Universidade de Zurique (Suíça) perceberam que cada paciente responde de uma maneira diferente. Foi aí que eles testaram diferentes gêneros: Mozart (sim, bem específica), música relaxante e, por fim, foram “à pedido do freguês”, ou melhor, a predileta do paciente. O método mais eficaz acabou sendo esse último. Dançar conforme a música Cerca de 204 pacientes voluntários foram submetidos a uma ressonância magnética dos seus cérebro, coluna vertebral e pescoço. O procedimento que os pesquisadores decidiram fazer neles foi o de inserir um contraste em suas veias por meio de cânula. Acredito que você, leitor da GALILEU, já entendeu que não era algo simples, mas sim doloroso. E sempre há os heróis que se sacrificam pelo prol dos demais. Obviamente ninguém morreu ou foi sorteado como na franquia Jogos Vorazes para integrar a pesquisa, mas uns precisaram sofrer mais do que os outros. Em outras palavras, houve uma separação no grupo: enquanto 153 pessoas ouviram músicas para relaxar, outras 51 atuaram como “grupo de controle”, ou seja, não tiveram essa dó das notas musicais. O grupo maior foi subdivido conforme os estilos musicais selecionados pela equipe de cientistas (se lembra do Mozart super específico?). Acontece que, “das quatro condições que examinamos, apenas a música favorita e Mozart apresentaram um efeito positivo”, contou Garcia Alzamora, da Universidade de Zurique, em comunicado. Mas os seus efeitos foram diferentes. Enquanto a música favorita demonstrou, de fato, efeito significativo na redução da dor de pacientes tanto com dor constante quanto naqueles sem dor pré-existente, a música clássica apresentou sinais de alívio exclusivamente em pacientes que já sofriam com os incômodos físicos. O uso de música para aliviar a dor dos pacientes em procedimentos médicos tem potencial de ser aplicado em intervenções radiológicas, sobretudo em pacientes ansiosos e claustrofóbicos Agência Senado/Flickr Os resultados foram obtidos a partir de uma escala que os pesquisadores estabeleceram junto dos voluntários. Foi recomendado que todos visualizassem um “termômetro” que medisse o desconforto – de 1 (nenhuma dor) a 10 (a pior dor da vida) – em momentos antes, durante e após o procedimento. Também foi solicitada a avaliação dos pacientes depois de 30 segundos e dois minutos da intervenção médica. Foi justamente nesses dois períodos finais que os pacientes que escutaram as suas músicas prediletas se destacaram aos olhos dos pesquisadores. As novidades não pararam por aí: no subgrupo dos pacientes que sentiam dores pré-existentes antes da punções venosas, a dor no momento de inserção da agulha reduziu ao ouvir a música predileta, enquanto ouvir Mozart reduziu a dor na marca dos dois minutos. Fora da pista de dança Os cientistas, no entanto, ainda não sabem o porquê os níveis de dor parecem melhorar mais dois minutos após o procedimento do que nos momentos anteriores. Uma das hipóteses por eles levantadas é que o desconforto inicial tenha desviado a atenção das pessoas da música. É quase um “não dá para fazer duas tarefas ao mesmo tempo”, sabe? Somado a isso, eles também levantaram justificativas para a música relaxante não ter tido resultados tão significativos. Para Alzamora, essa falta de efeitos se deve às características do próprio estilo, como o seu ritmo lento e o volume baixo. Isso explicaria a falta de alívio da dor e a sensação de um breve incômodo. “Embora uma punção com agulha seja um procedimento simples, o nível de dor pode variar significativamente de pessoa para pessoa”, comentou Andrei Cristinel Dragnea, também da Universidade de Zurique. Não à toa, mesmo a agulha pequena podia causar uma dor intensa para alguns pacientes. Resta, agora, que os estudos na área deem continuidade. Dragnea concorda e conclui: “na medicina moderna, o objetivo dos médicos não é apenas fornecer um diagnóstico e tratamento eficazes, mas também garantir que o procedimento cause o mínimo de desconforto possível”.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 10/10/2026
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Novo estudo brasileiro comprova efetividade e viabilidade da PrEP de longa duração
Um estudo brasileiro acompanhou os resultados da Profilaxia Pré-exposição (PrEP) de longa duração em 1.201 pacientes para a prevenção do HIV. A pesquisa inédita analisou a aplicação de cabotegravir injetável de ação prolongada (CAB-LA) entre outubro de 2023 e setembro de 2024. Os resultados foram publicados recentemente na revista científica The Lancet HIV. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Fiocruz em parceria com o Ministério da Saúde, a agência internacional de saúde global Unitaid e a Organização Mundial da Saúde (OMS). Os voluntários eram homens que fazem sexo com homens (HSH), pessoas não binárias e homens e mulheres transgêneros de 18 a 30 anos. O uso da PrEP de longa duração pelos participantes do estudo teve início no mesmo dia da primeira consulta de cada um. A adesão às injeções e o retorno no prazo correto atingiu 92%. Os usuários do CAB-LA também mantiveram 90,8% dos dias de acompanhamento cobertos pela PrEP. Entre os usuários de PrEP oral a persistência é de apenas 35% no SUS. “Com relação a incidência de HIV, a coorte (grupo de pessoas) que optou pelo uso do CAB-LA apresentou apenas três novas infecções (0,20 por 100 pessoas por ano). A redução foi significativa em comparação com a coorte que utilizou a PrEP oral, que apresentou 18 novas infecções (a taxa de 1,48 por 100 pessoas por ano)”, relata o comunicado da Fiocruz sobre o tema. A distribuição de PrEP injetável pelo SUS é um tema que vem sendo debatido há algum tempo. Ganhou força em julho deste ano, durante a 26ª Conferência Internacional de Aids, que aconteceu no Rio de Janeiro. Na ocasião, o Ministério da Saúde informou que 356 mil pessoas já iniciaram o uso da profilaxia oral no Brasil. “O Brasil quer incorporar novas tecnologias de prevenção do HIV porque elas podem ampliar as possibilidades de cuidado e oferecer alternativas para pessoas que enfrentam dificuldades de adesão ao uso diário da medicação”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na conferência. Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, em 2024 o Brasil registrou 9,1 mil óbitos por Aids. Isso representa uma redução de 13% em relação ao ano anterior, quando foram registradas mais de 10 mil mortes. “Além disso, nos últimos três anos, a oferta de testes rápidos para HIV no SUS aumentou 100%. Atualmente, 22% das pessoas que recebem o diagnóstico de HIV iniciam o tratamento no mesmo dia da confirmação da infecção, e mais da metade começa a terapia antirretroviral em até 30 dias”, diz o comunicado do órgão.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 10/10/2026
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Torre eólica mais alta do mundo surpreende pelo tamanho e gera expectativas
Com 365 metros de altura, a torre eólica mais alta do mundo foi erguida em Schipkau, uma pequena cidade na Alemanha. É mais alta do que a Torre Eiffel de Paris e apenas poucos metros mais baixa do que a Torre de TV de Berlim – um dos mais conhecidos cartões postais da Alemanha. Segundo informações da ABC News, a torre é um protótipo que acaba de atingir sua altura total e está em fase de finalização das instalações elétricas. Foi construída pela empresa de engenharia GICON, em um parque eólico que já existia. O protótipo tem como objetivo medir os ganhos potenciais de uma torre dessa altura e será inaugurado em novembro. Pela métrica chamada de altura de cubo, que vai do solo até o centro do rotor, a nova estrutura tem 300 metros. Em contrapartida, torres convencionais costumam ter 200 metros de atura de cubo. “A 300 metros, temos um vento tão constante e forte que podemos produzir mais do que o dobro de energia elétrica do que com a mesma instalação nas alturas de hoje”, diz Jochen Grossmann, diretor executivo da GICON, ainda de acordo com a ABC News. Além disso, ele acrescenta que há a expectativa de produzir eletricidade por muito mais tempo ao longo do ano do que com as torres existentes. “Isso vai nos ajudar a ter independência em relação a petróleo e gás de outras regiões do mundo”, almeja o ministro federal do Meio Ambiente da Alemanha, Carsten Schneider, de acordo com a Euronews. A publicação diz que a GICON pretende ter uma geração anual de 30–33 gigawatts-hora e custos de produção de eletricidade inferiores a cinco centavos por quilowatt-hora. Isso representa uma eficiência 220% superior em relação às torres convencionais da região. Além de produzir mais energia em regiões onde parques eólicos já existem, o projeto visa fazer com que outras localidades também consigam utilizar o vento para produzir energia. “Grandes partes da Europa, do leste da Polônia à Península Ibérica, têm dificuldade em se beneficiar da energia eólica devido a ventos fracos próximos ao solo. Torres eólicas de alta altitude poderiam ser a resposta”, explica a Euronews.
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Galileu [Unofficial] @revistagalileu.globo.com.web.brid.gy · 10/10/2026
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Estamos envelhecendo melhor? Relatório global traz dados sobre o tema
O número de pessoas com 60 anos ou mais ultrapassou 1 bilhão em 2020 e superou o o de crianças com menos de 5 anos. Até 2050, deve alcançar 2,1 bilhões, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (ONU). Recentemente, a instituição lançou um relatório que marca a metade do período que chama de Década da ONU do Envelhecimento Saudável (2021–2030) – e traz dados relevantes. O intuito da ação é conscientizar os governos a respeito do tema, salientando que não basta viver mais, é preciso viver bem na velhice. O levantamento analisou a realidade de 152 países e territórios, a partir de indicadores de progresso e das quatro áreas de ação da Década: combater o etarismo, criar ambientes amigáveis às pessoas idosas, prestar atenção integrada e garantir o acesso a cuidados de longa duração. Dentre as conclusões, o levantamento mostra que as políticas públicas avançaram. Hoje, mais países contam com legislação contra a discriminação por idade — de 44,5% em 2018 para 57,7% atualmente. Além disso, mais da metade agora tem políticas nacionais de cuidados de longa duração, passando de 49% em 2023 para 56,7%, programas dedicados para construir ambientes amigáveis às pessoas idosas (54,6%) e avaliações abrangentes de saúde e aspectos sociais das pessoas idosas (54,6%). A OMS também diz que cada vez mais países têm aderido às diretrizes de Cuidado Integrado para Pessoas Idosas (ICOPE), lançadas pela instituição. Mesmo assim, as lacunas são preocupantes. Mais de um terço dos países (33,8%) têm muito poucos ou zero recursos dedicados ao desenvolvimento de cuidados de longa duração. Menos da metade (45,4%) conta com legislação que garanta acesso a tecnologias assistivas (incluindo aparelhos auditivos, óculos ou andadores). E apenas 22,7% dos países conseguem acompanhar a saúde das pessoas idosas ao longo do tempo — a maior lacuna entre os indicadores centrais de progresso da Década. “Vidas mais longas são uma das grandes conquistas da humanidade, mas não podemos nos parabenizar enquanto deixamos milhões sem saúde e sem apoio”, diz Pascale Allotey, diretora do Departamento de Saúde Sexual, Reprodutiva, Materna, Infantil e do Adolescente e Envelhecimento, da OMS, segundo comunicado. “A primeira metade da Década mostrou o que é possível. A segunda metade deve tratar de ampliar e financiar os avanços para atender às necessidades e aos direitos das pessoas idosas”. E quando o assunto é financiamento, os especialistas apontam que todos saem ganhando – inclusive a economia dos países. “Investir em envelhecimento saudável não é simplesmente um custo; é um dos investimentos de maior retorno que um governo pode fazer”, diz Fiona Stewart, líder global para Envelhecimento e Pensões no Grupo Banco Mundial. “Países que investem cedo em cuidado integrado e de longa duração observam economias que superam em muitas vezes o custo inicial. As evidências neste relatório sustentam o argumento econômico; agora é necessário financiamento previsível em nível nacional para agir com base nisso, juntamente com esforços para apoiar empreendedores idosos e a economia prateada”.
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