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João Gabriel

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Astral weeks, Asteraceae e madrepérola

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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 10h
No chão de casa, depois de sair bem cedo para andar na rua, encontrei um fragmento tão roxo que me perdi na tentativa de localizar a origem de algo tão colorido assim nessa manhã cinzenta que se seguiu a uma madrugada chuvosa. Um segundo de abismo púrpura que era a flor do jacarandá entrando em casa
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 01/10/2026
Toledo, a cidade, deve dar ao visitante o fascínio da rocha, uma fascinação similar da que encontro no Rio de Janeiro. Mas no Rio a pedra não obseda só pelo exemplo de sua afloração: há toda uma onírica rochosa nessa cidade que se inscreve feito musgo na costa pétrea, e é um onirismo que vem do mar.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 01/10/2026
R. M. Rilke na Suíça, os sonetos e o fim das elegias, a vida numa torre no cantão francês. E K. Mansfield na Suíça, ao mesmo tempo, podendo se cruzar, trocarem olhares, saberem um do outro o que o anjo, ou a morte, lhes reserva como paga: uma rosa, uma pereira em flor, coisa assim que não ocorreram.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 01/10/2026
Uma rua com jacarandás onde há um prédio chamado Blu alguma coisa e as flores da árvore de um púrpura profundo, quase chuvoso, se tornam mais azuis que violeta. Uma rua assim quase se diz alameda, onde não tem álamos, a não ser no apelido.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 01/10/2026
A cor da canela: mineral, essencialmente. Mas de uma perspectiva substancialista, a canela assume na coloração o ônus de ser como o ouro que, por processo alquímico, se conseguiria extrair da casca de uma árvore. Uma responsabilidade que a especiaria sustém nos favores de seu aroma.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 01/10/2026
Um dia, uma das pouquíssimas vezes que estive sobre o mar, atravessando em embarcação, vi as rochas emergindo ao longo da baía, perto das quais a água se agitava em espuma que, mesmo de muito longe, me fazia ouvir o marulho e, talvez, sentir a salsugem, nesse dia sabia que amava, ainda amo, alguém.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 30/09/2026
Graça a @ehtretamano.bsky.social fui lembrado hoje do meu amor por Hölderlin, poeta que não consigo me lembrar exatamente como encontrei. Só sei que foi com ele que pela primeira vez li um poema e o senti não um texto, mas alguma coisa que me acontecia e acontecia no mundo. Era O Arquipélago...
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 29/09/2026
O significado que atribuímos às palavras, determinadas palavras, ditas de certo modo por quem amamos escapa dos termos semiológicos e tal. Uma frase dita e bastante inteligível só será entendida pelo interpretante amoroso pois a sua origem é amante; e é assim que se diz um amor lexical, semiologado.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 29/09/2026
O chão romântico, ainda mais se não for pavimentado e mostrar algo da terra ocre que tem por baixo de tudo, onde nasce e se ergue e floresce o jacarandá.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 28/09/2026
As peças-romance de Shakespeare têm uma atmosfera de fantasia faceira que impede as tristezas (que existem) de caírem nos ouvidos do leitor-espectador com a gravidade que teriam, não fossem, por exemplo, a ressurreição de uma estátua, a canção de Ariel, Imogen vestida de rapaz e a pessoa de Marina.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 28/09/2026
Um laço no pescoço. Ornamental, um cumprimento aos olhos de quem usa, de quem vê, o laço se desprendendo no vento de tal forma que não parece irrealidade usar palavras como eflúvio, élan, emanação... É como um perfume transladando seu significante para outro aparato dos sentidos, mas é só um lenço.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 28/09/2026
Meu irmão viaja muito e, quando eu era mais novo, gostava de pensar que eu também viajaria. Mas a ideia de viajar passou a ser mais apelativa do que as viagens reais, que só acabei fazendo por um motivo, principalmente: o amor.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 27/09/2026
As pastilhas nas fachadas das casas de uns 50 ou 60 anos, as coloridas que sempre me lembram dos grandes tanques, das fontes ou piscinas. Até parece que esses revestimentos guardam a memória de um corpo d'água; mesmo cobrindo uma pilastra chamam um fantasma de chuvinha, o esguicho de uma mangueira.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 27/09/2026
Provei um licor de figo produzido nas redondezas. Esperava que tivesse um sabor sóbrio de fruta descida da altura de sua maturidade, como se da flor que uma vez fora restasse agora apenas um sonho da madeira, da seiva do galho de onde veio, algo do gênero. Não me decepcionei!
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 27/09/2026
Revi o comecinho de E Aí, Meu Irmão, Cadê Você? e dá pra dizer que é melhor Odisseia que a Odisseia lançada no cinema esse ano. No mínimo, é muito mais mais divertido!
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 27/09/2026
Manhã sobre a antiga ferrovia araraquarense
Sol da manhã iluminando linha férrea vista do alto de uma passarela.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 26/09/2026
Gosto das árvores frutíferas cuja origem se perde no tempo. E perguntamos a alguém mais antigo quando foi que elas nasceram, e não sabem dizer, geralmente falam algo como "está aí desde sempre, nem me lembro" ou "nasceu sozinha aí, ninguém não plantou". Um tamarineiro, uma jabuticabeira, a figueira.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 26/09/2026
A angelitude que a gente encontra pelas ruas da cidade (e nem sempre nas pessoas, pois o anjo e sua predicação não têm ligação estrita com a humanidade) age no espaço urbano quase como uma força pré-verbal, um fragmento de um mito ainda por se formar que vai mudar, pouco que seja, a urbanidade dali.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 26/09/2026
Os vidros das catedrais - que não se pode assim levianamente chamar de vidros, mas vitrais - reengendram a luz para um espaço interno que não pretende mimetizar nem o dia nem a noite, nem as horas crepusculares. Aqueles vitrais refazem a luz fora das horas, dão à luminosidade a espessura do tempo.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 26/09/2026
As melhores amoras que já comi foram as da compota de um restaurante e as que encontro pela rua, nas calçadas. As primordiais amorinhas frutificando nos caminhos.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 25/09/2026
Tudo que se conta entre os amantes - as coisas do dia a dia de cada um, o que viram, ouviram, que disseram, um sonho, uma vontade, um desejo tolo tolinho, um medo arraigado, uma anedota - tem o feitio fictício de um conto exemplar: o emblema das coisas que significam pois têm destino e destinatário.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 25/09/2026
A noite, em sendo muito avessa ao dia, nunca é igual a si mesma nem assim descontínua; seu espaço não é o do silêncio e nem sua luminosidade se dá pelo contrário da diurna. Mas só nas noites do interior, que são assaz verdadeiras, tudo isso não se aplica às noites litorâneas. Aquelas são fictícias.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 25/09/2026
Primavera ainda cor-de-rosa!
Flores de ipê-rosa no pavimento.Um ipê-rosa florindo.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 24/09/2026
Quando li Um Estrangeiro em Olondria pela primeira e única vez, alguns anos atrás, sabia que seria um dos meus livros favoritos de todos no instante em que o fantasma e o fantasmagórico apareciam entrelaçados com a vaga noção de literatura, numa tentativa de definir o que é isso de ler uma história.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 24/09/2026
Gostaria de gostar de: quebra-cabeça e baralho. Mas não gosto.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 24/09/2026
Pequenos triunfos do dia a dia - não digo vitórias, essas que demandam certo empenho da vontade; mas os triunfos que contam com boa dose de acaso, da parte luminosa dele a que chamamos de sorte: o modo como as horas passam como se tudo o que fazemos fosse pleno de sentido entre os instantes normais.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 23/09/2026
As estações nos hemisférios. A diferença em escala planetária nunca deixa de ser algo encantador pra mim: que a primavera aqui seja outono lá e tal e tal para as outras estações. Uma imensidão que se estende do espaço para o tempo e para as épocas, os climas, as coisas que se contam mundo afora...
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 23/09/2026
Tem tucanos no centro da cidade. Ficam nas palmeiras altas e, em dia de domingo, olham pra você do alto com aquele olho que é de joia azul; a última vez que vi um foi na frente do antigo Banespa (depois Santander e hoje um grande prédio fechado quase brutalista). Era domingo e me olhou azul de cima.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 23/09/2026
É raro baixar neblina nesse planalto. Às vezes acontece, e quando acontece a gente desperta para uma cidade cujos limites se perdem, o horizonte desaparecido e a distância também. Nesses dias, nessas poucas horas da manhã, o interior do mundo se fecha e nada existe além do que se pode sentir dentro.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 22/09/2026
O retorno a primavera: o pasto verde, a gente vê quando a chuva vem de longe no cinza, na sombra distante que, aliás, é o sinal da estação: sombras que estão distantes e acentuam a luz, muita luz que vai crescendo em amplitude e amplidão, até que o próprio verde duma lâmina de capim é luz ela mesma.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 22/09/2026
Me emociono demais só de lembrar que o primeiro álbum do Clientele existe mesmo e é lindo demais...
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 22/09/2026
Quase nada nunca acontece, na verdade, e que bom que seja assim. Em vez de acontecer, é mais legal se passar, o passar das coisas, sendo que algumas até ficam.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 22/09/2026
O fantasmagórico na escrita da Ali Smith está numa certa opacidade do modo de ela narrar seus romances, um encadeamento da ação desprendido da sintaxe narrativa, como se o que sucede fosse de alguma forma consequência mais da própria escrita do que qualquer necessidade de enredo: o perfeito fantasma
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 22/09/2026
Quando se conhece muito a alguém, e se compartilha um certo tipo de intimidade que tem a ver com afinidades discretas, é impossível não observar as coisas do mundo como se a gente fosse igual àquelas partículas quânticas que se afetam uma à outra, não importando a distância que as separa.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 22/09/2026
Sonhando com viagens. Nos sonhos em que viajo parece que leio um romance, mas não dentro do sonho; o romance é o próprio sonho que se desvenda para a parte de mim que dorme e não é aquela figura que viaja. Então leio esse romance que não existe, os parágrafos o desdobrar daquelas paisagens oníricas.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 21/09/2026
Quanto mais dentro do continente, mais abundam as histórias a respeito do fabuloso mar, desde as do tipo "a primeira vez que vi o mar" até aquelas que contam a de gente que viveu muito, muito tempo mesmo, sem nunca ter visto o mar, e talvez nem ter pensado tanto nele. Mas tem o contrário também.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 21/09/2026
Gosto tanto desse portão de um antigo restaurante chinês aqui na cidade. O estabelecimento já não existe há uns 20 anos, embora o terraço onde ele funcionava esteja lá do mesmo assim, tal como esses caracteres na entrada, a cor vermelha intensa descascando nesse ocre ferruginoso.
Portão de ferro com grades finas e uma chapa retangular no meio onde se vê dois caracteres chineses feitos em ferro torcido. A tinta vermelha está desbotada e muito descascada. Por trás das grades é possível ver um escadaria quer leva a um terraço.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 21/09/2026
Amoreiras de folhas que lembram um tecido muito fino nascendo nos jardins de casas onde também tem uma laranjeira, talvez um limoeiro dos que dão limão-cravo, tão difícil de dizer qual Citrus é aquele que a gente vê, até quando frutificam. E as amoras verdinhas parecendo lagartinhas de seda e felpo.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 20/09/2026
Um pote de melaço de tâmara que vem do Líbano, vendido no empório libanês da rua principal do centro da cidade; a cor de madeira, de terra profunda, e o selo com o Cedrus libani, verdinho que só ele, o desenhinho: tudo isso, mas especialmente a viscosidade do melaço, tem tanto a ver com o tempo.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 20/09/2026
O Espírito de Deus sobre as águas. Separou, depois, as águas das águas; mas não mexeu no tempo, nem tirou o tempo de fora do tempo, deixou ele todo misturado, o um e o outro, inseparáveis no decorrer do mundo e tal.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 19/09/2026
Julgamos saber dos gostos da pessoa amada, mas se investigarmos os motivos e procurarmos entender o que está na base desse gostar, capaz de cairmos num imenso campo de predileções onde o que a outra pessoa gosta é um reflexo do que viemos a gostar também, por motivos quase iguais, mas não idênticos.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 19/09/2026
O verde que se vê nos céus, mas só de vez em quando, não procurando verde nenhum...
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 19/09/2026
As avenidas e viadutos nos sonhos têm a curiosa tendência de mostrar o longuíssimo comprimento de sua extensão, mesmo quando seria impossível percebê-lo num só lance de vista. Como que são caminhos que apontam ao sonhador o abismo da distância se recriando em imagem, em ícone da primeira percepção.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 19/09/2026
Corpo de Baile: talvez meu preferido do João Guimarães Rosa
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 19/09/2026
O sol da manhã cedinho já é desse amarelo equinocial!
Sol nascendo visto de cima de um pontilhão. Os raios atravessam o parapeito e lançam longas sombras da grade sobre o asfalto da pista. No fundo, o brilho de uma represa à distância e, mais de perto, um parque de diversões com vários brinquedos, tudo iluminado pelo amarelo do amanhecer.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 19/09/2026
A descoberta de um lugar meio recluso na cidade é sempre sentida como um sonho: ali parece se condensar um significado que se senta apresentação imagística: um lugarzinho que sempre esteve ali, pronto para essa descoberta, mas que, ao mesmo tempo, nunca foi meu e nem para mim, a não ser no instante.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 18/09/2026
As pontes sobre os rio Tietê no interior do estado, as que são partes de rodovias federais ou estaduais e por cima das quais a gente dirige como se passasse não de uma margem à outra, mas de uma porção de planalto a um espaço diferente, aquele em que, ao sul do rio, se entende o tal sentido cardeal.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 17/09/2026
Para a primavera: as horas verdes de se passar num tempo ficando cada vez mais claro, cada vez mais amarelo ouro, até um dia quando a luz não mais vacila em tons baixos e resta pura como os nomes antigos de Phebo e Hyperion, faróis que guiam pelo fim do ano já, a se pensar em outras primaveras rosa.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 17/09/2026
Um amor que vence o terrível de si necessariamente se expande para o mundo além dos amantes e do imediato.
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João Gabriel @jgabriel-costa.bsky.social · 16/09/2026
Jacarandás, as flores de um roxo quase sobrenatural, um ultravioleta que se vê por causa do rendilhado das folhinhas tão verdes sempre anunciando a primavera...
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