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Café Com Crime

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🔪🇧🇷 O podcast onde você pode ser o aficionado por crimes reais que você é sem julgamentos. Epis quinzenais! 📧 Comercial: cafecomcrime@tagcreator.space

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Para saber todos os detalhes deste caso, escute o episódio 205 do Café Com Crime. 🎧https://linktr.ee/cafecomcrime. Fim 🧵
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Nos anos 2000, o processo judicialfoi recuperado nos arquivos do fórum de Erechim, revelando que, por trás da lenda, existiu um crime real. A história também foi transformada no filme A Verdadeira História do Come Gente, lançado em 2006, e no livro Come Gente, publicado em 2017.
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O caso, porém, permaneceu na memória de Erechim. Passada de boca em boca, a história do assassinato de Thomaz e os rumores que cercavam Ignácio foram se transformando na lenda do Come-Gente, que durante décadas assustou crianças da região.
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Com a conclusão do processo, o destino de Valéria e Sabina também se perdeu com o tempo. Não se sabe se elas permaneceram na região, reconstruíram suas vidas nas terras deixadas por Thomaz ou retornaram para a Polônia.
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Ignácio deveria cumprir a pena na Casa de Correção de Porto Alegre. Durante sua transferência para a capital, ele tentou fugir e acabou morto pelos agentes responsáveis por sua escolta.
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Ele foi condenado a 21 anos de prisão. A condenação não foi por canibalismo, já que não havia comprovação de que Ignácio tivesse comido partes do corpo da vítima, mas pelo homicídio e pelo tratamento dado ao cadáver.
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Os vizinhos também falaram sobre as reclamações de Ignácio em relação à Sabina e sua insatisfação com Thomaz. O julgamento começou em 06/05/1930 e durou quatro dias. No dia 10, os jurados declararam, por unanimidade, Ignácio culpado pela morte e pelo esquartejamento de Thomaz.
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Em março de 1930, durante a audiência de instrução, Valéria confirmou que havia acolhido Ignácio em casa a pedido do marido e que ele havia demonstrado interesse por Sabina, sem jamais receber uma resposta positiva da jovem.
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A hipótese era de que ele acreditava que, eliminando Thomaz, poderia se casar com a jovem e assumir as terras da família.
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Enquanto conversava com seu tradutor intérprete informalmente, Ignácio teria dito que “não era bobo de confessar o crime”. A frase foi registrada no processo. Para a acusação, a motivação do assassinato era a obsessão de Ignácio por Sabina.
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A cabeça, o coração e a coluna vertebral desapareceram, o que contribuiu para alimentar os rumores sobre um possível canibalismo.
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Disse que se alimentava de carne de cavalo e que jamais havia comido carne humana, tão pouco cometido canibalismo com o corpo de seu chefe. Apesar disso, algumas partes do corpo de Thomaz nunca foram encontradas.
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A investigação revelou ainda que Ignácio tinha má reputação na região: circulavam boatos de que ele teria comido carne de crianças. Questionado sobre isso, Ignácio negou ser canibal e afirmou que a história era falsa.
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Para se defender, tentou apontar Valéria como possível mandante, alegando que ela e Thomaz brigavam muito por conta da posse das terras. Também negou qualquer interesse por Sabina.
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Diante das evidências, foi preso preventivamente e levado para a cadeia Civil de Boa Vista do Erechim. Em seu depoimento, continuou negando o assassinato e afirmou que apenas havia encontrado os restos mortais na fogueira ao regressar para a casa do patrão às 8h da manhã.
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Na casa, os peritos encontraram vestígios da fogueira, tecidos e botões queimados, além das marcas de sangue nas paredes e na estrutura da cama. As suspeitas rapidamente se concentraram em Ignácio. Questionado pelas autoridades, Ignácio apresentou versões conflitantes.
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Eles dispararam tiros para avisar os demais. Entre os restos havia tecidos e botões queimados que Valéria reconheceu como pertencentes a Thomaz. A polícia foi chamada e o delegado José Barreto foi até a propriedade com sua equipe.
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Enquanto os homens procuravam por Thomaz, ele permaneceu próximo, fingindo trabalhar e acompanhando os movimentos dos vizinhos. Por volta das dez da manhã, Paulo e Mário encontraram, em um córrego próximo da casa, pedaços carbonizados de um corpo humano.
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Jacob Rech, Paulo Kampolt, Mário Wichroski, seu irmão José Wichroski e Estanislau Vincoski se dividiram para procurar pela região. Ignácio também foi chamado, mas recusou, alegando que precisava capinar a roça.
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Naquela noite, Ignácio acompanhou Valéria até a casa do vizinho Jacob Rech, onde ela permaneceu para não precisar retornar sozinha à cidade. Na manhã de quarta-feira, 19 de fevereiro, os vizinhos começaram as buscas por Thomaz.
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Depois, encontrou manchas de sangue e o que parecia ser massa encefálica nas paredes. Os dois saíram à procura de Thomaz, mas não o encontraram.
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No fim da tarde, Valéria chegou à propriedade e perguntou onde estava o marido. Ignácio respondeu que não sabia. Ao entrar na casa, ela percebeu que as roupas de Thomaz e sua roupa de cama haviam desaparecido.
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Na manhã de terça-feira, 18 de fevereiro, ele tentou ocultar os vestígios recolhendo os restos queimados em uma lata de querosene. Depois, fez três viagens para levar os restos mortais até um riacho próximo. Em seguida, deu água aos animais e foi trabalhar na roça.
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Ele surpreendeu Thomaz enquanto este dormia e o atacou com golpes de madeira na cabeça, impedindo qualquer reação. Em seguida, usou um machado para esquartejar a vítima e montou uma grande fogueira dentro da própria casa para carbonizar os restos mortais.
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De acordo com a reconstrução feita posteriormente pela perícia, na noite de 17 de fevereiro, após ter o contrato de trabalho rescindido e ter suas investidas em relação à enteada do patrão rejeitadas, Ignácio retornou ao rancho.
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Depois disso, retornou à propriedade de Thomaz, embora já tivesse sido dispensado naquela manhã. O que aconteceu a partir desse momento nunca foi totalmente esclarecido. O que se sabe é que Thomaz nunca mais foi visto com vida.
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Estefano conversou com Thomaz sobre o possível arrendamento, mas os dois não chegaram a um acordo. Por volta das cinco da tarde, Estefano foi embora. Ignácio, entretanto, seguiu para a casa do vizinho Paulo Kampolt, onde permaneceu até aproximadamente onze da noite.
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O imigrante disse que procuraria outro emprego e, pouco depois, encontrou Estefano Kowalczik, que tinha interesse em arrendar parte das terras de Thomaz. Os dois seguiram para a propriedade rural e chegaram por volta das duas da tarde.
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Na segunda-feira, 17 de fevereiro, Thomaz retornou à propriedade rural e começou os trabalhos na colheita. No mesmo dia, no centro da cidade, Valéria comunicou a Ignácio a sua dispensa. Ele não demonstrou estar abalado.
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No sábado, 15 de fevereiro de 1930, ele contou a Valéria que não suportava mais trabalhar ao lado do empregado e que pretendia dispensá-lo. Valéria concordou e ficou responsável por comunicar a decisão na segunda-feira.
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A rejeição irritou Ignácio, que passou a tratar a jovem com desprezo e rispidez. Ao mesmo tempo, o trabalho de Ignácio na propriedade de Thomaz também começou a gerar conflitos. Com a chegada da época da colheita, Thomaz considerava o desempenho de Ignácio insuficiente.
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O imigrante também procurou Valéria e Thomaz, esperando que eles interviessem a seu favor. Thomaz, porém, deixou claro que Sabina era livre para escolher com quem se casaria.
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Foi nesse período que a relação entre os dois começou a se desgastar. Ignácio havia desenvolvido interesse por Sabina e passou a tentar conquistá-la, mas a jovem rejeitava suas investidas e começou a evitá-lo.
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Ignácio conseguiu emprego na Firma Pagnoncelli, uma refinaria de banha de porco, e durante 7 meses trabalhou enquanto permanecia hospedado com a família de Thomaz. Depois de perder o emprego, Ignácio passou a ajudar Thomaz na propriedade rural para continuar pagando suas despesas
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Foi assim que, em maio de 1929, recebeu em sua casa Ignácio Iwarczinski Vel Franczak, 36 anos, um imigrante polonês que havia chegado ao Brasil em busca de uma nova vida.
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Thomaz também costumava acolher imigrantes recém-chegados da Polônia, oferecendo hospedagem por um pequeno valor destinado às despesas básicas.
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Thomaz construiu uma vida na região ao lado da esposa, Valéria Pruchniack, 59 anos, e da enteada, Sabina, 17 anos. Ele dividia seu tempo entre a casa da família, na cidade, aos fim de semana e em uma propriedade rural onde cuidava da lavoura e dos animais durante a semana.
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Em 1930, a cidade de Erechim, no Rio Grande do Sul, possuía diversas colônias rurais formadas por imigrantes de diferentes nacionalidades. Entre elas estava a colônia polonesa da Linha 2, Secção Dourado, onde vivia o agricultor polonês Thomaz Pruchniack, 48 anos.
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O COME-GENTE DE ERECHIM: Em 1930, o assassinato de um agricultor chocou a cidade de Erechim (RS). Seu corpo foi esquartejado, carbonizado e encontrado às margens de um córrego. O crime real deu origem a uma lenda aterrorizante que marca até hoje a história da cidade. Segue o 🧵
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Café Com Crime @cafecomcrime.bsky.social · 14/10/2026
EPISÓDIO NOVO NO AR: Em Erechim, o assassinato do agricultor Thomaz Pruchniack, esquartejado e queimado numa fogueira dentro de casa, deu origem à lenda do “Come-Gente”. O responsável? Ignácio Franczak. Escute o episódio 205 🎧 linktr.ee/cafecomcrime
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Café Com Crime @cafecomcrime.bsky.social · 07/10/2026
Para saber todos os detalhes deste caso, escute o episódio exclusivo 062. Disponível para apoiadores a partir da categoria Cafeinado do podcast Café Com Crime no Apoia-se e na Orelo. 🎧https://linktr.ee/cafecomcrime. Fim 🧵
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Café Com Crime @cafecomcrime.bsky.social · 07/10/2026
As defesas, porém, apresentaram suas próprias versões e os três negaram o crime. Berenice foi velada no dia 25 de julho, em uma cerimônia para familiares e amigos, em um cemitério na capital paulista. O caso segue aguardando julgamento.
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Café Com Crime @cafecomcrime.bsky.social · 07/10/2026
A acusação atribuiu aos três responsabilidades pelo homicídio de Berenice e pela ocultação do corpo, além de outros crimes apontados na denúncia. O desacordo sobre o pagamento da rescisão foi considerado pela investigação como relacionado à motivação do crime.
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Café Com Crime @cafecomcrime.bsky.social · 07/10/2026
No início de agosto, a Polícia Civil concluiu o inquérito, o Ministério Público ofereceu denúncia contra Eliane, Irimar e Magno, e a Justiça recebeu a acusação. Os três passaram a responder como réus.
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Café Com Crime @cafecomcrime.bsky.social · 07/10/2026
Segundo essa versão investigativa, Magno estaria dirigindo, Berenice estaria no banco do passageiro e Eliane no banco traseiro. A empresária teria efetuado os disparos e, depois, o corpo teria sido levado para a região de Angra dos Reis e deixado em uma área de mata.
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Café Com Crime @cafecomcrime.bsky.social · 07/10/2026
A reconstrução apresentada pela Polícia Civil apontou que Berenice teria sido morta dentro da caminhonete durante o trajeto pela Rodovia Rio-Santos.
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Café Com Crime @cafecomcrime.bsky.social · 07/10/2026
Segundo o inquérito, ele teria participado do momento em que Berenice foi colocada na caminhonete e estaria dirigindo o veículo durante o trajeto pela Rodovia Rio-Santos.
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Café Com Crime @cafecomcrime.bsky.social · 07/10/2026
Segundo a investigação, ele teria participado da ocultação do corpo e exercido o papel de autor moral do crime, ao alimentar os ciúmes e as desconfianças de Eliane em relação a Berenice. No dia seguinte, 4 de agosto, foi preso Magno dos Santos Neri Barbosa, sobrinho de Eliane.
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Café Com Crime @cafecomcrime.bsky.social · 07/10/2026
Com a localização do corpo, a investigação entrou em uma nova fase. A análise dos celulares, deslocamentos dos veículos, imagens de câmeras e demais vestígios levou a Polícia Civil a apontar o envolvimento de outras duas pessoas. Irimar Castilho foi preso em 3 de agosto.
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Café Com Crime @cafecomcrime.bsky.social · 07/10/2026
O corpo precisou ser içado e a operação durou horas. Devido ao estado de decomposição, José Carlos conseguiu reconhecer a mãe por uma tatuagem de borboleta, mas a identificação oficial ainda dependia dos procedimentos periciais. No dia 18 de julho, foi confirmado que o corpo era de Berenice.
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