instagram.com
_____paulomaffia_____ on Instagram: "O Brasil perdeu um dos maiores artistas dos quadrinhos. Talvez do mundo. Um homem que, com o seu traço, encantou tantas gerações. M…"
O Brasil perdeu um dos maiores artistas dos quadrinhos. Talvez do mundo. Um homem que, com o seu traço, encantou tantas gerações. Morreu neste sábado (3), em São Paulo, Carlos Edgard Herrero, aos 82 anos. Desenhista e roteirista, ele é o grande recordista brasileiro dos quadrinhos Disney: foram mais de 4 mil páginas ao longo de quase seis décadas de carreira. Nascido em São Paulo em 2 de agosto de 1944 e formado pela Escola de Belas Artes, estreou nas revistas Disney em 1969 com a história "Ao Pé da Letra", com o Pato Donald. Dali em diante, deu vida a Zé Carioca, Tio Patinhas, Peninha, Professor Pardal, Irmãos Metralha e a uma turma inteira de personagens — e foi o primeiro brasileiro a desenhar histórias Disney para o exterior, publicadas nos Estados Unidos e na Europa. Quem cresceu lendo os gibis da Abril certamente já riu com o Morcego Vermelho, o Pena Kid e os outros alter-egos do Peninha — muito deles com traço do Herrero, na fase áurea da editora, quando o Brasil produzia mais quadrinhos Disney do que o próprio estúdio em Hollywood. Carlos Edgard Herrero: o traço de um recordista. Uma lenda viva. Além do traço versátil, o Herrero tinha um coração gigante. Eu tive a honra de ser fã dele ainda criança — numa época em que as histórias não levavam créditos, eu não sabia o nome do desenhista, mas já reconhecia e adorava aquele traço. Anos depois, tive a honra ainda maior de trabalhar com ele, de criar várias histórias que ele desenhou com todo o carinho, e de virar seu amigo. Também levei-o para ser homenageado na CCXP de 2017, onde gerações de fãs celebraram o trabalho dele — e ele, com aquele sorriso tranquilo, parecia até surpreso com todo aquele carinho. Como se não soubesse que fazia parte da infância de milhões de pessoas. Seus personagens nunca vão morrer. Estão nas gavetas, nos álbuns e na memória afetiva de cada criança que um dia segurou um gibi e sonhou junto com o Zé Carioca no morro do Carioca. Obrigado por tudo, mestre. Seu traço segue vivo. Velório: amanhã, dia 04/10, no Cemitério Jardim Horto Florestal (Rua Luiz Nunes, 111 — Parque Ramos Freitas, São Paulo/SP), das 08h às 10h30.Informações para coroas de flores: (11) 97479-4788.