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avalobot

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avalobot @avalobot.bsky.social · 6m
Freiras centenárias, de hábitos arregaçados, enfiam lixo e bosta nas tabacas sangrentas.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 1h
No breve salto, neste espaço de relâmpago em que o peixe voa e vê as cabras mordendo as pedras das ilhas.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 2h
Além, na rua — telhados e portões, outros ônibus, luzes, muros, vultos humanos —, tudo flui, impreciso, partes desconexas de um mundo efêmero e recordado, sobre o qual reinasse, alheia à passagem do tempo, sua figura sutil e temperada por uma espécie de audácia.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 3h
Conserva, pois, tua língua escondida em minha boca.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 4h
Ouço, de permeio com o rumor das ondas, o bater surdo e ainda distante, mas não muito, das patas do cavalo.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 5h
Ao sairmos para o sol põe o chapéu de palha, um chapéu de abas flexíveis ornado com uma fita da mesma cor da saia.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 6h
As feridas sangram e ela treme. De dor? Seus dentes batem sobre o meu nome. Talvez de frio, o corpo desabrigado, exposto à brisa praiana.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 7h
Seis soldados, dóceis às ordens do superior, saltam do carro e com esforço carregam o ataúde, peso de três mortos, chumbo, as tábuas cedem um pouco à pressão vinda de dentro.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 8h
O homem, com luvas leves, segurando o jornal e uma corneta de chifre, tem qualquer coisa de um morto — bem moço, ainda— vestido para o enterro.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 9h
Natividade ante a sua almofada de rendeira, quatro bilros nas mãos.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 10h
O sono, de repente, vence-me.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 11h
Passada a lembrança do parto, os pais acabam afeiçoando-se a ele e não temem pela sua sorte. Por que iriam temer?
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avalobot @avalobot.bsky.social · 12h
Cecília, rindo, a blusa amarela, a saia rodada, com desenhos de pássaros e flores, precipita-se em direção a mim, com tal ímpeto que as cortinas vibram.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 13h
Desviados por uma espécie de corrente que entre mim e eles, separadora, insinua-se, os poucos companheiros distanciam-se.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 14h
A cabeleira derramada em leque, a língua sem pouso na boca seca e o traçado da face imerso entre a paz absoluta, o êxtase, o enigma solvido e o júbilo sem medo, segue com as pontas dos dedos o meu rosto, colhe ponto por ponto o meu rosto.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 15h
Estende-se na paisagem a Cidade, dominada por um alvo templo arredondado e cingindo-a uma tríplice muralha com dispositivos de defesa — torreões e ameias.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 16h
— Ela sabe. Diz que isso conta, mas não muito. Primeiro, claro, sugeriu que fôssemos amigos. Respondi que amor espiritual é depravação. Não é mesmo?
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avalobot @avalobot.bsky.social · 17h
Quando eu escrevo que a amo, exprimo a substância e a natureza do que você deflagra em mim.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 18h
(O grifo e as flores do fular em torno do pescoço de Roos rugem e giram.)
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avalobot @avalobot.bsky.social · 19h
Aspira fundo o ar e ergue os joelhos, os pés miúdos deslizam no tapete.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 20h
Suavemente, fecha-me a boca com as mãos: — Pensa que não vejo? Que não sei? Mas tudo isso é inútil e sem futuro. E mesmo sem presente. É o meu marido que está em Lausanne.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 21h
Não escolhi ao acaso o seu fular. O desenho central lembra um poema. Um poema bem estranho. Requisitei uma Odisseia aldina e um manuscrito egípcio, em grego. Não sei grego. Queria vê-lo, apenas.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 22h
Abel beija-me os pés.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 23h
(Vêm do tapete, das jóias ou do meu desejo os reflexos que neles surgem e apagam-se?)
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avalobot @avalobot.bsky.social · 08/10/2026
Ele leva a corneta à boca e arranca do esôfago, com esforço, expressões ultrajantes.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 08/10/2026
Pousa um K sobre o viaduto do Chá, as pernas laterais voltadas para baixo, formando um ângulo que abrange em toda a extensão — do Othon Palace Hotel aos escritórios da Light — a larga e bruta passagem de concreto.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 08/10/2026
Um vento colérico abala esse nomes, solda-os, desagrega-os, atira-os contra outros nomes e outros ventos.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 08/10/2026
Este engano, porém, lido de outro modo, será ainda engano?
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avalobot @avalobot.bsky.social · 08/10/2026
A voz, abafada, vibra como se eu gritasse, intensa, "O que será de nós?", pois não vejo saída e uma tem de haver, e ela dobra os joelhos e abraça-me com força, e eu clamo outra vez o que será de nós.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 08/10/2026
A vasta nuvem escura, compacta e adejante só evoca em mim e ఠ a idéia de pássaro no momento em que nos sobrevoa com o seu cantar informe.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 08/10/2026
Cecília esplende mais que este amanhecer de maio.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 08/10/2026
veemência do abraço cabelos soltos glande em V dentes luminosos (nomes de cidades e cidades com peixes aves insetos quadrúpedes nenhuma sombra humana) vem o prazer como um sopro benigno e temível na sua intensidade
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avalobot @avalobot.bsky.social · 08/10/2026
Fulgor intolerável no meu corpo.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 08/10/2026
Os ladrões não dormem, Abel, todo cuidado é pouco.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 08/10/2026
Lida o escritor, na opressão, com um bem confiscado.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 08/10/2026
Um clarão (vindo de Roos?)
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avalobot @avalobot.bsky.social · 08/10/2026
Falta-me a energia cega dos reformadores; e com a minha tendência, talvez arcaica, para raciocinar com todos os dados dos problemas, custaria muito a decidir-me sobre os valores que devem ser incinerados ou substituídos.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 08/10/2026
As grandes pedras amontoadas ao longo da costa para deter o martelar constante e cada vez mais mordente das ondas vão sendo vencidas pelas águas.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 08/10/2026
A partir do momento em que a embaixatriz, removendo os jarros, vestidos, adereços, risos, perfumes e cortinas que flutuam nos festivos porões da sua memória, redescobre o relógio, parece-lhe urgente reavê-lo.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 07/10/2026
— O que aterra no rosto fosforescente do Iólipo é ser quase sempre invisível.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 07/10/2026
Ambígua, é exposta, não obstante o caráter enigmático do seu corpo, a desvalimentos e receios.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 07/10/2026
Iremos de um extremo a outro, sem pouso nem encontro verdadeiro.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 07/10/2026
Sua testa sobre a minha, ela no centro do quarto e a sombra na parede, a boca entreaberta sobre a minha boca, o seu perfil contra a chama e os olhos secretos fitando-me da têmpora.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 07/10/2026
No céu límpido — não um céu noturno, mas um céu tumultuado, onde noite e dia coincidem —, no anel do horizonte, brilham constelações desconhecidas, tanto sobre os tetos das casas como do lado do mar.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 07/10/2026
Existem mapas visíveis no escuro: entramos nas coisas, às vezes por trás do que são.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 07/10/2026
Olavo Hayano é algo a cumprir.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 07/10/2026
Dez mil homens estão na sua carne: como no centro de um olho atônito. Dez mil homens estão na sua carne: como numa vereda pouco transitada ao longo de dez anos.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 07/10/2026
Damo-nos as mãos e, com a água tornando imponderáveis os nossos corpos, corremos lado a lado.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 07/10/2026
Vai, Abel, busca a Cidade: eis a tua incumbência.
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avalobot @avalobot.bsky.social · 07/10/2026
Os hipopótamos da eternidade bafejam-me com seu hálito ardente.
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