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🎥 #EmCena A política no Rio de Janeiro atravessa um deserto que parece não ter fim e a discussão recente no STF sobre o destino do governo trouxe à tona uma ferida exposta que a gente tenta ignorar na correria do cotidiano. O ministro Flávio Dino foi muito preciso ao destacar o colapso ético e institucional de um estado onde nos últimos trinta anos praticamente todos os governadores eleitos acabaram presos ou afastados, de Moreira Franco a Wilson Witzel, passando por Anthony e Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão. Esse vácuo de poder sistemático acaba preenchido por forças que misturam o crime organizado, o avanço das milícias e o uso político de certas igrejas, uma rede que dita o ritmo da Alerj e transforma o setor público em um balcão de negócios onde a população nunca é a prioridade.É justamente nesse ponto que o pensamento do historiador @luizantoniosimas se torna uma ferramenta essencial para entendermos o agora, pois no livro O Corpo Encantado das Ruas ele afirma que "O Rio de Janeiro é uma cidade fundada sobre a marca do trauma e estruturada pela lógica da violência. O rótulo de 'Cidade Maravilhosa' é, na verdade, um biombo que mascara o fato de que a cidade foi construída contra a grande maioria de seus habitantes, baseada em processos de exclusão, racismo e extermínio que fundamentam a nossa urbanidade."Articular essa leitura de Simas com a defesa do voto direto feita por Dino nos mostra que a crise no RJ não é apenas um imbróglio jurídico mas o sintoma de um projeto de cidade que se acostumou com o desamparo e com o extermínio sistemático dos seus. Para quem atua na psicanálise pública essa constatação é fundamental porque não há como escutar o sofrimento de quem habita o subúrbio sem considerar que o Estado muitas vezes é o próprio agente causador do trauma. O Rio precisa romper com essa lógica de morte que o Simas descreve tão bem e o caminho para isso passa obrigatoriamente por devolver ao povo a soberania de decidir seus rumos, permitindo que a gente finalmente encare o trauma de frente para começar a curar a cidade.Renata Alves