Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 3hPor outro lado, é engraçado como é preciso estar fora de Portugal para se ouvir que Pessanha era macaense? 110
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hSe isto não era óbvio na altura, parece-me óbvio agora, ao olhar para as dinâmicas de produção e circulação imprimidas pela maior parte das instituições, e certamente no caso português. 000
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hafinal, foi a única época em que se tentou, explicitamente, a) criar um novo sujeito e b) ensaiar uma crítica institucional que já grassava em quase todas as outras práticas do sistema das artes e que a desvinculava da esfera do poder. 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hDe resto, essa ideia de anomia geralmente é usada para atacar a produção de suposta uma elite que afastou o povo das salas de concerto. Já eu acredito sinceramente que toda a animosidade contra os desenvolvimentos do séc. xx seja do foro do psicanalítico: 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hO problema é a anomia — na acepção material, primeira, que Durkheimer lhe dá; @alxmiguelc2.bsky.social anda cá impedir-me de dizer enormidades, sff — entre a produção das instituições e a recepção de quem nelas nem tem direito a participar, geralmente. 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hSe a música clássica “morre com o desaparecimento desta geração”, como se diz, é porque quem por ela se acha responsável não reproduziu os seus sujeitos. Eu percebo a confusão e a lentidão: foram mil anos de ligação umbilical ao poder. 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hos millenials estão a entrar naquela cova do meio, em que são filhos de pais velhos e pais de filhos novos. Já os Zoomers (ou lá que é) estão a entrar na vida com expectativas irreconhecíveis para alguém mais velho, um regime operativo radicalmente diferente quanto ao consumo e à produção. 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hAs pirâmides demográficas vão ficar cada vez mais finas na base, e a concentração de capital vai acompanhar essa distribuição. Por outro lado, os >60 são quem ainda se lembra de instituições a funcionar: 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21h(Também se podia ensaiar aqui uma ligação à actividade actual da ZdB e à decadência do Bairro Alto, mas não o vou fazer) 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hAcho que o último concerto a que fui que tinha uma distribuição concentrada exclusivamente nos 40–50 foi o último concerto de Matmos em Lisboa. Aí, tratava-se de uma tour mundial de um grupo marcante, cuja explosão se deu exactamente alinhada com os vintes destes quarentões. 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hAdivinhem: a mesmíssima distribuição bipolar — com a diferença que aconteceu num espaço não-institucional, mediado directamente por todos os participantes. Eu volto a repetir, para se ouvir lá atrás: estavam tantos >60 num espaço improvisado a ouvir ruído quanto jovens dos 20–30. 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hNa semana passada, no meu último dia em Berna, consegui apanhar o set do incrível Nick Neuberg — e vou querer vê-lo outra vez em Lisboa. (Sim, foi that good.) Improviso livre: um set que emerge da colisão e fricção de objectos contra a pele de uma caixa. Coisas herméticas, tão a ver? 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hÉ essa a condição ideal de qualquer música (de qualquer arte), mesmo daquelas que são cooptadas para se tornarem dominantes por um qualquer projecto de poder (hoje em dia, e desde a “queda” da música clássica, essencialmente financeiro). 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21ha música “clássica”, desenquadrada de um projecto político, é uma música _minoritária_ como qualquer outra. “Minoritária” no sentido guattariano: uma prática que cria o seu próprio público no acto. Uma música “minoritária”, por muito incrível, profunda, até útil que possa ser. 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hA tese que o Sérgio Azevedo tem propalado (que, confesso, não conheço a 100% porque não vi o curso, mas conversei com ele e estive com as provas dele do livro na mão) é incompleta: ele diz coisas acertadas, mas o pecado capital é não reconhecer (como não reconhecem as instituições), que… 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hNo fundo, não creio que os velhos sejam idiotas. Polémico, eu sei. O verdadeiro problema é que o poder gosta essencialmente de se encenar a si próprio, e tudo o resto — mesmo que seja a vossa música do coração — são danos colaterais, externalidades. 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hAdiante: os >60 concentram o seu consumo cultural de música ao vivo através de uma instituição de charneira por razões que pouco têm a ver com o que acontece no palco — o que não quer dizer que não estejam disponíveis para experiências diferentes ou que tenham gostos limitados. 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21h… replicando o modelo da pop e garantindo que eles não voltam para outros concertos, quer por razões económicas, quer estéticas. 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hAs idades do meio estão a ter filhos, a tratar dos pais, e a serem espremidos pelo capital — ainda assim, há quem ache que programação acessível para esta gente é enterrar boa parte do orçamento anual num cineconcerto do primeiro filme que eles viram em crianças… 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21h(É sociologia barata, mas convido os gestores das instituições a partilharem os seus modelos de público e literatura sobre o assunto. Desconfio que não os tenham.) 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hOs >60 continuam o seu consumo cultural, que, no essencial, tende a ser mediada por casas com quem mantêm ligação — será mais raro navegarem autonomamente o tecido. 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hExcepto que esta distribuição bimodal repete-se em *todo o lado*. O público mais jovem tem tempo, energia, e motivação para ir a qualquer coisa (o que não quer dizer sem critério, claro). 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hCá, a sabedoria popular diz que isto é impossível — pelo menos teoricamente incorrecto. Os universitários (que, subsidiados — bem — pelas instituições, vão a tudo o que conseguirem) são tratados como crianças, e os pobres dos velhotes, já se sabe a priori que é impossível gostarem daquelas coisas. 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hA diferença é que o meu concerto, especialmente sendo partilhado com música de Maierhof, fez-se de música… desafiante? (deixo a coisa por aqui, porque detesto adjectivos no geral, e adjectivar o que faço especificamente.) 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hA distribuição etária do meu concerto na HGNM não terá sido super diferente dum concerto em qualquer outra instituição, lá ou cá: essencialmente uma distribuição bipolar nos jovens de idade universitária e naqueles que, ahem, _voltam_ a ter direito a desconto nos bilhetes. 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 21hCada vez que trabalho na Alemanha, sou rudemente relembrado do discurso das instituições portuguesas sobre o seu próprio público (com eventual excepção devida à Casa da Música do AJPacheco). 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 05/10/2026Nós também nunca fomos estranhos a roubar do norte de África, só que com mais vergonha na parte cultural 120
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 05/10/2026Mazagran, e antes já era mazagran. A pronúncia do I francês neste caso é falso amigo 110
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 05/10/2026É preciso ensinar a parisienses uma bebida que nasceu no Magrebe?? 110
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 05/10/2026Sempre houve uma grande rivalidade entre Montemor-o-Novo e Vendas Novas, que, por virtude da maior proximidade dos hubs industriais do Tejo e do Sado e do respectivo crescimento, se autonomizou de freguesia para cidade. Vou adorar quando Vendas Novas estiver debaixo de água e Montemor na costa. 010
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 03/10/2026A caminho de um sítio no qual já fui feliz, tal Malato: amanhã, Zeitlupe da HGNM dedicado a mim, ao ruído e à guitarra eléctrica. 120
Reposted by Luís SalgueiroClub Announcement Spurs 🤦♂️ @markscrivens.bsky.social · 02/10/2026This is why you don’t allow authoritarian foreign states to put you in a position where blackmail is an option. 610836
Reposted by Luís SalgueiroKatelyn Burns @katelynburns.com · 25/09/2026🧐 www.axios.com/2024/10/25/m...axios.comScoop: Meta strikes multi-year AI deal with ReutersIt's the first news deal Meta has made in the AI era. 152441745
Reposted by Luís SalgueiroAmanda Katz @katzish.bsky.social · 16/09/2026You take a job somewhere called “Reuters Legal” and you just never expect to have to write this sentence 621843376
Reposted by Luís SalgueiroBifeahcasa @bifeahcasa.bsky.social · 13/09/2026Eu gostava de ver o que faria o Seinfeld se no dia que chegasse a Lisboa soubesse que o espectáculo dele estava integrado num festival do humor onde os humoristas portugueses tinham todos defendido a Palestina e feito piadas sobre o netanyah. Aí é que a produção se podia borrar toda… 072
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 05/09/2026A reacção ao GPT-6 Astra está a ser tão uniforme que é absolutamente transparente que os influencers estão a papaguear os press releases que receberam. Biliões para montar o maior modelo de linguagem do mundo, e ainda assim não escrevem mais que *um* talking point. 000
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 28/08/2026A fonte está de novo disponível para venda aqui: www.notationcentral.com/product/ls-i...notationcentral.comLS Iris - SMuFL - Notation CentralLS Iris is inspired by the quirks of musical handwriting, and features a bold stroke with little modulation. 000
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 28/08/2026You can grab the font here: www.notationcentral.com/product/ls-i...notationcentral.comLS Iris - SMuFL - Notation CentralLS Iris is inspired by the quirks of musical handwriting, and features a bold stroke with little modulation. 000
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 28/08/2026Open Studio (almost?) always use the classic Finale Jazz in their content, so I'm doubly surprised. The very transcription that appears in the article seems to have been posted, some three weeks ago, albeit with Finale Jazz: www.instagram.com/p/DbqgB8QRgCw/instagram.comInstagramCreate an account or log in to Instagram - Share what you're into with the people who get you. 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 28/08/2026@doricoofficial.bsky.social 's blog posted a featurette on Max Gámiz, who creates the transcriptions and notation for Open Studio, the largest jazz pedagogy project operating online. In the article, the clearest grab of Max's screen features my typeface, LS Iris! 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 28/08/2026A Open Studio usa (quase?) sempre a Finale Jazz nos conteúdos que postam, pelo que estou duplamente surpreendido. Mesmo a transcrição que aparece no artigo já foi postada, há coisa de três semanas, com a bela da Finale Jazz: www.instagram.com/p/DbqgB8QRgCw/instagram.comInstagramCreate an account or log in to Instagram - Share what you're into with the people who get you. 100
Luís Salgueiro @lsalgueiro.com · 28/08/2026O blog do @doricoofficial.bsky.social postou uma featurette com o Max Gámiz, que faz as transcrições e a notação musical do Open Studio, o maior canal de pedagogia jazz das redes. No artigo, aparece um screenshot do Max a trabalhar numa transcrição usando a minha fonte, LS Iris!blog.dorico.comDorico Showcase: Transcribing Jazz with Max Gámiz – DoricoDiscover how Max Gámiz uses Dorico music notation software for jazz transcription and education at Open Studio. 100